Maioria dos casos de câncer de mama em mulheres jovens não é por herança genética

Por Metro Jornal

Uma pesquisa realizada pelo Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) revelou que cerca de 80% dos casos de câncer de mama em mulheres entre 20 e 35 anos não são causados por herança genética. Ou seja, essas mutações podem ter outras origens, dentro do próprio organismo.

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, atingindo principalmente as que estão acima dos 50 anos. Mesmo assim, cerca de 4,5% dos registros são entre as mais jovens, cujo diagnóstico é mais difícil. Nesses casos, geralmente o tratamento começa quando a doença já está em estágio avançado.

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O estudo, divulgado na revista Oncotarget, destacou as duas principais origens do câncer: hereditário, que é quando é passado através dos genes dos pais para a filha, e somático, que se desenvolvem ao longo do tempo. Nessas situações, o câncer acontece porque as células da mama se renovam a cada ciclo ovulatório, aumentando as chances de uma mutação aleatória.

"Mais de 40% dos casos estudados apresentaram mutação somática em gene que codifica proteína de reparo de DNA, ou seja, o surgimento do câncer veio de um problema em algum sistema de reparo de DNA, que se originou na própria célula da mama e não foi herdado", disse Maria Aparecida Folgueira, uma das autoras da pesquisa, à Agência Fapesp.

Além de notar que a herança genética não é a principal causa entre os casos de câncer de mama em mulheres jovens, a pesquisa também chegou a conclusão de que metade dos tumores têm origem em genes responsáveis pela reprodução das células.

"É uma indicação importante que a maioria dos casos não seja por questões hereditárias. Ainda assim fica a pergunta se são de fato apenas mutações somáticas ao acaso. Desde que nascemos estamos expostos a tudo, não é? O câncer de mama é o mais frequente em mulheres e um dos motivos pode ser porque as células proliferam bastante e há mais chance de errar", diz a pesquisadora.

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