Rio de Janeiro vai sediar a primeira Champions LiGay

Por Metro Jornal Porto Alegre
O Magia serve, há 12 anos, como uma espécie de refúgio para gays - João Mattos/Especial
Rio de Janeiro vai sediar a primeira Champions LiGay
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A Champions LiGay,o primeiro campeonato brasileiro de futebol society gay, será realizada no Rio de Janeiro e reunirá um total de oito equipes. Haverá equipes de Florianópolis, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e do Rio de Janeiro.

No Futebol Magia, que vai representar Porto Alegre, cada atleta pagou sua inscrição, viagem e hospedagem para participar do campeonato. Apenas homens gays podem participar do torneio, sob pena de eliminação de toda a equipe caso haja algum hetero no time. A organização faz uma verificação nas redes sociais dos inscritos em busca de referências que comprovem a sexualidade.

Segundo Renan, o BeesCats, anfitrião do torneio, é o time a ser batido na competição. “O BeesCats chegaram a jogar um campeonato de futebol society no Rio contra times hetero. Vai ser um grande desafio se a gente jogar contra eles, mas o mais importante não é o resultado, né?”, comentou ele, ressaltando a importância do evento como ato político e não apenas como um campeonato esportivo.

Para encarar a Champions LiGay, o Magia está se preparando há meses. Os jogadores passaram a contar com a técnica Alessandra Huff Mello, auxiliada por seu irmão Éder. Ao chegar, Alessandra conseguiu identificar algumas características da equipe. “Eu acredito que eles precisam de um pouco de treinamento físico e tático, mas principalmente se comunicar mais em campo, porque eles jogam muito quietos. Mas numa escala de 0 a 10 eles ficam entre 7 e 8”, avaliou.

Independentemente do resultado conquistado no Rio, podemos dizer que lutar para o esporte ser mais inclusivo já é uma grande vitória.

Contra o preconceito

Embora o esporte seja um instrumento de integração entre as pessoas, o futebol não é de fato um ambiente acolhedor para todo mundo. Não é comum no Brasil, por exemplo, conhecer um homem gay que tenha como hobby bater uma bolinha depois do expediente com os amigos, certo? Para mostrar que o futebol é para todos será realizada a Champions LiGay, no Rio de Janeiro, no próximo dia 25.

O time do Futebol Magia serve, há 12 anos, em Porto Alegre, como uma espécie de refúgio para gays que não se identificam ou não foram aceitos em grupos de futebol. Amantes do esporte, como a maioria dos brasileiros, os jogadores fazem muito mais do que se encontrar algumas vezes por semana para praticar seu esporte preferido. Eles reforçam o posicionamento de que a orientação sexual é só um detalhe, que não pode impedir alguém de fazer o que quiser. “Negar a um gay a possibilidade de jogar futebol é negar toda uma cultura do nosso povo para uma parcela da sociedade”, analisa Renan Evaldt, 40, coordenador do Magia.

Os atletas do Magia se reuniram para jogar devido ao preconceito que enfrentaram, desde sempre, ao jogar com heterossexuais. Quem tem algum contato com o futebol sabe o quão homofóbico é o ambiente dos estádios e quadras no Brasil e no mundo. Referências à homossexualidade sempre aparecem de forma pejorativa, de “piadinhas” a xingamentos pesados. Por isso, o jeito de jogar do Magia é diferente. Diferente não na regra do jogo em si, mas sim na postura. Os jogadores entram em campo, correm, marcam, chutam, erram e acertam, como qualquer em qualquer partida. Maicon Santos, apontado pelo companheiros como o craque do time, joga ainda com seu “time hetero”, como ele chama. O jogador conta que a única diferença que encontrou quando começou a jogar no Magia, há cerca de dois anos, foi o comportamento dos companheiros. “Lá com o time hetero todos os jogos são disputados em clima de guerra, daí o jogo fica muito violento; não aceitam se tu erras uma jogada”, comentou.

Mas para não dizer que não há discussões no Magia, Renan brincou que a escolha do uniforme não foi fácil. Decidiram pelo vermelho e azul, agradando gremistas e colorados.

Repórter em campo – Por Állisson Santiago

Quando escalado para fazer esta reportagem, fui a campo com o kit completo: gravador, bloco, caneta e chuteiras. “Vai que me convidam para jogar”, pensei. Acostumado com o futebol descrito pelos jogadores do Magia como “violento e agressivo”, tanto nas ações quanto nas palavras, confesso que em alguns momentos parecia outro esporte.

Percebi que há duas regras distintas no futebol: a regulamentar e a comportamental. No regulamento, tudo absolutamente idêntico. Já no comportamento em campo fui apresentado a um futebol mais educado, completamente diferente do futebol que conheço e pratico desde criança.

Talvez o “futebol gay” tenha mais a ensinar do que a aprender com “futebol hétero”.

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