Estádio do Pacaembu faz 80 anos e recebe seu jogo mais difícil

Por Metro com BandSports e Estadão Conteúdo

Sem receber uma partida oficial desde 29 de fevereiro, o estádio Paulo Machado de Carvalho – “o meu, o seu, o nosso Pacaembu” – completa hoje 80 anos da sua inauguração em plena atividade. Sua estrutura foi transformada em hospital de campanha para ajudar no combate à pandemia do coronavírus e seu gramado, que já foi palco de inúmeras disputas histórias, agora se estende para a luta mais importante de todas: pela vida.

Foi no agora octogenário estádio, aliás, o primeiro hospital de campanha a entrar em funcionamento em São Paulo, epicentro da doença no país. A construção da estrutura de 6.300m² levou 12 dias e foi entregue em 1º de abril. Cinco dias depois, o primeiro paciente foi acolhido.

Idealizado para atender apenas pacientes de baixa e média complexidade, transferidos de outros equipamentos de saúde da capital, o hospital temporário possui 200 leitos, com oxigênio disponível para todos, além de salas de estabilização e de acolhimento dos familiares. Há estrutura para realizar diagnóstico por imagem e exames de sangue e urina. “O Pacaembu é um local onde muita gente já chorou, de tristeza ou de alegria, para o seu time de futebol. É icônico para São Paulo, um cartão-postal. E agora se reveste da maior importância de todas”, definiu o prefeito paulistano Bruno Covas.

Inaugurado dia 27 de abril de 1940 durante a 1ª gestão do presidente Getúlio Vargas, o projeto foi idealizado pela prefeito Fábio Prado e concluído pelo seu sucessor Prestes Maia. A capacidade que hoje é para exatas 37.730 pessoas, começou com público possível de 60 mil e, na época, era considerado o mais moderno da América do Sul.

Dali em diante tudo é história, com partidas e mais partidas inesquecíveis que estão na memória de um estádio que nasceu e construiu a sua trajetória como um dos símbolos da cidade. A arquitetura, com traços art déco e que incluía em seu projeto original a concha acústica – posteriormente substituída pelo tobogã –, é ainda considerada uma das mais belas dos estádios brasileiros. Com a mudança, a capacidade aumentou para 72 mil pessoas.

Além de ter se transformado em hospital de campanha, 2020 está marcado na história do Pacaembu por ter passado para as mãos da iniciativa privada. A Allegra Pacaembu assumiu a gestão pelos próximos 35 anos. Neste primeiro, foram realizados apenas três jogos: a decisão da Copa São Paulo de Futebol Junior, uma partida do Palmeiras e um clássico entre o alviverde e o Santos – justamente o último antes da paralisação.

A administradora assumiu estádio, piscina, quadras de tênis, estacionamento e ginásio. O Museu do Futebol, embaixo das arquibancadas, e a praça Charles Miller seguem sob gestão de estado e município, respectivamente. A reforma do complexo, que inclui a demolição do tobogã, está programada para 2021.

Nesse contexto, a sua utilização como hospital de campanha parece ter vindo para confirmar o conceito de patrimônio da população. “Vai passar e o Pacaembu continuará a contar a história da cidade, sendo onde todo mundo tem uma história e uma relação afetiva”, reconhece Eduardo Barella, presidente da concessionária.

A opinião é compartilhada por Muricy Ramalho, que trabalhou no estádio como jogador e técnico, além de ter frequentado as arquibancadas. “É o estádio de todo mundo. É engraçado que todas as torcidas e times gostam de jogar lá, se sentem em casa. Ele representa a cidade de São Paulo. Eu adorava”, afirmou, antes de concluir: “Para a história do Pacaembu ficar completa, só faltava essa parte social, salvar vidas. Agora não falta mais nada.”

Curiosidades do Pacaembu

• Nome.
Em tupi-guarani, Pacaembu significa “terras alagadas”. A região ficava junto a um ribeirão, cujas margens serviam de descanso para os índios.

• Estreia.
No dia seguinte à inauguração, o Palestra Itália, atual Palmeiras, e o Coritiba jogaram a primeira partida do estádio. O placar foi inaugurado por Zequinha, do Coritiba. Mas a vitória foi do Palestra, por 6 x 2

• Recorde.
Em 24 de maio 1942, 71.281 pessoas assistiram São Paulo 3 x 3 Corinthians no jogo que marcou a estreia de Leônidas da Silva pelo Tricolor. Foi o recorde de público do estádio

• Haja gol.
Em 1945 aconteceu a maior goleada no Pacaembu: São Paulo 12 x 1 Jabaquara

• Canarinho.
A primeira partida da Seleção Brasileira no estádio foi em 17 de maio de 1944, com vitória por 4 a 0 sobre o Uruguai em partida amistosa. Na Copa de 50, foi só uma partida do Brasil: 2 x 2 com a Suécia

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