Palmeiras comemora centenário à espera de nova casa

Por lyafichmann

palmeiras-centenárioPalmeiras é nossa sina! Tem quem acha que é chaga. Maldição. Amaldiçoa o Nonno que fez o Babbo palestrino. Pragueja contra o tio que fez o sobrinho palmeirense. É assim na fase ruim – e a atual é das piores em 100 anos do clube que foi campeão do século 20. Da época em que o Palmeiras era “ano sim, ano não, era campeão”. E não precisava dizer em que divisão. Até porque o Palmeiras um amor sem divisão. Incondicional. (Confira galeria de fotos e vídeos no final do texto)

O Palestra centenário, o Palmeiras de 72 anos, não é maior e nem menor. É o alviverde inteiro. Basta! Não precisa contar os canecos na galeria – embora ninguém tenha mais títulos no Brasil. Não precisa contar quantos passam pelas catracas nos estádios que não têm cabimento para tanta paixão.

Basta o Palmeiras numa paixão que, vez e outra, embesta e empesteia com as cornetas do apocalipse. Para o palmeirense, todo craque é um bagre. Todo Ademir da Guia é um Darinta. É de todos nós esse espírito corneteiro do palmeirense empanturrado de amendoins e títulos: se está 9 a 0, por que não 10 a 0? E se está ruim, tem de ficar pior.

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É mezzo italiano, mezzo palestrino. Não adianta explicar. Como disse meu pai Joelmir, em uma frase escrita no vestiário do Palestra: “explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… É simplesmente impossível!” Deveria parar o texto por aqui. Quem é, meus parabéns. Quem não é, nossos pêsames.

Sei que tem quem não é e que não gosta, aliás, detesta o Palmeiras. Não tolera Palestra. Não suportava Itália. E é mesmo insuportável o palmeirense quando ganha – e como venceu! – e quando perde – e como tem se perdido… Mas o intolerável para o palmeirense é um sentimento que vem crescendo à medida em que, no campo, o time se apequena: a sensação de impotência e desimportância. A raiva de cada vez mais gente ter mais dó pela marcha ré no gramado que a raiva pelos tons e cantos em todos os campos.

O Palmeiras tem inspirado mais cuidados que receios. Mais respeito que temor. Mais muitos menos do que os tantos mais de um passado que tem história. Tem glória. Tem de tudo. Tem para todos. Não tinha para ninguém. E, hoje, tem tido pouco Palestra em cada Palmeiras. Estão desmatando o verde em nossos campos.

Mas ainda há o espírito de porco, a alma de periquito. Vai ter uma nova belíssima casa. De futebol e de espetáculos. Algo que a Academia que vencia Pelé e todos os Santos sabia. Lições que o time que mais venceu no Brasil na época em que o Brasil mais venceu no mundo dava de cor. De coração. Com os pés e mãos que construíram em cem anos e o que os anos recentes e reticentes não apagam.

A chama que nos toca. A chama que acalenta um clube que nos acolhe mais que a gente que o escolhe. Chama que a gente atende. Chama que não queima, ilumina. Chama com dois nomes para chamar – Palestra Italia e Palmeiras. Nomes próprios de uma paixão incomum.

Centenária. Eterna.

Allianz Parque está quase pronto

palestra-italia-1 Allianz Parque | André Porto/Metro

O torcedor palmeirense que se deparar com o Allianz Parque terá a impressão de estar em um novo estádio e não no antigo Palestra Itália.

As diferenças são muitas. A começar pelo fato de que o gol das piscinas, aberto, estará diferente. As arquibancadas cobrem toda a extensão. E nada de sol ou chuva na cabeça: as 43.603 cadeiras são cobertas.

Ainda não há prazo para inauguração. As obras estão em fase final e os eventos teste começam em setembro.

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