Heróis da Chapecoense inspiram novos papais da cidade

Por Bruno Florenzano - Portal da Band
Divulgação/Chapecoense
Heróis da Chapecoense inspiram novos papais da cidade

Silvano Scussiato tinha uma importante missão na reta final de 2016: escolher o nome de seu filho que estava prestes a nascer. Mesmo com a esposa na reta final da gravidez, ele ainda nem tinha pensado nas possibilidades. Foi quando uma tragédia virou inspiração em forma de homenagem.

Nascido em Chapecó e fanático por futebol, Silvano tomou a decisão logo no dia seguinte ao acidente aéreo com o voo da Chapecoense e resolveu homenagear o filho com o nome de dois ídolos que morreram no dia 29 de novembro do ano passado: o goleiro Danilo e o atacante Bruno Rangel. Nascia, então, Danilo Rangel.

“Eu já tenho uma menina de 2 anos e 11 meses e minha mulher que escolheu o nome dela. Quando ela engravidou de novo, ela pediu para eu escolher dessa vez. Ela já estava grávida de 6 meses e eu não tinha escolhido o nome ainda, nem tinha ideia. Na terça-feira, no dia do acidente, eu estava trabalhando fora de Chapecó. Na quarta, quando eu voltei para casa, eu disse para ela que tinha decidido”, disse em entrevista ao Portal da Band.

“O Danilo eu já tinha certeza. O Rangel eu estava na dúvida se colocava como o nome do meio. Mas na hora de registrar eu coloquei. E ele nasceu no dia 29 de janeiro, exatamente dois meses depois do acidente”, completou.

E a escolha do nome não foi difícil. Segundo Silvano, eram os dois atletas que mais tinham a cara do clube, não só dentro como fora de campo.

bebe filho Daniel Rangel Danilo Rangel completa 10 meses nesta quarta. / Arquivo Pessoal

 

“O Danilo e o Bruno Rangel eram os dois mais identificados. O Danilo não foi o maior goleiro porque teve o Nivaldo com mais história no clube, mas acho que o Danilo foi o melhor. E de atacante, o principal era o Bruno Rangel. Foi uma maneira de homenagear. Tinha outros jogadores importantes como o Cléber Santana, o Kempes. Mas outros se destacavam mais. Não só pelo futebol, mas também pelo carisma e simpatia”, destacou.

A homenagem está longe de ter sido realizada apenas na família Scussiato. Segundo informações do cartório de Registro Civil de Chapecó, após a tragédia foram registradas 14 crianças com o nome de Danilo, 3 crianças com Marcos Danilo (nome completo do goleiro), 2 crianças com Danilo Rangel, e duas crianças com Bruno Rangel.

Um dos Danilos da lista é filho de Debora dos Santos, de 21 anos. Também moradora de Chapecó e apaixonada por futebol, ela escolheu o nome do goleiro e ídolo depois de uma promessa.

“Quando aconteceu a tragédia eu estava grávida de dois meses. A gente foi no estádio, na vigília. Eu ainda não sabia se era menino ou menina. Então eu fiz a promessa que se fosse menino se chamaria Danilo porque é o maior ídolo da Chape. O Danilo levou a Chape para o auge”, disse Debora, que deu à luz no dia 10 de junho.

Debora também contou que encontrou outras homenagens em nomes de bebês nascidos após o acidente na página de Danilo no Facebook e até nas conversas no consultório médico.

“A gente acompanha a página do Danilo no Facebook, tem vários casos que a gente viu, do Bruno Rangel também. Tem bastante. Na cidade têm vários. Quando eu ia na médica fazer ultrassom, ela falava que a maioria dos piás (meninos) que iriam nascer tinham o nome dos jogadores”, brincou.

Os novos papais da cidade contam a história com orgulho e saudade dos ídolos que se foram e não têm dúvidas que os filhos vão gostar dos nomes. Debora espera que seu Danilo também siga o caminho do futebol, enquanto Silvano quer uma camisa autografada para presentear o herdeiro.

“Acho que ele vai achar muito legal. Como a gente acompanha bastante futebol, será um motivo de orgulho. Eu quero tentar que ele siga o caminho do futebol. Todo mundo achou o máximo (a escolha do nome). Todo mundo gosta da Chapecoense. Quando falei que seria Danilo foi um orgulho para a família”, disse Debora.

“Eu tenho um sonho de conseguir uma camisa autografada, mas quem tem não vende, não faz nada. Não vai ser fácil. Para quando ele crescer ele saber do motivo. Acho que ele vai gostar, todo mundo gosta. Será um motivo de orgulho”, finalizou Silvano.

A trajetória dos ídolos

O paranaense Marcos Danilo Padilha chegou à Chape em 2013 e viva o auge da carreira antes do acidente. Com mais de 100 jogos pelo clube, ele já chamava a atenção dos times grandes e havia sido decisivo na semifinal da Copa Sul-Americana, quando segurou o 0 a 0 na semifinal contra o San Lorenzo, na Arena Condá, com uma defesa espetacular no último minuto que garantiu os catarinenses na decisão.

Já o carioca Bruno Rangel Domingues rodou bastante pelo futebol até vestir a camisa da Chape em 2013. Aos 32 anos, ele foi fundamental na campanha que levou o time à Série A ao anotar 31 gols. Depois de uma rápida passagem pelo Al-Arabi, do Catar, Bruno retornou ao time que ele considerava ter tido a melhor passagem da carreira. Ele ainda é o maior artilheiro da Chape com 81 gols.

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