Às vésperas do Mundial, atletas do futebol feminino lutam contra falta de patrocínio e estrutura

Por Carlos Giacomeli - Metro Campinas

Ainda pouco abraçado pelos brasileiros, o futebol feminino chega a mais um ano com a promessa de receber um olhar mais carinhoso por parte dos clubes, federações e CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Às vésperas de mais um mundial – que acontece em junho e julho na França – a busca por espaço na mídia e patrocínio ainda são um desafio na modalidade.

A dificuldade começa no berço, no início da carreira das atletas. A falta de patrocínio para a criação de categorias de base dificulta o surgimento de talentos.

Para Renata Cândida Ferreira, coordenadora do futebol feminino do São José – clube que já foi tricampeão da Libertadores feminina – é necessário um recomeço. “Vejo que a Seleção Brasileira tem que começar do zero na questão de formação. É excelente ter Cristiane, Marta, Formiga, Debinha, mas isso não é eterno. Vai acabar a safra. Temos que preparar outras. Uma preparação de longo prazo, tentar manter planejamento de cinco ou seis anos”, diz.

Hoje, o próprio Vadão, técnico da Seleção Brasileira, admite a dificuldade. O projeto de uma equipe permanente foi adotado para a Olimpíada, mas já não é mais realizado.

Ao menos nos clubes, elas têm encontrado mais opções. Com a obrigatoriedade dos clubes mais tradicionais em ter um time feminino para disputar o Brasileiro da Série A (para se enquadrar no Licenciamento de Clubes da Confederação Brasileira de Futebol), grande parte já fortaleceu o departamento, o que ampliou o leque da modalidade.

“Gostaria que fosse de uma forma diferente. Que não precisasse ser imposto. Mas como aconteceu, vejo de uma forma positiva”, avalia Renata.

O público também tem crescido no mundo todo. Há duas semanas, um jogo entre Atlético de Madrid e Barcelona, pela La Liga Iberdrola, no Wanda Metropolitana, reuniu 60.739 pagantes na Espanha. Recorde da modalidade. Para a Copa do Mundo deste ano, os ingressos já se esgotaram. Aqui no Brasil ainda não se chegou a esse patamar. Mas há lenta evolução, mesmo com horários que fogem do padrão em que o torcedor está acostumado.

“Tem aumentado o número de torcedores, mas ainda estamos longe. Uma porque é difícil a divulgação. Também depende do horário do jogo, já que não pode bater com masculino”, lembra Renata.

Para Doroteia de Souza Oliveira, técnica do time da Ponte Preta, que disputa o Brasileiro da Série A-1, o preconceito contra a modalidade também mostra desconstrução. “Desde que eu comecei, há 23 anos, melhorou muito a questão do preconceito. Mas sabemos que ainda há muito a evoluir. Mas temos recebido público. Muitas vezes acaba sendo maior do que as séries A-2 do Paulista masculino, por exemplo.”

O cenário mais favorável tem feito a procura das meninas pelos clubes aumentar. Cenário que força ainda mais os clubes a terem categorias de base para poderem revelar atletas.

“Todo dia recebo imagens de pessoas, técnicos, pedindo pra fazer testes. Esse ano mesmo montamos um time com meninas mais novas. Tem muitos talentos escondidos pelo Brasil”, diz Doroteia.

Brasileirão feminino

Brasileiro

Por mais um ano, meninas entram em campo pelos gramados do Brasil na busca pelo grande sonho. No total, 52 clubes brigam pelo título nas séries A-1 e A-2 do Brasileiro.

Entre as equipes que disputam a competição, algumas já marcaram seu nome na história, com conquistas internacionais. O São José, foi tricampeão da Libertadores e campeão mundial. Outras equipes tradicionais disputam o título: o atual campeão, Corinthians, o Flamengo e o Santos estão entre os favoritos.

Os clubes recebem R$ 15 mil na disputa da 1ª fase e uma ajuda de custo de R$ 10 mil para partidas em casa e R$ 5 mil ao visitante.

Conheça o sistema de disputa:

• Primeira fase
Todos os 16 times se enfrentam em turno único e os oito primeiros se classificam. Os quatro últimos caem para a Série A-2 do nacional
• Quartas de final
Os oito classificados se enfrentam em dois jogos em sistema de mata-mata. Os quatro melhores colocados têm o direito de decidir em casa a vaga. Classifica-se quem somar o maior número de pontos ou de saldo de gols, segundo critério. Caso continue em empate, a vaga será decidida nos pênaltis. O mesmo acontece nas semifinais e na final

Série A-2

A segunda divisão do Brasileiro também conta com equipes tradicionais: São Paulo, Palmeiras e Botafogo são algumas das equipes que disputam a competição, que começou na última quarta. Serão 36 clubes na primeira fase, com 16 classificados que, posteriormente, fazem mata-mata até a final. Na estreia, o Tricolor venceu o América-MG por 1 a 0 e o Verdão goleou o Moreninhas por 8 a 0.

Loading...
Revisa el siguiente artículo