O escândalo que derrubou as ações do Facebook em Nova York

Por Ansa e Reuters

As ações do Facebook na Nasdaq, bolsa de valores eletrônica de Nova York, acumulam queda de mais de 7% no pregão desta segunda-feira (19) por causa do escândalo envolvendo a empresa de análise de dados Cambridge Analytica, acusada de violar as informações de 50 milhões de usuários nos Estados Unidos.

Por volta de 12h45 (horário local), os papéis da maior rede social do mundo caíam 7,25%, após terem aberto o pregão já com desvalorização de 5,20%. O "caso Cambridge Analytica" estourou no fim de semana, quando os jornais "The New York Times" e "The Guardian" publicaram que a empresa violara os dados de usuários nos EUA por meio de um teste de personalidade desenvolvido por um acadêmico russo, Aleksandr Kogan.

Ao todo, cerca de 270 mil pessoas teriam feito o teste, e Kogan teria tido acesso a dados de identidade, localização e dos contatos desses usuários, totalizando 50 milhões de indivíduos. Em seguida, teria repassado essas informações para a Cambridge Analytica, o que é proibido.

A empresa foi contratada pela campanha do então candidato à Presidência Donald Trump, que hoje vê membros de seu governo e sua família suspeitos de conluio com a Rússia para beneficiá-lo nas eleições. A consultoria também teria prestado serviço a grupos pró-Brexit.

As informações coletadas pelo teste de Kogan teriam sido usadas para entender o comportamento de eleitores e tentar direcionar suas escolhas. A firma de consultoria foi suspensa pelo Facebook.

Investigação sobre uso de dados

O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, foi convocado nesta segunda-feira por parlamentares dos Estados Unidos e da Europa a explicar como uma consultoria que trabalhou para a campanha eleitoral do presidente Donald Trump obteve acesso a dados de 50 milhões de usuários do Facebook.

Autoridades nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Europa pediram investigações sobre notícias publicadas na mídia de que a empresa de análise política Cambridge Analytica teria usado dados privados de mais de 50 milhões de usuários do Facebook para apoiar a campanha presidencial de Trump em 2016.

O escrutínio representa uma nova ameaça para a reputação do Facebook, que já está sob ataque sobre o uso de ferramentas da rede social pelos russos para influenciar os eleitores norte-americanos com “notícias falsas” antes e depois das eleições dos EUA de 2016.

O Facebook já enfrentou no fim de semana pedidos de regulamentação pelo Congresso dos EUA e questionamentos sobre salvaguardas de dados pessoais após as notícias publicas pelos jornais New York Times e o londrino Observer no sábado.

“É claro que essas plataformas não podem se policiar”, afirmou a senadora norte-americana democrata Amy Klobuchar. “Elas dizem ‘confie em nós ‘. Mark Zuckerberg precisa testemunhar diante do Judiciário do Senado”, acrescentou, referindo-se a um comitê do qual faz parte.

Na segunda-feira, o senador republicano John Kennedy se juntou a Klobuchar para convidar Zuckerberg para testemunhar no Congresso e o senador democrata Ron Wyden enviou uma carta a Zuckerberg para pedir respostas sobre as políticas da empresa de compartilhamento de dados de usuários com terceiros.

“A tampa da caixa preta de práticas de dados do Facebook foi aberta, e a visão não é bonita”, disse Frank Pasquale, professor de direito da Universidade de Maryland, que escreveu sobre o uso de dados por empresas do Vale do Silício.

O Facebook geralmente envia advogados para testemunhar no Congresso, ou permite que organizações comerciais e outras empresas de tecnologia o representem diante das autoridades.

Na sexta-feira, a companhia disse que tomou conhecimento em 2015 que um professor de psicologia da Universidade de Cambridge havia mentido para a empresa e violado suas políticas, ao passar dados para a Cambridge Analytica colhidos por um aplicativo de testes psicológicos que ele havia criado.

O Facebook informou que suspendeu empresas e pesquisadores envolvidos. A companhia também disse que os dados foram mal utilizados, mas não roubados, porque os usuários deram permissão.

A Cambridge Analytica e seu presidente-executivo não estavam imediatamente disponíveis para comentar o assunto nesta segunda-feira.

Temores de maior regulamentação também pesavam em outras empresas do setor. As ações do Twitter caíam 1,6%, enquanto a Alphabet perdia 3,6% e a controladora do Snapchat, a Snap, recuava 4,1%.

“Todas as empresas tecnológicas usam dados de uma maneira ou de outra como parte de seus negócios”, disse Shawn Cruz, especialista sênior em negociação no TD Ameritrad, em Chicago. “Elas vão ser minuciosamente examinadas sobre a coleta e uso de dados.”

Um porta-voz da primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou que as alegações são “claramente muito preocupantes … É essencial que as pessoas possam ter confiança de que seus dados pessoais serão protegidos e usados de maneira apropriada”.

No domingo, o parlamentar britânico conservador Damian Collins, presidente do comitê parlamentar de Esporte, Mídia, Cultura e Digital, disse que o Facebook evitou responder perguntas diretas do comitê sobre o que sabia sobre o abuso de dados de usuários da mídia social pela empresa Cambridge Analytica.

“Alguém tem que se responsabilizar por isso. É hora de Mark Zuckerberg parar de se esconder atrás da página do Facebook”, afirmou Collins em um comunicado.

O presidente do Parlamento Europeu disse nesta segunda-feira que os legisladores da União Europeia vão investigar se ocorreu o uso indevido de dados, ao classificar as alegações de uma violação inaceitável dos direitos de privacidade dos cidadãos.

Na Alemanha, o Partido Verde também disse que pediu ao governo alemão que informe ao parlamento sobre o impacto doméstico.

Em sua carta conjunta, Kennedy e Klobuchar pediram ao presidente do Judiciário do Senado, Chuck Grassley, que convoque uma audiência para ouvir Zuckerberg e os presidentes-executivos do Google e do Twitter.

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