O que os russos buscam na internet sobre estrangeiros na Copa (e por que o Brasil decepciona)?

Maior empresa de tecnologia russa e dona da principal ferramenta de busca local divulgou relatório que mostra principal tema de interesse e a pergunta mais feita sobre cada país participante do torneio.

Por Ricardo Senra - Enviado especial da BBC News Brasil a Moscou

O chefe da agência federal de turismo da Rússia anunciou na semana passada que mais de cinco milhões de turistas já visitaram as cidades sede da Copa do Mundo – e 2,9 milhões deles são estrangeiros.

Em cidades internacionais como São Petersburgo, o vaivém de não-russos foi 20% maior em comparação a junho do ano passado. Já os moradores de locais mais remotos como Saransk viram 235 vezes mais "gringos" do que no mesmo período de 2017.

A presença internacional transforma o cotidiano dos russos e, claro, gera curiosidade. Quais são as principais dúvidas dos donos da casa sobre cada uma das 31 nacionalidades que disputam a Copa do Mundo (além da Rússia)?

A Yandex – maior empresa de tecnologia do país e dona da principal ferramenta de busca usada entre os russos – divulgou um relatório que traz algumas destas respostas.

O relatório da empresa mostra, separadamente, o principal tema de interesse e a pergunta mais feita sobre cada país.

Os resultados revelam um interessante panorama sobre imagem que os torcedores deixaram sobre suas nações durante a Copa do Mundo – o que, no caso dos brasileiros, entre outros países, não significa notícias boas.

Brasil e Argentina

O principal assunto de interesse dos russos sobre o Brasil, segundo o "Google russo", foi "insulto a garota".

A pergunta mais feita também se relacionava ao tema: "Quais são os nomes dos torcedores que gritaram obscenidades?".

O resultado se refere aos vídeos que viralizaram no início dos jogos e mostravam brasileiros pedindo que mulheres russas repetissem ofensas e palavras de baixo calão – sem terem ideia do que estavam dizendo.

A repercussão do caso extrapolou o Brasil – onde os autores foram nominalmente identificados e, em alguns casos, demitidos – e gerou uma petição na Rússia pedindo punição dos autores e que já tinha mais de 85 mil assinaturas até a publicação desta reportagem.

102450473foto4-2b2864baaf1d2df26374013ddcbb4345.jpg O principal assunto de interesse dos russos sobre o Brasil, segundo o "Google russo", foi "insulto a garota". Neste vídeo, três jovens são induzidas a dizer que querem fazer sexo com o torcedor brasileiro. Elas repetem as palavras sem entender o significado delas. / BBC

Como a BBC News Brasil revelou, os termos de baixo calão repetidos pelos brasileiros no vídeo mais conhecido se tornaram título de grupos online que expõem e ofendem mulheres russas vistas com estrangeiros – eles já reúnem milhares de russos com tendências nacionalistas em uma rede social local.

Entre os 31 países analisados, o único (além do Brasil) a ser associado a casos do tipo tanto no assunto mais pesquisado quanto na pergunta mais feita pelos russos é a Argentina.

No caso dos vizinhos sul-americanos, a principal busca também se referia a termos ofensivos e a principal pergunta era "O que exatamente diziam os gritos e como os autores foram punidos?"

Outros países

A pergunta mais feita sobre os nigerianos, por sua vez, ressalta uma visão preconceituosa dos internautas russos: "Como conseguiram dinheiro para ingressos?".

Arábia Saudita, Senegal e Japão tiveram, em comum, buscas relacionadas a ações de limpeza promovidas por torcedores nos estádios.

Já a Alemanha foi lembrada graças à curiosa história de um torcedor de 70 anos que veio até a Rússia com um trator rebocando um quarto sobre rodas em formato de barril de cerveja.

Em marcha lentíssima, o idoso cruzou 2,5 mil quilômetros em 30 dias.

As principais buscas ligadas aos suecos iam atrás de mais informações sobre o episódio em que torcedores do país literalmente esgotaram o estoque de cerveja da cidade de Nizhny Novgorod após sua primeira vitória na Copa do Mundo.

102450472whatsubject-9aaa373057b116983c48734756fa608a.jpg Russos ficaram curiosos com torcedores do Japão, que usaram sacos para recolher o próprio lixo deixado nos estádios da Copa / Getty Images

Clichês também marcaram as buscas.

Os egípcios foram lembrados pelas fantasias de faraós nos estádios. O assunto mais relacionado aos australianos foram as suas fantasias de cangurus.

A pergunta mais feita sobre franceses, ingleses e poloneses foi: "Por que há tão poucos?".

Já o tema mais associado aos ingleses foi a confusão armada por dois torcedores em um trem, após a vitória da Inglaterra por 2 a 1 sobre a Tunísia.

Eles foram expulsos e acusados de embriaguez e vandalismo.

Gritos de torcidas

O relatório, que descreve as principais buscas específicas sobre cada país, faz a ressalva de que pesquisas sobre gritos de torcidas foram muito frequentes em pesquisas ligadas a 17 países.

102450471047476100-1d51d0d5a75a4143301dff78341c6529.jpg Russos quiseram entender a música da torcida argentina que cita Messi e Maradona / Getty Images

Os russos queriam entender o que diziam os ingleses quando gritavam "Eu não quero ir para o trabalho" ("I don't won't to go to work – grito tradicional dos torcedores do Newcastle), ou a música dos argentinos que cita Messi e Maradona ("Vamos Argentina, você sabe que te amo, hoje temos que ganhar e sermos primeiros… estes torcedores loucos, deixaram tudo pela Copa, a que tem Messi e Maradona").

Gritos dos torcedores brasileiros não apareceram entre os mais procurados pelos russos.

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