O amor na era digital: como encontrar o 'par perfeito' com a ajuda da internet

Por Metro Jornal

O Carnaval acabou e todo aquele clima de "ninguém é de ninguém", tão típico desses dias, também vai perdendo força. É como se, pelo resto do ano, a ideia de poder encontrar um amor fosse melhor que ter vários relacionamentos casuais. Ainda assim, a busca por uma relação séria pode não ser tão fácil assim.

Não é novidade que a tecnologia atual e suas redes sociais modificaram muito a forma como as pessoas se relacionam. Hoje, ter uma conta em sites como Facebook ou Twitter é quase um pré-requisito para a existência online. Da mesma forma, se torna cada vez mais comum a busca por sites de namoro – tanto entre homens, quanto entre mulheres.

"O amor na era digital funciona de um jeito diferente, porque ele exige mais praticidade: não é mais 'até que a morte nos separe', mas sim 'enquanto dure'. As pessoas buscam algo que agregue valor para ambos os lados", explica a psicóloga Marina Simas.

Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 84,7% da população brasileira vive em áreas urbanas. A vida corrida das grandes cidades acaba exigindo uma dinâmica maior da vida – e isso inclui conhecer outras pessoas. "É muito fácil entrar no site [de namoro] e fazer uma busca. Além disso, é como se existisse uma 'oferta' maior de pessoas, o que pode facilitar também. Como a possibilidade de busca é muito maior, o medo da solidão, de ficar sozinho, acaba diminuindo", aponta Simas.

 

 

Amor versus 'contatinhos'

É, ter várias pessoas disponíveis para flertar pode ser um atrativo e tanto, mas toda essa "oferta" por si só não garante o sucesso na jornada. Isso porque as pessoas continuam sendo diferentes umas das outras, cada uma com suas qualidades e seus defeitos próprios. Essa "facilidade", combinada à agilidade – ou impaciência – dos pares, gera uma lista infindável de "oi, tudo bem?", sem um diálogo efetivo.

Justamente por isso, o ghosting é cada vez mais comum também. "Isso acontece quando você tem uma lista predefinida, colocando várias pessoas no banco de reserva. É quase como se dissesse que elas são bacanas, mas não correspondem exatamente à expectativa: 'se não achar ninguém melhor, vai com você mesmo"", esclarece a psicóloga.

Para Simas, isso só é solucionado a partir do momento em que as pessoas param de idealizar o amor e entendem que isso não existe. A estudante Carolina Rocha concorda e ressalta que existe uma influência muito grande de filmes e novelas na hora de definir o que é  amor. "Mas, na verdade, a gente só descobre [o que é] mesmo quando sente, né?".

Segundo o radialista Murilo Rodrigues, essa fluidez nas relações permite um número de experiências maior do que seria possível tempos atrás. "Antes, se relacionar com alguém era algo mais raro. Hoje em dia se tornou mais fácil, até casual eu diria. Claro que isso não tira o valor dos relacionamentos, mas cria uma maior rotatividade", opina.

 

O super 'match'

E como saber se a pessoa do outro lado é quem você realmente procura? Simas diz que é nesse momento que aqueles que tem um bom papo se sobressaem. "Isso é supervalorizado, tanto entre homens quanto entre mulheres, porque é assim que você acaba encontrando pessoas com interesses compartilhados", diz a psicóloga.

"É pelas conversas que você percebe se os dois possuem algo em comum, se conseguem conversar sobre qualquer coisa. É meio que uma preparação para o que vai vir pessoalmente. E claro, você não coloca a atração física em primeiro lugar, e sim outras qualidades", aponta Rocha.

Ela teve um namorado que conheceu pela web e, embora não estejam mais juntos, conversaram por duas semanas no Tinder – um dos vários aplicativos de relacionamento – antes de se conhecerem pessoalmente. "Confesso que isso partiu mais de mim, já que estava insegura em me encontrar com alguém que nunca tinha visto antes. Precisei adquirir o mínimo de confiança, sabe?", conta a estudante.

Além da descoberta de afinidades, sem o contato visual presente, o nervosismo inicial acaba sendo menor. "As pessoas são menos inibidas pelas redes sociais e aplicativos de namoro. Algumas delas não são tão extrovertidas assim cara a cara, o que dificulta as interações. Os relacionamentos virtuais são interessantes por conta disso", afirma Rodrigues.

No caso dele, o primeiro encontro cara a cara foi ainda mais demorado. "Eu demorei cerca de um ano para conhecer minha namorada atual pessoalmente, depois de a ter conhecido pelo Tinder. Nosso primeiro encontro foi acidental e deu certo no final", relata. Eles seguem juntos há um ano e meio.

 

 

Azar na balada, sorte nos algoritmos

A psicóloga Simas também é consultora de relacionamentos no ParPerfeito, um dos sites desse ramo. Pode parecer bobeira, mas ela garante que, para achar alguém o mais próximo possível de quem se idealiza, preencher todos os dados solicitados ajuda muito. Isso porque os algoritmos dos aplicativos são capazes de aproximar pessoas através dessas informações.

"Quanto mais detalhista, mais fácil achar a pessoa que você idealizou. O ideal é colocar foto e preencher todos os dados. A dica é: pessoas que buscam um relacionamento sério, quanto mais uma descrição real, mais chances de resposta", garante.

 

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo