Alemanha não é a única favorita, diz capitão campeão na Copa de 1990

Por Alejandro Pino Calad - Metro Jornal Internacional
Selo Copa 2018 Arte / Metro Jornal

Quando ele não gosta de algo, Lothar Matthäus imediatamente te deixa saber. Desde os tempos de capitão da Seleção Alemã, ele é muito sério e de poucos sorrisos. E também tem uma história inspiradora. Não é a toa que se tornou o jogador com mais partidas nas Copas do Mundo, 25, acumuladas nos cinco mundiais que participou. Isso além, claro, de levantar uma taça, na Itália, na edição de 1990.

Depois de uma curta carreira como treinador, inclusive passando pelo Atlético-PR, o alemão de 56 anos hoje é o embaixador da Bundesliga [nome do campeonato do seu país] e comentarista da Fox Sports. Em entrevista exclusiva ao Metro, o craque analisa o que está por vir na Rússia 2018 e sugere: a Alemanha que abra o olho.

Por que não trabalha mais como técnico?

É um ciclo que já está fechado. Eu dirigi a Bulgária até 2011, estava no Brasil com o Atlético Paranaense e fiz uma campanha histórica com o Partizan na Sérvia. Também amei meu trabalho na Hungria. Mas é uma porta que já está fechada.

Não sonha em treinar a Alemanha?

A equipe alemã tem, há anos, o melhor técnico possível. Joachim Löw fez um excelente trabalho, não só nos levando a recuperar o título mundial, mas o que é mais importante para mim: dar uma estrutura a todas as categorias da seleção. A Alemanha tem o melhor treinador do mundo e espero que ele continue a liderar o time por muitos anos.  

Então é possível sonhar com um pentacampeonato alemão na Rússia…

A Alemanha é sempre favorita em uma Copa do Mundo, mas não é o único candidato para a Rússia no ano que vem. Estamos em uma mudança de geração muito interessante, mas a equipe não é tão forte como era em 2014. Além disso, você nunca pode tirar o Brasil da lista de candidatos e acho que a França também está em um ótimo momento.

Você acha que pode acontecer um triunfo do Brasil?

jogou de terno

Não sei, mas sei que a chegada de Tite à gestão técnica elevou o nível de um time que sempre teve grandes jogadores, mas que por vezes perde sua identidade. Quando fomos campeões mundiais em 1990, não fomos apenas uma ótima equipe, com grandes jogadores e um grande treinador, éramos uma família, um grupo de amigos com um objetivo. A seleção que reunir isso tudo que será campeã na Rússia 2018.

Além do Brasil, existe alguma ameaça latino-americana à hegemonia europeia?

Você nunca pode menosprezar a Argentina com Messi. Uruguai, Colômbia e México têm boas seleções, muito competitivas e com bons jogadores, mas eles não têm um salto de qualidade para pensar em um título mundial. Não será fácil.

Messi pode finalmente ter seu momento de glória com a Argentina?

Acho que ele é muito injustiçado na Argentina. Messi é um magnífico jogador que nas últimas partidas das Eliminatórias mostrou que tem o coração para levar sua equipe ao topo na Copa do Mundo. Seu problema é a comparação com Maradona, de longe o melhor jogador do meu tempo, mas também um herói, um jogador que foi capaz da epopeia para levar a Argentina à vitória. O que Messi precisa é de uma conquista épica com sua seleção.

Como explicar que o último título sul-americano foi em 2002, justamente com o Brasil, e que de lá para cá só europeus tenham levado a taça?

Dinheiro. Na Europa, temos isso e nós levamos seus melhores jogadores, o que é normal porque este é o negócio. No entanto, essa mudança também faz esses jogadores sul-americanos transformarem sua maneira de atuar, se tornam mais táticos e com menos improviso, e isso traz um preço quando se juntam para jogarem pelas suas seleções. No título alemão de 1990, éramos três jogadores da Inter, seis do Bayern, outros tantos do Dortmund.  Para os sul-americanos, as distâncias e os clubes são diferentes e causa um efeito diferente.

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