Análise do calor identifica doenças antes dos sintomas

Por Brunno Brugnolo - Metro Curitiba

Um equipamento desenvolvido por três pesquisadores do NPDEAS (Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Energia Autossustentável) da UFPR (Universidade Federal do Paraná) permite identificar de forma precoce doenças cardiovasculares, diabetes e o câncer de mama, por exemplo.

O sistema, feito de forma interdisciplinar, reúne a termografia (técnica de registro gráfico das temperaturas de diversos pontos do corpo por detecção infravermelha) e um software com banco de dados e inteligência artificial capaz de interpretar os resultados do exame –  tudo isso dentro de uma cápsula com a temperatura controlada. Como todos nós emitimos calor, a ideia é que o equipamento capte e identifique possíveis anormalidades, como uma atividade inflamatória.

“Não emite radiação e não é invasivo. É um método de triagem que conhece o padrão e vai dizer se tem algo estranho”, explica Marcos Brioschi, doutor em medicina e engenharia mecânica (biotermodinâmica) pela UFPR. Com publicações científicas dando respaldo e sem “contraindicações”, a termografia já é muito utilizada na medicina esportiva e também em alguns hospitais e clínicas do país, mas em ambientes abertos, com interpretações de especialistas e baixa escala. “A diferença é colocar na cápsula para larga escala e o desafio é aprimorar isso – quanto mais exames, mais inteligente ficará – para ajudar médicos e pacientes”, afirma.

Para ter uma ideia, a alteração na enervação do pé de diabéticos pode ser detectada na imagem térmica e levantar suspeita antes de qualquer ferida ou infecção e evitar amputações. O método não substitui diagnósticos definitivos, mas aponta sinais de que a doença pode estar sendo instalada antes mesmo de os sintomas se manifestarem. Durante o desenvolvimento, os pesquisadores acompanharam com o HC (Hospital de Clínicas) um grupo de 100 mulheres – com e sem câncer de mama.

Os resultados do método apontaram as alterações em 96% dos casos com a doença, contra 75% da mamografia. Para os pesquisadores, a capacidade de fazer uma grande quantidade de exames – a baixo custo – e já fazer a triagem ajudaria os médicos a se concentrar nos casos com indicação de alteração e agir de forma mais direcionada. “Uma mulher com alguma anormalidade na mama poderia ter prioridade na fila de outros exames, como mamografia e ultrassom”, diz o doutor em Ciências pela UFPR e gestor do NPDEAS André Mariano. “O custo desse exame seria em torno de R$ 1.

O paciente poderia ter autonomia para cuidar de si. A nossa concep- ção é que a cápsula possa ser colocada em qualquer lugar: shoppings, aeroportos, empresas”, conta Mariano. Com o apoio da Agência de Inovação da UFPR, os pesquisadores abriram uma chamada para investidores interessados na transferência de tecnologia e o desenvolvimento de um protótipo. Segundo Mariano, caso a iniciativa privada não dê resposta satisfatória, ainda assim o projeto será levado adiante.

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