Doação de órgãos: entender o processo acaba com o mito da retirada sem autorização

Por Gerson Soares/Especial para o Metro

Quando alguém pensa em doar seus órgãos, esta é uma decisão muito sensível e precisa ser vista como um ato de amor, de carinho, um privilégio.

Pela importância que a doação de órgãos está assumindo, cada vez mais pessoas poderão ser beneficiadas se cada um que estiver lendo este jornal refletir um pouco sobre essa questão.

E é bom que saibam que não estão sozinhos e podem contar com duas entidades primordiais em São Paulo: a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) e a Associação Brasileira dos Transplantados (ABTx). Para falar sobre o assunto, fomos conversar com quem mais entende: os transplantados e os médicos.

O médico Paulo Pêgo, que trabalha no Hospital do Coração, em São Paulo, demonstra que o medo de ter os órgãos subtraídos sem autorização é um mito, expondo os procedimentos para a doação, captação, recepção e transplante de órgãos. Confira entrevista:

Fale sobre a morte encefálica e suas decorrências.
Morte encefálica é a completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro. Isto significa que, como resultado de severa agressão ou ferimento grave no cérebro, o sangue que vem do corpo e supre o cérebro é bloqueado e o cérebro morre.

Poderia explicar como funciona o processo de constatação da morte encefálica?
Um médico conduz os exames que dão o diagnóstico de morte encefálica. Esses exames são baseados em sólidas e reconhecidas normas médicas. Em muitos casos, os testes são duas vezes realizados, com intervalo de diversas horas, para assegurar um resultado exato. Esses testes são feitos para confirmar ausência do fluxo sanguíneo ou da atividade cerebral. Uma vez dado o diagnóstico de morte encefálica, seu ente querido é declarado legalmente morto.

O que acontece após a morte encefálica de um doador e como é feita a captação do órgão a ser transplantado?
Após a constatação da morte encefálica, deve ocorrer a notificação às centrais de Notificação Captação e Distribuição de Órgãos e Tecidos (CNCDO). Para isso o médico deve telefonar para a central de seu Estado informando nome, idade, causa da morte e hospital onde o paciente encontra-se internado. Essa notificação é uma obrigação do médico, independente do desejo familiar de fazer a doação ou dos pré-requisitos (condição clínica) do potencial doador vir a ser um doador efetivo.

Como o receptor fica sabendo que chegou a hora de receber o órgão que será transplantado?
A CNCDO tem a lista dos potenciais receptores, com todas as indicações necessárias à sua rápida localização e à verificação de compatibilidade do respectivo órgão para o transplante.

Gerson Soares Acervo pessoal

SOBRE ESTE REPÓRTER
Também sou transplantado e assino esta reportagem como voluntário da ABTx.

Depois de três enfartos, o penúltimo deles enquanto praticava natação, tive de ser submetido a um transplante cardíaco de emergência. Mesmo depois da cirurgia, permaneci semanas na UTI, devido à gravidade do meu caso. Com a assistência dos médicos e enfermeiros do Hospital São Paulo, consegui superar as consequências cirúrgicas, além das várias paradas cardíacas que afetaram naquele momento meus pulmões e rins.

Sou praticante de esportes, assim como os demais que vimos nesta reportagem, e tive minha vida – assim como eles – transformada a partir do transplante.

Em 2018, depois de disputar as três fases do Circuito Paulista de Jiu Jitsu, sou o atual campeão na categoria Master 6 e terceiro colocado na categoria Master 5. Depois do transplante, além do jiu jitsu diário, pratiquei paralelamente karatê, natação e boxe. Atualmente, encaro a nova carreira de escritor, com alguns trabalhos publicados e dois em edição. A história que me levou ao transplante é uma das que ainda está sendo escrita, 14 anos depois.

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