Eletrônico à noite prejudica sono de crianças

Pesquisa da Universidade do Colorado (EUA) revela queda de 88% na melatonina dos pequenos expostos à luz. Indicação é de que ‘ritual do sono’ comece às 18h

Por Jornal da Band

Um estudo inédito, feito na Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, mostrou que o uso de aparelhos eletrônicos à noite prejudica o sono das crianças. A luz brilhante de tablets e celulares neste período reduz em 88% a produção de melatonina, hormônio que prepara o corpo para dormir.

A melatonina é produzida na glândula pineal, à noite, no escuro. Quando a luz entra pela pupila, a produção do hormônio cai e atrapalha o descanso.

O estudo foi feito com crianças de 3 a 5 anos. Os pesquisadores mediram o nível de melatonina delas ao longo de seis dias. Nos cinco primeiros, o grupo seguiu ritual na hora de dormir para normalizar seu relógio biológico e estabelecer  um padrão no qual seus níveis do hormônio começavam a subir quase ao mesmo tempo todas as noites.

No sexto dia, a equipe do estudo foi à casa das crianças e criou um ambiente escuro, cobrindo janelas e fontes de luz no quarto delas.

Então, as crianças foram convidadas a pintar ou brincar com blocos magnéticos em uma mesa de luz que emitia uma luminosidade medida como 1.000 lux. Na sequência, tiveram amostra de saliva coletada, que mostrou queda de 88% na melatonina, cujo nível seguiu baixo ao menos 50 minutos depois da exposição à luz.

Para a neuropediatra Karina Weinmann, a falta de sono impacta, diretamente, na qualidade de vida dos pequenos: “Vem muita criança ansiosa, agitada, intolerante, ela se frustra por muito pouco e só de eu ajustar o sono, após duas ou três semanas, vem outra criança”.

Ela orienta os pais a proibir os filhos menores de 2 anos de usar telas eletrônicas. Para os maiores, a prescrição é uso dos aparelhos com essas telas por, no máximo, uma hora por dia.

A especialista reforça a importância de estabelecer um ritual do sono para os pequenos, evitando, a partir das 18h, que eles recebam muitos estímulos luminosos e sonoros. Além disso, fala da importância de uma rotina estabelecida com horários para comer, tomar banho e colocar o pijama. “A ideia é ir mostrando para o cérebro que é hora de dormir”, afirma.

Há três meses, a gerente de comunicação Renata Barros fez a filha Giovana, de 8 anos, trocar o tablet pelos livros na hora de dormir. “Ela criou esse hábito, dorme mais tranquila, dá aquela desacelerada antes de dormir que o tablet não permite. Com a historinha ela já relaxa, já está ali numa luz mais baixa”, diz Renata.

A neuropediatra também reforça a importância dos pais na mudança de hábitos: “A gente até orienta os pais a terem uma cestinha na sala, todo mundo coloca lá celular, tablet e não vai para dentro do quarto com isso, inclusive, eles, os pais”.

Foi o que aconteceu na casa de Renata. “A gente está se reeducando e se policiando também para não usar tanto e servir de exemplo para ela, porque senão nada dá certo.”

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