Árbitro narra confusão, e Ponte deve começar Série B punida

Por band.com.br
Vândalos invadiram o gramado durante o jogo da Ponte neste domingo - Eduardo Carmim/Photo Premium/Folhapress
Árbitro narra confusão, e Ponte deve começar Série B punida

A Ponte Preta, matematicamente rebaixada no último domingo após derrota para o Vitória, deve, provavelmente, começar a Série B cumprindo punição com perda de mando de campo. Isso porque o árbitro da partida, Ricardo Marques Ribeiro, fez um longo e detalhado relato sobre a confusão que impediu o término da partida no Moisés Lucarelli.

Houve arremesso de objetos na direção de assistente, invasão de campo por parte do público e confronto entre policiais e torcedores – tudo contado pelo juiz do jogo. Sem condições de dar sequência à partida, Marques decidiu encerrar o jogo aos 38 minutos do segundo tempo.

Caso a Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) mantenha a mesma atitude de outros casos semelhantes, a Ponte será denunciada e deve perder mandos de campo. Na última rodada, a Macaca enfrenta o Vasco no Rio. E dificilmente o julgamento aconteceria antes da partida, marcada para o próximo domingo. Com isso, o mais provável é que o clube cumpra uma eventual punição na Série B de 2018.

Neste caso, é possível que a Ponte seja enquadrada pelo menos no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): “Deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir”. A pena prevista é de perda de até 10 mandos e multa de até R$ 100 mil – para cada infração. As sanções podem ser combinadas, dependendo do entendimento dos auditores do STJD.

Ponte perde e cai no Brasileirão:

Sem garantias

O árbitro diz ter uma declaração por escrito do capitão da Polícia Militar Luciano A. F. Salaro, chefe do policiamento, afirmando que não havia como garantir a segurança. Marques cita também que encerrou o jogo com a concordância dos presidentes da Ponte e do Vitória.

“Aos 38 minutos do segundo tempo, quando a bola se encontrava fora de jogo, um torcedor da A. A. Ponte Preta que se encontrava nas arquibancadas invadiu o campo de jogo, se dirigindo ao centro do gramado, sendo prontamente contido pelo policiamento. Na sequência e ainda antes do reinício da partida, ocorreu uma invasão generalizada de torcedores da A. A. Ponte Preta, que derrubaram parte do alambrado (localizado atrás do assistente n. 02) arrombando e danificando ainda um dos portões de acesso ao campo de jogo. Diante de tais fatos, ambas as equipes e comissões técnicas, temendo por sua segurança, se dirigiram rapidamente para os vestiários. Relato ainda que o policiamento presente no entorno do gramado agiu com prontidão, no sentido de conter os invasores. Já a equipe de arbitragem procurou se abrigar próximo ao túnel de acesso de seu vestiário, o que possibilitou observar os fatos aqui narrados. Informo mais, que presenciamos um confronto entre torcedores da A. A. Ponte Preta, localizados nas arquibancadas, com a polícia militar, sendo necessário o uso da força e bombas de efeito moral para restabelecimento da ordem”, relatou Marques na súmula.

O árbitro ainda denunciou o arremesso de objetos contra o assistente Sidmar dos Santos Meurer em duas oportunidades, ambas tendo como origem a torcida da Ponte, mas sem atingir o bandeirinha: um chinelo, aos 14 minutos, e um copo com líquido, aos 37, todos no segundo tempo.

Marques disse ainda que, até a redação da súmula, não havia sido apresentada boletim de ocorrência sobre o episódio.

Histórico

Em 2009, o Coritiba viveu experiência semelhante ao ser rebaixado para a Série B. Na última rodada, o Coxa empatou com o Fluminense por 1 a 1, e a torcida, inconformada, invadiu o campo do Couto Pereira. O estádio foi vandalizado, em cena até pior que a vista em Campinas.

Denunciado, o Coritiba perdeu primeiro 30 mandos de campo no primeiro julgamento. O clube recorreu ao Pleno do STJD e conseguiu reduzir a pena para 10 partidas.

Neto comemora rebaixamento da Ponte: 'chupa!'

Loading...
Revisa el siguiente artículo