Pan-Americano: 'Meu nome é persistência', diz Leonardo de Deus, tricampeão nos 200 m borboleta

Por Fernando Valeika de Barros, de Lima, especial para o Metro

Um dos destaques da natação brasileira, Leonardo de Deus, tricampeão do Pan-Americano nos 200 metros borboleta, conta ao Metro Jornal a sua saga para competir em Lima.

Por que você beijou o chão do pódio, na hora em que foi receber a medalha de ouro?
Foi para extravasar a minha emoção por tudo que passei para estar nesta prova. Tive lesão, fiquei fora da seletiva … Fiquei muito tocado por esta vitória. O que é de Deus, ninguém tira.

Como você analisa os 200 m borboleta, deste Pan, em Lima?
Sabia que seria uma prova forte. Mergulhei, em Lima, com o terceiro, quarto e quinto colocados nesta prova, nas Olimpíadas do Rio, em 2016. Como viemos direto da Coreia do Sul, por casa do Mundial de Natação, mal tivemos tempo de desfazer as malas no Brasil. Mas, quando você quer vencer, passa por cima do fuso horário. Há vários Pan-Americanos e Olimpíadas e o Brasil se destaca nas piscinas, a gente treina para isso. A natação brasileira não fica atrás de nenhum país quando o assunto é estrutura e condições de treinamento. A questão é que na comparação com os Estados Unidos temos poucos atletas, pouco material humano. E isso faz diferença.

Você só está em Lima por causa do doping de um atleta, que abriu uma vaga na sua modalidade. Pulou na água sob pressão?
Diante de tudo o que aconteceu para eu chegar nesta prova, tive pressão, sim. As pessoas podem pensar que tenho 33 anos, que sou veterano, com experiência em Olimpíadas e nos Jogos Pan-Americanos. Mas, eu tinha a responsabilidade de fazer bonito. E fiz.

Sensação de dever cumprido, então?
Estou de alma lavada. Tive um ano complicado, com recuperação de uma hérnia de disco. Estou sem dor, mas isso exigiu um tratamento duro de dois meses, nos quais fiquei 21 dias sem poder nadar. Tive médicos, preparador físico, fisioterapeutas cuidando de mim. Tive uma rotina difícil, treinando de manhã e de tarde, estudando para me formar em Educação Física, à noite. Mas cumpri o meu dever. Ano que vem tem Olimpíada e eu quero mais.

Por um triz você ficou fora do Pan. Como foi isso?
Todo mundo sabe que fui contra os critérios das seletivas da Confederação. Não tenho mais o que falar. Procurei a Justiça e, afinal, a Justiça foi feita. O que eu tinha que fazer, fiz na água. O ouro está aqui no meu peito. Para mim nenhuma das três provas foi fácil. Em 2011, no Pan de Guadalajara, teve a desclassificação por causa de uma suposta irregularidade, na minha touca. Os árbitros voltaram atrás e ganhei meu primeiro título pan-americano. Em 2015, em Toronto, quase perdi a disputa. Venci por 12 centésimos de segundo, praticamente na batida. Depois o sujeito que por um triz não ganhou de mim, foi pego no doping. Este ano, nadei a seletiva brasileira lesionado e entrei na disputa aos 47 minutos do segundo tempo. E, com tudo isso, trouxe o ouro. Agora, já sonho com o tetra, daqui a quatro anos. Seria uma conquista inédita.

Aos 33 anos, você é um dos veteranos da natação brasileira. Dá para ir até Tóquio, em 2020?
Eu não vou largar o osso para a molecada (risos). Por sinal, sinto que estou no melhor da minha carreira, no auge da minha forma, com experiência… Aprendi com o (nadador) Nicholas Santos que, se quer competir em alto nível depois dos 30 anos, tem que saber como cuidar do corpo. Aprendi isso na pele. Ainda vou disputar os 200 metros costas neste Pan e ainda quero ajudar o Brasil a subir no ranking de medalhas.


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