Champions LiGay: Rio vai sediar campeonato nacional contra preconceito no futebol

Por Metro Rio
Divulgação
Champions LiGay: Rio vai sediar campeonato nacional contra preconceito no futebol

O Rio de Janeiro será sede de um campeonato de futebol diferente no sábado. De seis Estados brasileiros, oito times formados por jogadores gays entrarão em campo numa competição em que o mais importante é combater a homofobia. É a Champions LiGay, evento organizado pela LGNF (LiGay Nacional de Futebol).

Embora o esporte seja um instrumento de integração, o futebol não é de fato um ambiente acolhedor para todo mundo. Não é comum no Brasil, por exemplo, conhecer um homem gay que tenha como hobby bater uma bolinha depois do expediente.

Mas, o paulistano André Machado sempre foi exceção à regra. Há seis anos, quando se mudou para o Rio, reuniu um grupo de 15 amigos gays para uma partida. Na semana seguinte, o número de participantes dobrou. Estava formado o Beescats Soccer Boys (o nome é uma brincadeira com a expressão “Biscates só quer boys”).

Com a popularização, André alugou dois campos em Botafogo, às sextas-feiras. Além do futebol, DJs e bebidas agitam o público, que chega a mais de 100 pessoas. “Umas 35 jogam. As outras só vão pelo bafafá”, conta.

Quem tem algum contato com o futebol sabe  quão preconceituoso é o ambiente dos estádios e quadras no Brasil e no mundo. Referências à homossexualidade sempre aparecem de forma pejorativa, de “piadinhas” a xingamentos pesados. Por isso, para André, o sucesso do time está relacionado à liberdade de poder praticar o esporte sem constrangimentos.

O projeto, que começou como uma brincadeira, agora adquire contornos mais sérios. Uma seleção de 20 jogadores do Beescats se prepara para estrear na Liga de Futebol Society do Rio de Janeiro, que reúne 150 times divididos em oito grupos. “Somos o primeiro time 100% gay a jogar a competição. Já fizemos quatro amistosos e ganhamos  três”, conta.

O time ganhou ainda um reforço fora dos campos: a treinadora Renata Lobo, que foi campeã sul-americana sub-19 pela Seleção feminina. Em agosto de 2018, a equipe embarca para Paris, na França, onde disputa o Word Gay Games, espécie de Olimpíada para a comunidade LGBT.

1a LiGay terá participação de 8 times

A 1a Champions LiGay será o primeiro campeonato brasileiro de futebol society gay. O evento será realizado no Complexo Esportivo Rio Sport Center (av. Ayrton Senna, 2.541, Barra da Tijuca), com entrada gratuita. Participam dos jogos os times Beescats e Alligaytors (RJ), Futeboys e Unicorns (SP), Bharbixas (BH), Bravus (DF), Magia (RS) e Sereyos (SC). Para encerrar com chave de ouro, os organizadores promovem uma festa, a partir das 20h, para celebrar a inclusão LGBT no mundo futebolístico, com show do grupo Candybloco, tocando os sucessos das divas pop em ritmos brasileiros.

Junto ao torneio, haverá uma praça de alimentação com foodbike e bar, pista de dança, performances musicais de uma drag queen, feira hype, sorteios e uma quadra extra (grama sintética) liberada para quem for ao evento e quiser jogar futebol.

Cada atleta pagou sua inscrição, viagem e hospedagem para participar do campeonato. Apenas homens gays podem participar do torneio, sob pena de eliminação de toda a equipe caso haja algum hétero no time. A organização faz uma verificação nas redes sociais dos inscritos em busca de referências que comprovem a sexualidade.

Segundo André, a competição surgiu a partir da necessidade do Beescats de ter adversários. Ele conta que conversou com amigos das equipes paulistas, com quem montou o torneio. “Incentivamos a criação de times inclusivos por todo o país e surgiram grupos em Florianópolis, Belo Horizonte e Brasília”, comemora.

Independentemente do resultado, podemos dizer que lutar para o esporte ser mais inclusivo já é uma grande vitória. 

‘Você pode ser quem você é’

“Você é gay e gosta de futebol?”. Essa é a pergunta, em tom de surpresa, que o representante médico Luigi Girotto, 40 anos, mais ouve dos amigos. Ele costumava praticar o esporte com o Beescats, em Botafogo.

Toda sexta-feira, o morador de Bonsucesso, na zona norte, se deslocava até a zona sul para bater uma bolinha com os colegas gays que compartilham da mesma paixão.

Com o tempo, no entanto, a rotina ficou puxada. Apesar da diversão, a distância tornou-se um obstáculo cansativo.

A solução para manter o hobby foi montar um time na zona norte. Em outubro, ele inaugurou o Allygaytors, em Madureira, o primeiro time exclusivamente formado por homossexuais do subúrbio carioca. “Já na primeira semana, 40 pessoas participaram do evento e, dessas, 17 jogaram.  Tem sido uma experiência ótima”, celebra Luigi.

A equipe verde e preta está ansiosa para estrear na Champions LiGay. “O pessoal só fala nisso. Temos feito treinos extras e estamos praticando jogadas ensaiadas”, conta.

Segundo Luigi, o lema da inclusão tem feito tanto sucesso, que o time já atrai jogadores héteros. “Começamos a campanha ‘adote um hétero’, em que cada um traz um amigo. A mensagem que queremos passar é que você pode ser quem você é”, afirma. 

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