'O Brasil está recuperado de 2014’, diz técnico da Suíça

Por Lais Pagoto

Enquanto no Brasil ainda há questionamentos se o vexame de 2014 foi psicologicamente superado, Vladimir Petkovic, técnico da Suíça, avalia que o 7 a 1 está enterrado no passado.

O treinador da Suíça, primeiro adversário da Seleção na Copa do Mundo, tem a oportunidade histórica de fazer a melhor campanha do país em Mundiais. Treinador do selecionado europeu desde 2014, Petkovic é uma figura incomum nesse mundo organizado pela Fifa a cada quatro anos.

Jogador de futebol de pouco destaque, o bósnio trabalhou em uma instituição de caridade entre 2003 e 2008 enquanto treinava equipes pequenas à noite. Uma década depois, a responsabilidade aumentou.

O treinador conversou com o Metro Jornal e falou sobre suas expectativas para a Copa do Mundo e o confronto do time de Tite, de quem é um profundo admirador.

Essa é a segunda vez que a Suíça disputa quatro Copas seguidas. O que tem sido feito no futebol do país?

Há esforços em diferentes áreas. A Associação de Futebol Suíça vem trabalhando muito bem na detecção de talentos e na educação desses talentos. Esses jogadores acabam interessando clubes por toda a Europa e jogam em algumas das melhores ligas do continente. Com o alto grau de experiência deles, eles agregam muita qualidade à seleção. Então, temos um espírito muito bom e um pacote geral de bons resultados.

Essa é a melhor geração da história da Suíça?

Não gosto de comparar times. Estou feliz com o que temos no momento, somos uma das 32 seleções da Copa do Mundo. Sabemos que há muito trabalho a ser feito, mas estamos trabalhando duro hoje para sermos melhores amanhã. Ainda somos um time jovem com alguns jogadores muito experientes. Isso quer dizer que temos um futuro promissor se mantivermos os pés no chão e evoluirmos dia a dia.

Se a Rússia não fosse a anfitriã, a Suíça seria uma das cabeças de chave e evitaria o confronto com o Brasil. Isso é frustrante?

De maneira alguma. É uma alegria enfrentar o maior vencedor de Copas do Mundo! Claro que somos realistas, e o Brasil não é somente o favorito do grupo, mas também um dos times que podem vencer a Copa.

Jogar a estreia contra o Brasil é bom ou ruim?

Não acho muito útil pensar nesse tipo de situação. É como tem que ser. Então é melhor prepararmos o time para as próximas partidas. Jogar contra o Brasil cedo na competição pode ser um pouco menos perigoso para nós, desde que há uma pequena chance de que o Brasil precise de um pouco de tempo para “entrar” na Copa do Mundo.

O Brasil ainda carregará o peso de 2014?

Não, isso é uma história antiga. São tantos jogadores talentosos. Muita coisa mudou desde então. O Brasil provou que estão bem recuperados da decepção de 2014.

Qual sua relação com o futebol brasileiro?

Simplesmente amo o futebol brasileiro. São muitos jogadores talentosos, um time tão bom. O que um amante do futebol pode querer mais? Eles tem um grande time e um grande técnico. O Tite vem fazendo um trabalho extraordinário.

Já conversou com o Tite?

Claro. Recentemente nos encontramos duas vezes, em dezembro no sorteio dos grupos em Moscou e em Sochi, num workshop. Tenho um imenso respeito em relação ao seu trabalho. Ele vem trabalhando muito bem, de verdade. Dê uma olhada nas estatísticas das Eliminatórias: as estatísticas dizem tudo. É sempre um prazer encontrá-lo e trocar uma palavra ou outra com ele. Ele é um cavalheiro do futebol.

O modo como o senhor prepara o seu time para jogar contra o Brasil é o mesmo que fará para os outros jogos da Copa do Mundo?

Bem, as questões básicas são as mesmas. Não pensamos muito no oponente. Queremos focar nas nossas qualidade e ter certeza que estão prontos para levar tudo para o campo. Mas o jogo contra o Brasil ainda está distante. Ainda temos outros jogos antes. Sempre consideramos o próximo jogo o mais difícil de todos.

Quando senhor dorme, o senhor sonha com a Copa do Mundo?

Não sou um grande sonhador, durmo muito bem. [risos]


QUEM É

• Nome. Vladimir Petković.
Idade. 54 anos
Nascimento: Sarajevo (Bósnia e Herzegovina)

• Como jogador.
Defendeu diversos clubes da antiga Iugoslávia e da Suíça. Foi campeão iugoslavo em 1985.

• Como técnico.
Iniciou a carreira ano de 1997. Treinou diversos clubes da Suíça. Também passou pela Turquia antes de chegar à Lazio, seu último clube antes de comandar a Seleção Suíça.
Títulos na carreira: Campeão da Copa Itália, em 2013.

• Na seleção.
Estreou em 2014. Disputou 38 partidas, com 24 vitórias, seis empates e oito derrotas. Um aproveitamento de 63%.

• Competições com a seleção.
Foi segundo colocado nas Eliminatórias da Euro 2016, atrás da Inglaterra.
Foi eliminado nas oitavas de final, perdendo nos pênaltis para a Polônia.
Terminou na segunda colocação do Grupo B, perdendo a liderança para Portugal no último jogo. Eliminou a Irlanda do Norte nos playoffs.

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