Veja dicas do médico André Masano para o diagnóstico e o tratamento de dores

Por Metro Jornal

Um dos desafios no tratamento da dor crônica é a automedicação, pois minimizar os sintomas pode atrasar o diagnóstico, afirma ao Metro Jornal o médico André Masano, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. O especialista acaba de ser premiado por excelência no tratamento do problema, que afeta cerca de 30% da população mundial. O título foi conferido pelo WIP (Instituto Mundial da Dor), em uma conferência global sobre o tema em Budapeste, em agosto de 2018.

Sentir dor é normal?
Não é normal sentir dor, e a automedicação é sempre delicada. Existem riscos significativos em tomar medicamentos sem orientação médica. Com relação ao uso de analgésicos comprados em farmácias, por exemplo, sabemos que essa prática pode atrasar um diagnóstico clínico, uma vez que o paciente vai minimizando seus sintomas sem de fato esclarecer o que está ocorrendo. Em alguns casos, felizmente mais raros, esse atraso pode ser o diferencial entre a possibilidade de cura ou não de uma doença grave, como o câncer, por exemplo, que causa dores em até 73% dos pacientes afligidos pela doença.

Quando esses medicamentos podem ser usados?
Podem ser usados se já há um diagnóstico estabelecido ou enquanto o paciente aguarda por uma avaliação mais minuciosa.

Como saber quando é hora de procurar um médico?
É verdade que quase todos sentimos dores em algum momento da vida e nem sempre procuramos um médico e o problema pode acabar sendo resolvido espontaneamente. Mas eu diria que qualquer caso de dor de forte intensidade ou dores que perdurem por mais de uma semana devem ser motivo de uma avaliação médica.

O que são as dores crônicas?
De forma geral, qualquer dor que perdure por mais do que três meses é considerada crônica. Muitos pacientes ouvem que apresentam dores crônicas e logo pensam que isso não tem tratamento. Definitivamente, isso não é verdade.

Quais são os principais tipos?
Os principais tipos de dores com certeza são as lombares, dores de cabeça e na região cervical. São dores extremamente frequentes e, muitas vezes, incapacitantes.

Qual é o impacto na qualidade de vida?
O impacto é importantíssimo. A dor é mais temida, muitas vezes, do que a própria morte. Pode levar ao absenteísmo (falta no trabalho), ao “presenteismo” (diminuição da produtividade laboral) e isso estende-se às relações pessoais, com diminuição das atividades de lazer e dificuldades matrimoniais, por exemplo.

A pessoa pode sofrer bullying por ter uma dor que nunca melhora?
Infelizmente, ocorre. Há casos onde os mecanismos ou causas das dores não são completamente explicadas pela comunidade científica ou onde tal causa não aparece em exames. Muitas vezes, o paciente pode sofrer com descrédito na família e em seu círculo de amizades. É um fato que acontece e seria interessante que tivéssemos mais dados a respeito.

Qual médico procurar?
Temos médicos especialistas em dor, mas é uma área de atuação comum a várias especialidades como anestesiologia, neurologia, ortopedia, neurologia, entre outras.

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