Planetário em Santo André ganha observatório que vai monitorar meteoros

Por Metro Jornal ABC

Enquanto você lê esta reportagem, dezenas de meteoros riscam o céu do ABC, na Grande São Paulo. Nem sempre você conseguirá notá-los, seja pela rapidez desses objetos cortando a atmosfera ou mesmo pelo pouco tempo que doamos para observar nuvens e estrelas. Mas há uma câmera em Santo André muito atenta ao fenômeno desde o início do ano, que registra com o auxílio de um software fotos e vídeos de meteoros na região.

O equipamento está localizado no Planetário e Cinedome de Santo André,  dentro da Sabina Escola Parque do Conhecimento. O espaço se tornou a primeira e única estação de captura de imagens do fenômeno no ABC.

O primeiro levantamento sobre o tema realizado pelos pesquisadores aponta que aproximadamente 20 meteoros cruzam o céu de Santo André por semana. “Embora a maioria das pessoas não imagine, toneladas de meteoritos caem no nosso planeta diariamente. Os meteoros, quando chegam ao solo, são chamados de meteoritos. A maioria cai no mar, nos polos ou nas matas, e muitos se desintegram quando entram na atmosfera. Mas é possível que alguns caiam em áreas habitadas”, explica o coordenador científico do planetário, o astrônomo Marcos Calil. Com a novidade, o local passa também a atuar como centro de estudos e pesquisas.

A câmera que faz as captações é um equipamento convencional adaptado para a função. Ela fica apontada para o céu na área externa da Sabina. As imagens captadas são enviadas diretamente para o computador equipado com o software UFO Capture.

Toda semana, o astrônomo seleciona as imagens e as envia para a Bramon (Brazilian Meteore Observation Network), entidade parceira do planetário no projeto. A Bramon é uma organização sem fins lucrativos que opera uma rede para o monitoramento de meteoros com o objetivo de produzir e fornecer dados científicos à comunidade. Existem 17 estações no estado de São Paulo, em um total de 115 estações de captura no Brasil, conectadas ao órgão.

As imagens enviadas para a Bramon são cruzadas com as detectadas em outras estações do país, principalmente as de Rio Claro e Campinas, que têm câmeras que fazem triangulação com Santo André. “Por meio dessas pesquisas já foram descobertos novos radiantes, ponto onde se originam chuvas de meteoros. Para pesquisa em ciência, isso é muito valioso, porque através de uma imagem de meteoro é possível  descobrir sua velocidade, composição química e origem. Se é de um cometa, se é de Marte, se é da Lua, e até a quantidade de brilho”, afirma Calil.

O pesquisador acrescenta que o software também é capaz de saber onde o meteoro caiu. E se for por perto, a equipe do planetário pode ir buscar e encaminhar para o Observatório Nacional, que tem a capacidade para estudar o meteorito, confirmar se é verdadeiro, fornecendo inclusive atestado de veracidade e registro.

“Se alguém achar um objeto que desconfia ser meteorito e não uma rocha convencional, a pessoa pode trazer até o planetário. Nós estamos capacitados para identificar os meteoros, diferenciando-os das rochas. E os levamos para análise, certificação e até obtenção de uma estimativa de valor”, explicou Calil.

Exposição traz vídeos e meteoritos

As imagens de meteoros nos céus de Santo André, obtidas pela câmera da estação de captura da Sabina, serão transmitidas em vídeo na exposição “Rochas Celestes”, que está no Planetário e Cinedome de Santo André até 28 de outubro.

A mostra apresenta 14 meteoritos encontrados no Brasil e em outros continentes e responde perguntas como se um meteorito já caiu sobre uma pessoa, qual o valor de um meteorito e como observar uma chuva de meteoros.

Estas e outras curiosidades serão apresentadas na exposição por meio de painéis e totens com fotos e vídeos relacionados a estes eventos.

Também fazem parte da exposição conteúdos sobre meteoros, asteroides e chuvas de meteoros. “O objetivo principal da exposição é a divulgação da ciência meteorítica no Brasil. Esta ciência é muito importante para entender a origem do Sistema Solar, a formação dos planetas, as extinções em massa, entre outros estudos”, afirma o astrônomo Marcos Calil.

A Sabina fica na rua Juquiá, s/nº, Paraíso. O parque está aberto para visitação do público em geral aos sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30. A entrada é gratuita para alunos e professores das escolas municipais de Santo André e custa R$ 20 aos demais. 

O que é um meteoro

Meteoro ou estrela cadente é o fenômeno luminoso que ocorre na atmosfera terrestre, resultado do atrito de um corpo sólido vindo do espaço com os gases da atmosfera, explica o Instituto de Física da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

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