Altobeli da Silva conta como venceu os 3 mil metros com obstáculos no Pan

Por Fernando Valeika de Barros, de Lima para o Metro Jornal

Que grande corrida foi essa nos 3.000 metros com obstáculos, Altobelli?

Eu estava engasgado com o ouro. Fui prata nos 5.000 metros. E essa prova é a minha principal. Aí não pensei duas vezes: tomei a decisão de pegar a ponta, começar a correr aqui na frente e tentar fazer o ritmo mais forte, para que os meus adversários não me alcançassem.

Você tinha estudado seus adversários? 

Sim. Eu os estudei. Sabia que tinha resultados melhores. E sabia que podia impor o ritmo mais forte e foi o que fiz. Eu e o meu treinador discutimos essa estratégia desde a véspera da prova. E tratei de executá-la. O plano de correr só a primeira volta junto, depois pegar a ponta e ir embora. Nos metros finais  apertei o ritmo e abri.

Impor um ritmo destes não é desconfortável?

Concordo que é um ritmo pouco confortável. Mas foi agressivo para que eu pudesse sobressair, liderar e aguentar qualquer pressão que viesse.

 Qual foi o treinamento para você conseguir colocar este plano em prática? 

Não fiz treinamento na altitude. Eu me preparei em Bragança Paulista, no Centro Nacional.de Treinamento.  Eu trabalhei em uma intensidade muito elevada, por opção. Fui bem para caramba e fiz os melhores treinos da minha vida durante este período.

Neste Pan, o Brasil conseguiu ótimos resultados nas provas de fundo. Como se explica isso?  

É uma fase boa. Acredito que as corridas comigo e o Ederson (vencedor dos 10 mil metros) repercutiram bastante. Isso prova que estamos no rumo certo.

Você pretende fazer uma preparação especial visando as Olimpíadas de Tóquio?

Sim, vou ter que me preparar na altitude para melhorar ainda mais a minha resistência. Preciso ir para o Mundial, preciso melhorar as minhas marcas… Para poder sonhar com um medalha terei de abaixar meu melhor tempo em 8 segundos, pelo menos, E isso só se consegue com muita preparação e treino. Acabado o Pan terei de me preparar muito bem para o Troféu Brasil de Atletismo, para o Mundial de Doha (no Qatar), para as competições.

Dá para pegar quenianos e etíopes, então? 

Dá sim. Eles são muito bons. Mas, não são imbatíveis.

O que representa esta medalha de ouro na sua vida?

Representa que todo o esforço que eu fiz desde que saiu da periferia de Catanduva (no interior paulista), que acreditou nele, que seguiu as orientações, fez as oportunidades acontecerem e soube aproveitá-las… Recebi muitos nãos na vida, mas hoje muita gente que fez isso irá me aplaudir.

Como é que este menino da periferia de Catanduva virou atleta? 

Minha família era humilde e eu trabalhava entregando panfletos na rua, para ajudar em casa. Um dia vi em um outdoor o anúncio de uma corrida na cidade que daria uma moto zero km. Eram 10 km. Falei com o meu patrão, ele me deixou participar. Não ganhei nada, voltei desanimado. Para mim, eu tinha sido só o trigésimo-terceiro daquela corrida. Mas, aí tive uma boa surpresa.

Qual?

No fim da corrida o Guilherme Salgado, que a partir daquele dia seria o meu primeiro treinador,  me disse que não era bem assim. Que os corredores entre 16 e 18 nos eu tinha feito um bom tempo. Ganhei 100 reais, uma caixa de leite e comecei a acreditar que poderia ser bom naquilo. Ele acreditou em mim. Dedico esta medalha do Pan a ele.


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