Por que os países nórdicos podem não ser tão felizes quanto pensamos

Novo relatório divulgado por Conselho de Ministros dos países nórdicos e um instituto da Dinamarca tenta traçar um panorama mais preciso da vida nos países classificados como os mais felizes do mundo.

Por BBC Brasil

Países nórdicos como Finlândia, Noruega e Dinamarca ocupam os primeiros lugares em rankings de felicidade e bem estar.

Mas uma nova pesquisa mostra que a felicidade nos países nórdicos está longe de ser um sentimento universal. Relatório do Conselho de Ministros Nórdicos e do Instituto de Pesquisa da Felicidade de Copenhague oferece um panorama mais detalhado da vida nesses países.

O documento sugere que a reputação dos países nórdicos como "terras da felicidade" estão mascarando problemas importantes de alguns segmentos da população, especialmente dos jovens entre 16 e 24 anos.

Os pesquisadores por trás do relatório, chamado Na Sombra da Felicidade, analisaram dados coletados ao longo de cinco anos – entre 2012 e 2016 – para tentar construir uma imagem melhor das chamadas "superpotências de felicidade".

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Usando questionários, os pesquisadores pediram que pessoas classificassem sua satisfação com a vida numa escala de 1 a 10. As pessoas que marcaram mais de sete foram classificadas como "prosperando", as que indicaram cinco ou seis como "batalhando", e qualquer uma que marcou menos de quatro foi enquadrada como "sofrendo".

Um total de 12,3% das pessoas responderam que estão lutando ou sofrendo, sendo que esse índice é ligeiramente maior entre os jovens. O índice só não é mais alto que o registrado entre os com mais de 80 anos, grupo que enfrenta problemas como os de saúde.

A pesquisa identificou que tanto a saúde de forma geral como a saúde mental está diretamente associada com as classificações de felicidade. O desemprego, a renda e a sociabilidade também têm peso na hora de se autodeclarar o nível de felicidade.

Os países mais felizes – e os menos felizes – em 2018
Mais felizes Menos felizes
1. Finlândia 147. Malaui
2. Noruega 148. Haiti
3. Dinamarca 149. Libéria
4. Islândia 150. Síria
5. Suíça 151. Ruanda
6. Holanda 152. Iêmen
7. Canadá 153. Tanzânia
8. Nova Zelândia 154. Sudão do Sul
9. Suécia 155. República Central Africana
10. Austrália 156. Burundi

De forma geral, o relatório desafia o senso comum de que somos mais felizes quando somos jovens.

Saúde mental

Os pesquisadores identificaram que a saúde mental é uma das barreiras mais importantes para o bem estar individual. E esses problemas foram identificados, em especial, entre os mais jovens.

"Cada vez mais e mais jovens estão sozinhos e estressados, e têm transtornos mentais", disse um dos autores do relatório, Michael Birkjaear, ao jornal britânico The Guardian.

"Estamos vendo que essa epidemia de transtornos mentais e de solidão está chegando aos países nórdicos", assinalou.

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Na Dinamarca, 18,3% das pessoas entre 16 e 24 anos indicaram que sofriam de problemas ligados à saúde mental. Esse número foi maior – 23,8% – para as mulheres nessa faixa etária.

A Noruega assistiu a um aumento de 40% no número de jovens que pedem ajuda por dificuldades relacionadas à saúde mental no período de cinco anos da pesquisa.

O relatório diz ainda que na Finlândia, classificada como o país mais feliz do mundo em 2018, o suicídio foi responsável por 35% de todas as mortes nessa faixa etária.

Os pesquisadores identificaram que, com frequência, mais mulheres que homens jovens dizem se sentir deprimidas.

Outros padrões

Os autores afirmam que nos países nórdicos os salários altos protegem as pessoas de sentir que estão sofrendo.

Também indicam que as pessoas têm três vezes mais chance de falar um número baixo para o nível de felicidade se estão desempregadas, em especial os homens – eles se mostraram mais propensos que as mulheres a reportar um problema de saúde mental se não têm trabalho.

A pesquisa mostrou ainda que a falta de contato social é um problema maior para homens que para as mulheres nórdicas.

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Ainda que a pesquisa revele um lado que os rankings de felicidade não mostram, o relatório também compara a situação dos países nórdicos com dados de outras nações.

Embora 3,9% das pessoas na região nórdica tenham citado níveis classificados como "sofrimento", essa taxa em outros países é muito maior: 26,9% na Rússia e 17% na França.

Sob esse ponto de vista, as perspectivas na Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia ainda são relativamente cor de rosa, mas não são tão perfeitas quanto algumas a pintaram.

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