Liga dos Campeões: a trajetória do finalista Bayern de Munique

O caminho do time bávaro, adversário do PSG neste domingo (23), que virou rico e poderoso como poucos no mundo da bola

Por Fernando Valeika de Barros, especial para o Metro Jornal

Para o Bayern de Munique, a temporada de 2020 tem tudo para ser histórica. Depois que a bola voltou a rolar em maio, na Alemanha, o clube é só alegria. Já faturou o campeonato alemão (seu trigésimo), a Copa da Alemanha (sua vigésima) e faz um percurso arrasador na Liga dos Campeões. E pensar que muita gente duvidou que o ano pudesse ser tão bom.

É que o Bayern vive uma fase de entressafra nos últimos meses. Foram embora lendas do clube, como os atacantes Franck Ribéry e Arjen Robben. O técnico Nico Kovak foi demitido, em novembro do ano passado, depois de levar uma goleada de 5 a 1 do Eintracht Frankfurt. Um novo time foi montado, a toque de caixa, pelo novo treinador, Hans Flick, ex-assistente de Kovak e que estava na comissão técnica da Alemanha campeã mundial em 2014, no Brasil.

Sorte dele (e dos bávaros) que o Bayern manteve uma espinha-dorsal e tanto. Ficaram no clube estrelas consagradas, como o atacante polonês Robert Lewandowski, o goleiro Manuel Neuer, Thiago Alcântara e o meia Thomas Müller. O time buscou o brasileiro Philippe Coutinho e o francês Pavard, além de dar espaço para jovens, como Gnabry, Goretzka e o canadense Alphonso Davis. A receita deu muito certo e o time chega à final com uma campanha arrasadora: ganhou seus dez jogos, marcou 42 gols.

Competente dentro de campo, o Bayern é fortíssimo fora dos estádios. O clube chegou a uma receita de 750,4 milhões de euros em 2019 – ou seja, cabeça-a-cabeça com o Real Madrid, mais rico do mundo e que faturou 750,9 milhões de euros no ano passado. Parte do sucesso dos alemães veio de uma aposta arriscada: trocar o estádio Olímpico de Munique pela Allianz Arena, com 71 mil lugares, mais moderno e rentável. Permitiu ao clube renegociar em melhores condições 32 contratos de patrocínio.

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Fundação Renova - agosto 2020

Em 2019, o clube bávaro chegou a 290 mil sócios-torcedores. Entre seus acionistas há empresas, como a fabricante de artigos esportivos Adidas, a seguradora Allianz e a montadora Audi. Cada um deles tem 8,33% das ações do clube. Nos seus estatutos há uma regra que proíbe o pagamento de dividendos, mas o reinvestimento no próprio clube. E é proibido gastar mais dinheiro do que se arrecada.

Se, por causa da pandemia, não será possível chegar aos 92 milhões de euros em receitas nos dias de seus jogos, a máquina de faturamento do clube continua girando forte. Por chegar à final da Liga dos Campeões, o time já faturou 63,4 milhões de euros. Se colocar as mãos no troféu, arrecadará mais 19 milhões de euros. Este dinheiro soma-se a 211 milhões de euros com direitos de TV e 357 milhões de euros com licenciamento. Tem 4,8 milhões de seguidores no Twitter, 19,6 milhões de fãs no Instagram, 1,3 milhão de inscritos no seu canal no YouTube.

Nem sempre, porém, o Bayern nadou em dinheiro. Nos anos 1960, quem dava as cartas em Munique era o outro time da cidade, o 1860. O time só foi à primeira divisão em 1966. E estava com as finanças em estado tão precário, que a solução foi vender os medalhões e apostar em um trio de jovens promessas. Eram elas Franz Beckenbauer, o atacante Gerd Müller e o goleiro Sepp Maier. Com eles em campo, o time transformou-se na base da seleção alemã, campeã mundial, em 1974, e virou colecionador de troféus.

O pulo do gato que turbinou as finanças do Bayern veio quando Uli Hoeness, um ex-craque daquele timaço, teve que interromper a sua carreira nos campos, por causa de uma lesão no joelho, e virou o presidente do clube. Com raro tino comercial, Hoeness transformou o time em uma máquina de faturar dinheiro. De clube com faturamento de 6 milhões de euros anuais (e que devia 3,5 milhões de euros), o Bayern transformou-se em uma máquina de fazer dinheiro, que teve um lucro líquido de 52,5 milhões de euros, em 2019. E que de quebra virou um insaciável ganhador de taças. O PSG que se prepare.

Bayern de Munique Robert Lewandowski comemorando gol na semifinal da Liga dos Campeões / Franck Fife/Pool via Getty Images

O caminho do Bayern de Munique na Liga dos Campeões 2019/20

Fase de Grupos
18 pts, 6 vitórias
3×0, 6×0 Estrela Vermelha (Sérvia);
7×2, 3×0 Tottenham (Inglaterra);
3×2, 2×0 Olympiakos (Grécia).

Oitavas de final
3×0, 4×1 Chelsea (Inglaterra)

Quartas de final
8×2 Barcelona (Espanha)

Semifinal
3×0 Lyon (França)

Duelo da Grana

Em 2019, o campeão da Alemanha e o da França só ficaram atrás de Barcelona, Real Madrid e do Manchester United, entre os clubes de futebol mais ricos do mundo. Veja como cada um deles ganhou dinheiro ao longo do ano.

Faturamento
Bayern de Munique – €660,1 milhões vs
PSG – €635,9 milhões

Comercial 
Bayern de Munique – € 314,5 milhões
PSG – € 363,4 milhões

Dia do Jogo 
Bayern de Munique – € 92,4 milhões
PSG – € 115,9 milhões

Direitos de TV 
Bayern de Munique – € 211,2 milhões
PSG – € 156,6 milhões

Fonte: Deloitte Money League

Final da Liga dos Campeões 2019/20

PSG x Bayern de Munique

Dia: Domingo, 23 de agosto de 2020
Local: Estádio da Luz, Lisboa (Portugal)
Horário: 16h (de Brasília)
Onde assistir: TNT, Facebook, EI Plus (Esporte Interativo)

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