Pan-Americano: Marcelo Chierighini fala sobre seu primeiro ouro individual na natação

Por Fernando Valeika de Barros, de Lima, para o Metro

“Sou um cara resiliente." Campeão dos 100 metros estilo livre, Marcelo Chierighini, um craque no revezamento, conta como venceu a sua primeira medalha de ouro individual em um Pan-Americano.

Marcelo, você tem muitas medalhas de ouro no revezamento. Mas esta, conquistada em Lima, é a sua primeira individual em um Pan. Qual o significado?
Eu ganhei o bronze em Toronto. Apesar de gostar muito de competir no revezamento, uma conquista individual é muito especial. Nos últimos quatro mundiais fiquei perto do pódio. Outro motivo para eu ter ficado contente foi ter feito um bom tempo aqui. Competi com o Nathan (Adrian), campeão olímpico (em Londres, em 2012). Foi uma competição muito forte. Tinha ótimos nadadores na final. Tira um peso do meu ombro de ganhar medalhas no revezamento, mas poucas conquistas individuais. Estou aliviado de ter pego este ouro. No último Pan-Americano, em Toronto, eu fiquei com o bronze. Também fui quinto colocado três vezes seguidas nos Mundiais. É duro… E hoje venci.

Qual o gosto de vencer o Nathan?
Eu estou muito feliz e não só pela medalha. O Nathan é um cara sensacional, que eu sempre via nadando, campeão olímpico. Ele ganhou, teve um câncer, superou a doença. Quando cheguei e vi o tempo, fiquei contente por ter vencido. Mais ainda por saber que tinha ganho dele. É um cara gente boa, exemplar, que admiro muito. Ele está nadando em alto nível desde 2008. Foi mais ou menos quando eu comecei a treinar. Ele é um cara que quando entre em uma final, é para ganhar. E eu tinha de estar muito bem e motivado.

Qual foi a sua estratégia para vencer, aqui em Lima?
É uma coisa muito sutil: você tem que largar forte, mas guardar fôlego para os últimos metros. Se você errar um pouquinho, pode fazer diferença. Devagar demais, significa que pode não dar para ultrapassar o pessoal no final. Forte, pode ser sinônimo de faltar braços no final.

Isso vem com a experiência…
Sim, dos treinos, de todas as competições que já nadei. Eu sabia exatamente como executar esta prova. E controlei bem o meu lado mental. Nestas horas, a bagagem para eliminar pensamentos negativos e concentrar para tirar o melhor de dentro faz muita diferença. Entrei positivo, para vencer a prova.

Nos últimos anos, você disse que teve altos e baixos. Por quê?
Quando terminei a universidade, nos Estados Unidos, virei nadador profissional. Eu nadava os campeonatos universitários de lá, que são muito fortes. Dá bagagem e caleja para disputar competições internacionais. Fiquei sete anos lá. Comecei a voltar, aos poucos em 2017. Aí, em 2018, retornei de vez ao Brasil. Quando me formei, tive uma transição complicada, diferente.

Como assim?
Além de treinar, tinha de correr em busca de patrocínio. Eu me considero um cara resiliente. Na minha trajetória, tive altos e baixos, também. Mas, sempre achei que tinha algo a mais. Para muitos, eu sou um veterano, mas ainda estou aprendendo coisas. Não atingi o meu melhor ainda.

Esta volta ao Brasil mudou muito a sua rotina de treinamentos?
São dois estilos diferentes de preparação. Os Estados Unidos focam muito neste controle mental. Agora, no Pinheiros, treino com o Albertinho. Foi o mesmo técnico que preparou o César (Cielo) e entende muito da parte técnica. Eu me considero um cara sortudo por ter experimentado os dois, conhecer as suas virtudes e os pontos no qual um é melhor do que o outro. Saber interpretar o que um nadador precisa fazer dentro da piscina. Mas também o que fazer fora dos treinos. No último ano, amadureci muito. Não só nos treinamentos, mas também em saber como lidar com a pressão, em termos da minha técnica. Estou melhorando os meus tempos. Mas, acho que, com relação a técnica, tenho muito ainda para melhorar. Apesar de ter 28 anos, ainda tenho muito para melhorar na natação.

Como é ser amigo de César Cielo?
O Cezão é um cara sensacional.


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