'Homem máquina' Cristiano Ronaldo sonha com o título para Portugal

Por Carlos Giacomeli - Metro Jornal Campinas

Como todos os esportes, o futebol tem se curvado ao profissionalismo extremo e à tecnologia de ponta. Hoje, para se destacar no cenário mundial, não basta que o atleta seja talentoso. A dedicação tem que existir 24 horas: alimentação equilibrada, treinos no limite físico, descanso em períodos estipulados e movimentos monitorados por chips durante os jogos. Mesmo assim, a busca pelo ápice do desempenho certamente ainda está longe do fim. Mas se todo esse esforço já realizado até hoje para alcançar a perfeição tivesse que resultar num protótipo de atleta completo, uma máquina que servisse de modelo de jogador ideal, o nome dele seria Cristiano Ronaldo.

O gajo é a síntese do que é ser um atleta profissional nos dias de hoje. Em campo, é uma máquina. Muitas vezes dá a impressão de ser mesmo um robô, tamanha a precisão.

Com 1,87 de altura, o atacante  de 33 anos tem ótimo cabeceio. Com os pés, as bombas de esquerda ou de direita fazem o mesmo estrago ao adversário. Tiros certeiros, com força e curvas com a marca de CR7 – aliás, um bom nome para um protótipo. Explosão, velocidade, força física, criatividade e leque variado de repertório nos dribles e na hora de deixar os companheiros na cara do gol. É sempre assim.

Tudo começou em Funchal, Portugal, no dia 5 de fevereiro de 1985. Lá nasceu o quarto filho (não programado) de uma cozinheira de uma escola primária e de um jardineiro. O nome foi escolhido em homenagem ao ex-presidente norte-americano Ronald Reagan. Mau aluno, o foco sempre foi a bola. Instrumento que pegava logo ao chegar da escola e passava o dia e a noite conhecendo melhor o que seria o objeto mais importante de sua vida.

O pai logo o levou para o Andorinha, um clube pequeno de futebol em que ele fazia bico de roupeiro. E lá o pequeno garoto começou a sua escalada e ficou dois anos (1993 a 1995).

E ele voou. Ao se transferir para o Sporting passou dificuldades por saudades da família. Não era possível voltar sempre pra casa – ao contrário da maioria dos colegas. O que amenizava o choro e a dor era uma foto dos pais que mantinha no quarto, onde ficava, sozinho. Mas em vez de lamentar, ele usou a solidão como um trunfo. Aproveitava o tempo para treinar sozinho no ginásio e até mesmo no quarto, fazendo exercícios até a calada da noite. Sempre treinou mais do que qualquer um. Muitas vezes até sem conhecimento da comissão técnica.

Com 17 anos teve a oportunidade de treinar pela primeira vez contra os profissionais. E brigou como se fosse o último prato de comida, a ponto de um dos adversários reclamar: “Vai com calma, moleque!”. Sem titubear, o gajo respondeu: “Quero ver se você vai falar assim comigo quando eu for o melhor do mundo”. Era uma promessa que virou destino e uma mostra da personalidade forte e do foco firme do português. Em 2001 veio o Manchester United e, depois, em 2009, o Real Madrid, onde virou uma estrela.

Já são cinco prêmios de melhor do mundo – igualando o feito do “alienígena” Lionel Messi. São cinco títulos da Liga dos Campeões – o último conquistado sobre o Liverpool, domingo passado. Quatro Mundiais de Clubes.

Mas isso não bastava para ele. A meta era levar Portugal a um título de expressão. Passou perto na Copa do Mundo de 2006, comandado por Felipão. A equipe foi a quarta colocada, em um período em que o melhor do mundo ainda era coadjuvante de Deco, Rui Costa e Figo.

Só que ele deixou esses ídolos para trás e foi mais longe. Em 2016, levou Portugal à conquista da Eurocopa pela primeira vez, batendo na final a favoritíssima França por 1 a 0, na casa do rival, que sediava a competição. Um passo enorme para se tornar o jogador mais importante da história de Portugal.

Craque da bola, CR7 também se especializou no marketing pessoal. Ele é o jogador de futebol mais seguido nas redes sociais em todo o mundo, com mais de 125 milhões de seguidores no Instagram. Para se ter uma ideia, Neymar tem 92,7 milhões.

Agora, em 2018, na Rússia, Cristiano Ronaldo chega em grande condição. Em 2014, no Brasil, o jogador sofreu com um problema no joelho esquerdo e não conseguiu render em campo. A equipe lusitana não passou da primeira fase. Agora, não há o que o pare.

E para ajudar, este ano ele conta com jovens reforços, que têm se destacado na Europa e podem contribuir para uma boa campanha: o atacante André Silva, do Milan, e o meia Bernardo Silva, do Manchester City são bons coadjuvantes. A seleção portuguesa está longe de ser favorita ao título da Copa. Mas com Cristiano Ronaldo em perfeitas condições, nada é impossível.   

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