Ajudar outras mulheres de luto me fortalece, diz mãe que perdeu o filho

Por www.band.com.br

Assim como em muitas histórias de superação, a técnica administrativa Mayara Mandarino, de 30 anos, encontrou na dor da perda do filho uma forma de ajudar outras pessoas. Há dois anos, Pietro, então com um ano e meio, se afogou na piscina de casa. Apesar de ter sido levado ao hospital e os médicos terem tentado reanimá-lo por uma hora, o bebê não resistiu. No próximo dia 29, Pietro completaria três anos.

A morte do filho desencadeou uma série de doenças em Mayara, como depressão, síndrome do pânico e crises de ansiedade. Administradora de um grupo no WhatsApp e outro no Facebook denominados Mães de Anjos, ela pretende colaborar com o processo de aceitação da perda de outras mulheres.

“Eu as deixo à vontade para contar. Quando elas sentem confiança, elas falam. Também sou mãe de anjo, minha caminhada ainda está no início, mas estou aqui em pé para ajudar as pessoas”, conta. “Eu me emociono muito quando falam o quanto são agradecidas e que se não fosse por mim elas não conseguiriam”, completa.

A ideia de contribuir para outras histórias de superação surgiu logo depois do afogamento de Pietro. A técnica administrativa conta que sempre teve muito apoio na fase de luto, por isso resolveu fazer o mesmo. Mayara foi convidada, inclusive, para escrever um livro sobre o tema.

Apoio

“O que é mais bacana é que para elas eu sou como uma psicóloga. Ajudo na forma espiritual, mas agora já se estendeu tanto que não estou apenas com mães de anjos, mas com pessoas em geral. Elas estão muito melhores, e isso me deixa muito feliz, além de me fortalecer”, diz.

Atualmente vivendo em Maricá, Estado do Rio de Janeiro, com as duas filhas, uma de 7 e outra de 9 anos – a mais velha presenciou o acidente do irmão –, Mayara pretende realizar uma fertilização in vitro, na capital carioca, onde nasceu. A técnica administrativa, no entanto, ainda está em tratamento psicológico, toma remédio para dormir e não sai de casa devido à síndrome do pânico. “Eu me distraio, mas está sendo bem difícil. Não existe superação para a perda de um filho.” Apesar disso, seu estado emocional não atrapalha no momento de estender a mão para quem precisa. “Por mais que eu esteja bem frágil, na hora de ajudar eu sou extremamente firme”, pontua.

Segundo o psicólogo Edivaldo Tagliari, o sentimentos de impotência e culpa, provocados pela enorme tristeza de perder um filho, pode contribuir para a mãe entrar em depressão. Esse processo de luto é ainda mais impactante por causa da "afetividade criada" entre as duas partes.

Negligência médica

Grávida de três meses, a modelo plus size Daiane Barros Wojtwics, de 31 anos, perdeu a primeira filha por negligência médica. Laura, então com 1 ano e 7 meses, foi levada ao hospital com dores no corpo, a mãe desconfiava ser na barriga, porém, os médicos a diagnosticaram com uma virose.

Após muita insistência por parte dos profissionais, Daiane deixou a pequena internada e voltou para casa. Quando retornou ao hospital no dia seguinte, em 10 de agosto de 2016, a modelo percebeu a palidez da menina e entrou em desespero. Laura foi levada para outra unidade de saúde, fez novos exames, mas não resistiu.

Depois de um ano e meio de terapia, ela consegue contar como Laura a ajudou a realizar sonhos. A gravidez aconteceu em meio a uma depressão, com a chegada da filha, no entanto, Daiane ganhou um novo impulso. Ela abriu um salão de beleza, começou a participar de eventos como maquiadora e se tornou modelo plus size de uma loja de Colombo, interior do Paraná. “Foi uma passagem, eu não podia ter filhos, ela veio e me ajudou”, afirma.

Daiane também encontrou apoio, aconselhada por um coach, no grupo do Facebook Mães de Anjos, administrado justamente por Mayara. “Somos uma família, a dor nos transformou”, conta a mãe de Laura ao afirmar ter sido acolhida como uma filha.

Além de descobrir um novo mundo, a perda foi importante para a modelo aprender a “viver um dia de cada vez”. “A dor me fez enxergar que só o fato de estar viva já é um milagre, dou mais valor às coisas simples da vida, um abraço, um sorriso”, diz. "Precisei da cura, tudo tem seu tempo, eu reaprendi a viver. No começo, tive pânico, quase desmaiava", lembra.

"Casulo"

“As horas que se seguem após receber essa notícia parecem ser uma eternidade, a sensação é que saí do meu corpo e fiquei vendo e fazendo tudo no automático”, diz a administradora Aurea Bisan, de 44 anos, ao descrever o sentimento após saber da morte da filha. Isabela, à época com um ano e oito meses, estava com virose, “indo e voltando do médico”. Em um fim de semana, passou uma noite internada e pela manhã o médico informou sobre o óbito à família.

A primeira reação da mãe foi questionar os profissionais, afinal, até então, Isabella tinha apenas uma virose. “Depois, com o tempo, você vai assimilando que não foi um pesadelo, que é real e você vai ter que aprender a viver com essa dor, com essa enorme ausência”, conta Aurea.

Sem aderir à terapia nem medicamentos, a administradora se manteve “fechada na dor” por cinco anos, até se dar conta de que também estava perto de perder a família por inteiro. Além do marido, ela tem mais duas filhas, Gabriela, de 12 anos, e Isadora, de 11 anos.

“Quando me dei conta que eu não estava construindo nada, que meu casamento estava se acabando, que minhas filhas não tinham em mim uma referência, a vida se encarregou de me dar um ‘choque’”, conta.

Com apoio do marido, a perda da filha levou Aurea para a corrida, o que a reaproximou do companheiro, de quem havia se afastado por causa da depressão. "Aprendi que na vida é possível se superar sempre, só precisamos nos dar uma chance e acreditar que é possível", afirma.

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