"Ser humano tem muito a evoluir", diz Arouca após insultos racistas

Por george.ferreira

Alvo de insultos racistas após a goleada por 5 a 2 sobre o Mogi Mirim, na última quinta-feira, pelo Campeonato Paulista, o volante Arouca, do Santos, não quis falar muito sobre o fato na saída do gramado, mas, depois do jogo, o atleta resolveu se manifestar a respeito por meio de nota oficial. No comunicado, o camisa 5 classificou o episódio como “lamentável e inaceitável”.

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Arouca declarou que atos como os que ocorreram em Mogi “só mostram que o ser humano ainda tem muito a evoluir e crescer”. O volante também se disse muito orgulhoso de suas origens africanas, pelo fato de um de seus agressores ter dito que ele deveria “procurar alguma seleção de lá para jogar”.

“Sentir na pele o que aconteceu comigo hoje – logo depois do que fizeram com o Tinga outro dia e também do caso do juiz no Rio Grande do Sul – me deixa muito decepcionado. Acabou com a alegria pela boa atuação do nosso time, pelo belo gol que fiz, ou seja, pelo que deveria ser a essência do esporte”, completou Arouca.

Confira abaixo a íntegra da nota oficial:

“Na saída do jogo desta quinta-feira, contra o Mogi Mirim, fui alvo de insultos racistas de um torcedor do time adversário. É lamentável e inaceitável que ainda haja espaço para esse tipo de coisa hoje em dia. Isso só mostra que o ser humano ainda tem muito a evoluir e a crescer, que não estamos nem perto de um mundo que viva a harmonia entre as pessoas e todas as suas diferenças. 

Tenho muito orgulho das minhas origens africanas, que foi o que o sujeito tentou usar para me ofender, dizendo que eu deveria procurar alguma seleção de lá para jogar. Dando a entender que um negro igual a mim não serve para defender a seleção brasileira. Como se algumas das páginas mais bonitas da história da nossa seleção não tivessem sido escritas por jogadores como Leônidas, Romário e pelo Rei Pelé, também negros. Não ouvi os gritos de ‘macaco’ que alguns repórteres disseram ouvir, mas, caso tenha realmente acontecido, é ainda mais triste.  

Eu sei muito bem de onde venho e de toda a minha luta para chegar onde cheguei. Por isso, sentir na pele o que aconteceu comigo hoje – logo depois do que fizeram com o Tinga outro dia e também do caso do juiz no Rio Grande do Sul – me deixa muito decepcionado. Acabou com a alegria pela boa atuação do nosso time, pelo belo gol que fiz, ou seja, pelo que deveria ser a essência do esporte.

O futebol é um espelho da nossa realidade, e isso não se resume apenas a xingamentos racistas. Continuam matando e morrendo por torcerem por um time diferente do outro. Espero, sinceramente, que casos como esse sejam severamente punidos, pois, enquanto isso não acontecer, nada vai mudar. A impunidade e a conivência das autoridades com as pessoas que fazem esse tipo de coisa são tão graves quanto os próprios atos em si. Somente discursos e promessas não resolvem a falta de educação e de humanidade de alguns”.

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