PSG de Neymar terá a chance de fazer história contra o Bayern de Munique

Final da Liga dos Campeões pode consagrar carreira do jogador brasileiro

Por Fernando Valeika de Barros, especial para o Metro Jornal

Às 16h deste domingo (23), pelo horário de Brasília, quando pisar o gramado e olhar para as arquibancadas excepcionalmente vazias do estádio da Luz, em Lisboa, o brasileiro Neymar vai encarar o maior desafio de sua carreira: passar pelo arrasador Bayern de Munique e conquistar a Liga dos Campeões, a primeira de seu clube, o PSG (Paris Saint-Germain).

Erguer a taça orelhuda tem sido uma obsessão para o PSG desde 2011, quando o clube foi arrematado pelo QSI, o fundo soberano do Qatar – riquíssimo pelas suas jazidas de gás natural. Desde a sua chegada, os árabes literalmente abriram a carteira. E com centenas de milhões de euros à sua disposição para investir, nos últimos nove anos o clube francês não economizou para montar um esquadrão.

Comprou goleadores, como o sueco Zlatan Ibrahimovic ou o uruguaio Edinson “El Matador” Cavani; estrelas badaladas, como o inglês David Beckham; jogadores consagrados, como o zagueiro Thiago Silva; jovens talentos, como Kyllian Mbappé. Mas nunca foi uma potência fora de seu país. Venceu tudo o que podia ganhar na França, mas quando chegava a hora de brigar pela taça orelhuda mais cobiçada da Europa, sempre falhou, na hora H.

Por sinal, Neymar entrou no radar do PSG durante a derrota mais traumática do clube, nesta sua incansável busca pela consagração europeia. Em março 2017, no jogo de ida das oitavas de final, o clube francês cravou uma goleada de 4 a 0, em cima do Barcelona, com Messi, Luís Suárez e Neymar e tudo. Na partida de volta, o brasileiro jogou demais e os catalães ganharam por 6 a 1, devolvendo o massacre – e com juros. Contratá-lo virou prioridade absoluta. Cinco meses depois, o maior craque brasileiro da atualidade foi vendido para o clube francês, em troca de um cheque de 222 milhões de euros. É o maior valor jamais pago na história por um jogador de futebol.

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Como se esperava, Neymar jogou muita bola no PSG. Deu dribles desconcertantes, marcou gols, ganhou jogos e faturou títulos. Também fez a festa dos paparazzi à caça das prováveis namoradas e de fofocas. Até os “Tóis”, inseparáveis amigos do craque, tiveram seus momentos de glória em reportagens. Desde que chegou ao clube francês, o brasileiro é um dos pilares do time.

Mas foi prejudicado por lesões. Em 2018, uma fratura no pé direito o impediu de jogar a partida decisiva contra o Real Madrid, pelas oitavas-de-final da Liga dos Campeões. E o PSG foi eliminado. No ano passado ficou 212 dias afastado por causa de ruptura no ligamento no tornozelo, um machucado no pé, outro no pulso. E não esteve em campo na derrota contra o Manchester United, que eliminou os franceses em pleno Parc des Princes.

Não ajudou muito o seu histórico de encrencas. Ficou famosa a sua discussão e a troca de empurrões com Cavani, quando negou que o uruguaio, que estava a um gol de consagrar-se como maior artilheiro do PSG, cobrasse um pênalti, em um jogo que estava 7×0 contra o fraco Dijon. Mesmo quando estava quieto, as confusões chegavam até ele. Como em abril de 2019, quando o PSG perdeu a Copa da França para o Rennes, nos pênaltis, ele revidou com um safanão a provocação de um torcedor, a caminho da tribuna de honra. E teve a novela de seu quase retorno ao Barcelona, no verão do ano passado. Neymar queria ir, os catalães ofereceram 80 milhões de euros, mais Philippe Coutinho. Os franceses queriam 120 milhões de euros e também Nelson Semedo ou Rakitic. E não rolou negócio.

Curiosamente, foi uma controvertida festa, em março, que selou a sua virada no clube francês. Dois dias depois de perder para o Borussia Dortmund, no jogo de ida das oitavas-de-final da Liga dos Campeões desta temporada, as imagens de Neymar e seus companheiros dançando sem camisa, em uma festa para celebrar os aniversários de Cavani, Di Maria e Icardi. Pegou mal entre os torcedores, gerou uma bronca do diretor esportivo, Leonardo. Mas, paradoxalmente, serviu para unir o elenco e motivou Neymar. Nos 134 dias em que o seu time não entrou em campo para disputar partidas oficiais, por causa da pandemia, o brasileiro treinou duro em sua casa, em Mangaratiba (RJ).

E quando o PSG ressurgiu, em Lisboa, para disputar a fase final da Liga dos Campeões, o brasileiro estava tinindo e ajudou a carregar o time adiante. Foi decisivo na heroica virada, contra o Atalanta, participando dos dois gols, feitos nos segundos finais da partida. E jogou muito contra o RB Leipzig, na semifinal. Domingo, contra o Bayern, Neymar espera ter um final inesquecível. Pode ser a sua arrancada para ser o melhor do mundo.

Neymar Manu Fernandez/Pool via Getty Images

O caminho do PSG na Liga dos Campeões 2019/20

Fase de Grupos
16 pontos, 5 vitórias, 1 empate:
3×0 e 2×2 Real Madrid (Espanha);
5×0 e 1×0 Brugge (Bélgica);
1×0 e 5×0 Galatasaray (Turquia).

Oitavas de final
1×2,2×0 Borussia Dortmund (Alemanha)

Quartas de final
2×1 Atalanta (Itália)

Semifinal
3×0 RB Leipzig (Alemanha)

Duelo da Grana

Em 2019, o campeão da Alemanha e o da França só ficaram atrás de Barcelona, Real Madrid e do Manchester United, entre os clubes de futebol mais ricos do mundo. Veja como cada um deles ganhou dinheiro ao longo do ano.

Faturamento
Bayern de Munique – €660,1 milhões vs
PSG – €635,9 milhões

Comercial 
Bayern de Munique – € 314,5 milhões
PSG – € 363,4 milhões

Dia do Jogo 
Bayern de Munique – € 92,4 milhões
PSG – € 115,9 milhões

Direitos de TV 
Bayern de Munique – € 211,2 milhões
PSG – € 156,6 milhões

Fonte: Deloitte Money League

Final da Liga dos Campeões 2019/20

PSG x Bayern de Munique

Dia: Domingo, 23 de agosto de 2020
Local: Estádio da Luz, Lisboa (Portugal)
Horário: 16h (de Brasília)
Onde assistir: TNT, Facebook, EI Plus (Esporte Interativo)

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