Por que estamos vivendo no ‘planeta das galinhas’, segundo cientistas

Pesquisadores afirmam que a ave pode ser um símbolo do antropoceno, período geológico marcado pelo impacto da atividade humana no meio ambiente.

Por Helen Briggs - BBC News

Um estudo realizado a partir de ossos de galinha descobertos em sítios arqueológicos de Londres, no Reino Unido, mostra como a ave que conhecemos hoje é irreconhecível em comparação com seus ancestrais.

Com cerca de 23 bilhões de galinhas no planeta, o animal é um símbolo do impacto do homem sobre o meio ambiente, dizem os pesquisadores.

O estudo, publicado na revista científica Royal Society Open Science, argumenta que a evolução acontece geralmente em uma escala de tempo de milhões de anos, mas o processo de transformação da galinha foi muito mais rápido.

A ascensão do frango vendido no supermercado reflete o declínio das aves selvagens.

"O número absoluto de galinhas é de uma ordem de grandeza maior do que qualquer outra espécie de ave que esteja viva hoje", afirma Carys Bennett, geóloga da Universidade de Leicester, no Reino Unido, que liderou o estudo.

"Poderíamos dizer que estamos vivendo no planeta das galinhas", completa.

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As galinhas em números

65,8 bilhões – número abatido em 2016, comparado a 1,5 bilhão de suínos e 300 milhões de bovinos.

25.500 – número de estabelecimentos no mundo que vendem uma marca popular de frango frito.

70% – número de frangos para consumo criados de forma intensiva, por confinamento (dados de 2006).

De cinco a sete semanas – vida útil de um frango para consumo.

3 a 5 bilhões – população de pombos-passageiros em 1800, espécie hoje extinta, considerada a ave selvagem mais comum na história da humanidade.

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Os pesquisadores usaram o registro arqueológico para averiguar como as galinhas mudaram ao longo dos anos – e afirmam que elas são um símbolo desta era geológica.

Estamos entrando no Antropoceno, o período caracterizado pelo impacto da atividade humana no clima e no meio ambiente.

"As atividades humanas alteraram as paisagens, os oceanos, a atmosfera e a superfície da Terra", diz Bennett.

"Como a espécie mais numerosa de vertebrados terrestres do planeta, com a biologia modificada pelos seres humanos, as galinhas modernas são um símbolo da nossa biosfera alterada."

Segundo ela, quando as futuras gerações examinarem rochas da nossa época, provavelmente vão encontrar "latas, garrafas de vidro, pedaços de material que antes eram plástico, e entre eles, ossos de galinhas".

Os animais domesticados correspondem hoje à maioria das espécies animais terrestres, modificando o mundo natural.

A galinha doméstica é descendente de uma espécie selvagem nativa do sudeste asiático. E foi domesticada pela primeira vez há cerca de 8 mil anos, se espalhando rapidamente pelo mundo, ao ser usada como fonte de carne e ovos.

Na década de 1950, foram iniciados esforços para produzir frangos maiores. Desde então, a ave passou por mudanças extraordinárias.

Passou a ser criada seletivamente para engordar rápido, o que fica evidente pelo tamanho e pela química e genética de seus ossos.

Enquanto isso, o frango assado deixou de ser uma iguaria de fim de semana para se tornar um negócio global de alimentos.

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