Pan-Americano: “Melhor momento da minha carreira”, diz Mayra Aguiar, ouro no judô

Por Fernando Valeika de Barros, de Lima, para o Metro

A judoca Mayra Aguiar conta ao Metro Jornal como conquistou a medalha de ouro no pan de Lima e do sonho em disputar as Olimpíadas, em Tóquio.

Você já foi campeã mundial no judô, tem medalha olímpica. Qual o significado do título no Pan? 
Eu queria muito ganhar. O nível de dificuldade é menor do que em um Mundial. Mas, eu quis vir. Gosto de fazer duas competições seguidas, já fica com adrenalina. E tenho muito carinho pelo Pan, foi a minha primeira grande competição internacional, em 2007. Ganhei bronze, no Rio.

Tinha pressão pelo ouro, em Lima? 
Sou competitiva e sempre entro no tatame para ganhar. Mas entrei na competição para fazer boas lutas, dar o meu melhor. Treinei, me dediquei, saí satisfeita e, de brinde, veio a medalha de ouro. Para mim um campeão não é só aquele que vence. É aquele que cai, levanta, volta de novo, se supera e conquista. Eu queria curtir o momento e saí satisfeita de Lima.

Que tal a final contra a Kaliema Antomarchi, de Cuba?
A cubana é uma adversária fortíssima. Já tinha lutado algumas vezes contra ela. Ela é muito guerreira, muito agressiva, arrisca muito. Sai na porrada, mesmo. Cada vez que a gente se encontra no tatame, vive se estapeando (risos). Entre a gente, é uma luta muito forte, sempre. Isso me motiva.

O golpe que definiu a luta?
Foi um Pô-se-oi, um golpe que eu tinha guardado como carta na manga para esta luta. É um golpe que eu não uso muito. Deixo guardadinho para uma eventualidade. Ele já me encrencou algumas vezes. Já tomei três estrangulamentos por causa dele (risos). Mas ele surpreende os adversários. Aí eu decidi arriscar. Vi que ela estava cansada. Decidi arriscar e deu certo.

Quando a luta foi para o golden-score, você estava bem?
Hoje, eu estava sim. Normalmente, nesta prorrogação eu chego mais cansada e muitas vezes acabo perdendo. Eu gosto de ter intensidade alta, desde o começo da luta e às vezes o pulmão chega a zero, nesta fase. Mas, na final do Pan, eu estava bem. Se a luta durasse mais cinco minutos, eu daria conta, no mesmo ritmo. Eu queria muito finalizar o meu objetivo.

Você está há onze anos no topo, entre as melhores lutadoras da sua categoria e já ganhou muito. Qual a sua motivação para continuar?
Curtição. Eu gosto muito do ambiente, de estar com o pessoal, viajar, lutar judô. Eu estava me machucando muito. Tenho cinco cirurgias já. E não estava conseguindo ter um ano completo, até 2018. Este ano eu estou bem. Fiz todas as competições que estavam programadas. Estou me sentindo muito bem. Tenho muitas coisas para melhorar, mas estou evoluindo. Como falei, essa luta pela medalha de ouro em Lima poderia durar mais, que eu daria conta. Estou com a cabeça tranquila. Não penso em nada, se não em dar o melhor no momento da luta. Isso me motiva a buscar o meu melhor sempre. O próximo foco é o Mundial de Judô em Tóquio.

Já está sonhando com as Olimpíadas de Tóquio?
Com certeza. O Japão é a casa do judô, do nosso esporte. Se eu conseguir ter lutado uma Olimpíada no meu país, em 2016, no Rio, e depois ir para Tóquio, será muito louco, muito gostoso. Estou empolgada em dar o meu melhor. Como uma medalha se constrói pelo caminho, vou trabalhar para fazer o meu melhor e chegar lá. Cada luta é lucro para mim. Tive de abdicar de muita coisa na minha vida, a pressão existe. Só eu sei sobre lesões, choro, cobranças… Mas, estou forte no momento mais feliz da minha carreira. Quero curtir cada luta e sair satisfeita.

Quando você começou a lutar judô?
Com 6 anos. Eu era muito focada. Meus pais são viciados em judô. Desde criança eu era muito competitiva. Odeio perder, sou muito chata. Quando comecei a lutar, pegava os meninos e não queria perder. Mesmo, se fossem mais fortes, não queria saber. Ia para cima para vencer, sempre.


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