Demitidos detonam presidente do Botafogo

Por Tercio Braga
Edílson, Emerson Sheik, Bolívar e Júlio César | Fernando Soutello/AGIF/Folhapress Edílson, Emerson Sheik, Bolívar e Júlio César | Fernando Soutello/AGIF/Folhapress

Dispensado pelo Botafogo, o atacante Emerson Sheik chamou o presidente do clube, Maurício Assumpção, de mentiroso e fez duras críticas a forma como o mandatário procedeu em sua demissão e também nos casos de Edilson, Júlio César e Bolívar, todos afastados pelo clube há duas semanas.

Em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro, tanto Sheik quanto os demais atletas disseram não entender os motivos das demissões e também negaram a suposto “liderança negativa” exercida no grupo de jogadores.

“Ele não pode fazer esse tipo de acusação, porque não tem veracidade alguma, e ele não fazia parte do dia a dia do futebol do Botafogo. Essa história de ser liderança negativa não existe. Não sei de onde tirou isso. Pelo contrário, o próprio Vágner Mancini, assim que ficou sabendo do afastamento entregou o cargo. No meu modo de entender, o treinador discorda completamente das atitudes do presidente. Nada do que o presidente tentou justificar para nos mandar embora é verdade. Não tem explicação”, disse.

Quem também recebeu críticas foi o gerente de futebol, Wilson Gottardo. O lateral Edilson disse que chegou a discutir com o dirigente pelo fato de ter que bancar remédios do próprio bolso, sem a ajuda do clube.

“Meu tratamento era do próprio bolso, e foi essa a discussão que tive com o Gottardo, que veio me dar uma dura sobre isso. Um clube como o botafogo não pode ter pessoas que deixam faltar remédio para os atletas. Isso é o fim do mundo”, afirmou o jogador, que ainda resolve pendências financeiras com o clube carioca.

“Se ele não honrar os compromissos, vou falar coisas sérias”, diz Sheik

Contratado por empréstimo junto ao Corinthians, Emerson Sheik reforçou o ponto de que não tinha os salários bancados pelo clube, mas ressaltou a ajuda concedida a outros jogadores e funcionários do clube. O atacante disse que o presidente tem direito de demitir, mas que precisa honrar os compromissos de contrato.

O jogador também aproveitou para fazer críticas a estrutura de treinamentos do clube.

“Eu não saí da folha salarial do Corinthians, fui contratado para ajudar. Joguei seis partidas com meu tendão de Aquiles doendo absurdamente, porque o Botafogo não tem um campo para treinar a nível de Série A. O presidente tem todo o direito de demitir, mas também tem uma responsabilidade que ele tem que honrar. Se por ventura ele não honrar, aí tenho coisa séria pra falar”.

Já o zagueiro Bolívar ressaltou o direito de cobrar a diretoria pelos 7 meses de salário atrasado, e também rechaçou a acusação de liderança negativo no clube. O jogador, que quase alcançou a marca de 100 jogos pela equipe, classificou os atos da diretoria como falta de consideração.

“Não vejo como uma cobrança, é um direito nosso. Quanto a essa história de liderança negativa, no ano passado fomos considerados líderes positivos na boa campanha que fizemos no Brasileirão. Neste ano, as coisas já começaram erradas. Respeito opiniões, mas acho errado pela falta de consideração. Tudo o que fizemos era pensando em todos, jogadores e funcionários. Estava feliz por chegar à marca de 100 jogos mas ele [presidente] não me deu essa oportunidade. Porque não estamos mais no Botafogo? Não temos a resposta. Levamos o clube à Libertadores após 17 anos. Mesmo com o salário atrasado, sempre nos dedicamos… seria muito simples chegar e falar que não queria contar com a gente, mas não foi isso que aconteceu”, afirmou o defensor.


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