Jovens youtubers estão correndo riscos

Por Metro Jornal

Ainda muito jovens, os chamados influenciadores digitais conquistam visibilidade de gente grande. A educadora e consultora Andrea Ramal, no entanto, alerta para os perigos da superexposição e da falta de preparo psicológico dos jovens para lidar com as pressões que este meio de comunicação impõe.

“São muitos os pontos que causam preocupação. Primeiro, a superexposição da criança num palco sem qualquer fronteira nem controle. Além dos riscos que toda criança enfrenta na internet, os youtubers mirins ainda têm que lidar com as implicações da fama: expectativas, pressões e críticas, muitas vezes violentas e cruéis, sem estar preparadas para isso”, adverte a especialista.

De acordo com um estudo divulgado pela Folha de S.Paulo, entre os cem canais com maior audiência no YouTube brasileiro, 48 abordam conteúdo consumido por crianças de até 12 anos. Entre outubro de 2015 e setembro de 2016, os canais voltados para o público infantil conquistaram juntos mais de 50 bilhões de visualizações.

Ainda que a Doutora em Educação pela PUC-Rio concorde que existem aspectos positivos, como o fato, por exemplo, das crianças assumirem um papel protagonista desde cedo, agindo como autoras, de conteúdos, em vez de meras repetidoras, os "mini digital influencers" enfrentam muitos riscos.

“Não deixa de ser um trabalho infantil, com uma sistemática de gravações, estudo de roteiros e rotina de publicações, em troca de um retorno financeiro. Acontece que, como em qualquer trabalho, ela está vendendo o seu tempo, que poderia ser dedicado a brincar, aprender e conviver. A falta das atividades próprias da infância, associada à fama e visibilidade que adquirem, pode acabar gerando crianças mimadas, ou também isoladas do mundo, interessadas apenas no que acontece com o seu canal, e sem experiências na vida “real”. As implicações disso para a vida adulta são imprevisíveis”, afirma.

A educadora ressalta, ainda, a possibilidade de frustração. “Para cada youtuber de sucesso há milhares que não conseguem decolar. Por mais inteligente, criativa e desembaraçada que a criança seja, se quiser tentar um canal no Youtube, a família não deveria colocar sobre ela expectativas exageradas, nem tratar disso como se fosse um empreendimento familiar; e nem muito menos fazer cobranças sobre qualidade ou regularidade dos posts. Mas, se a criança criar o canal e tiver fãs e haters, como costuma acontecer, é preciso que a família monitore as interações e dê o suporte emocional e psicológico que isso pode requerer”, comenta.

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