Estrutura e comissões fazem Fifa encerrar atividade de agentes

Por Tercio Braga
Joseph Blatter, presidente da Fifa: entidade deixará de cuidar dos agentes a partir de 2015 | Harold Cunningham/Getty Images Joseph Blatter, presidente da Fifa: entidade deixará de cuidar dos agentes a partir de 2015 | Harold Cunningham/Getty Images

A profissão de agente de futebol já tem dia para acabar: 1º de fevereiro de 2015. A partir desta data, a atividade dos empresários chegará ao fim, conforme decisão da Fifa.

Segundo o advogado especialista em direito esportivo Marcos Motta, que acompanhou as discussões sobre a medida, a estrutura montada pela Fifa para tomar conta da atividade e os valores das comissões motivaram a entidade a desregulamentar a profissão.

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“Não é uma ideia nova. A Fifa vem discutindo isso há mais de cinco anos. Em 2009, no 59º congresso da Fifa, foi aprovada a ideia da desregulamentação da atividade de agentes de jogadores de futebol. É irreversível e começa a valer a partir de fevereiro de 2015. A discussão agora é como implantar para que o mercado não vire uma panaceia e se perca o controle de algo que já não é tão controlado”, disse Motta à rádio Bradesco Esportes FM Rio.

Com a decisão, noticiada primeiramente pelo jornal “Lance!”, a Fifa estabelece que as negociações devem ser feitas por intermediários, cuja contratação fica a cargo de clubes e atletas. Este profissional deve ainda atender aos critérios exigidos pela Fifa. A medida vai impactar ainda mais de seis mil agentes credenciados.

“A Fifa concluiu que mantém uma estrutura cara para cuidar da atividade de agente, e que só consegue atingir 30% das transações. Ou seja, 70% dos negócios são feitos por agentes que não são licenciados. Então viu que não vale a pena ela própria regular a atividade”, afirmou Motta. “Quando o Chelsea gasta 100 milhões de euros com comissões de agentes, a Fifa entende que esse dinheiro não está sendo reinvestido no futebol”, concluiu.

Na verdade, a Fifa já vinha, nos últimos anos, deixando a regulamentação dos empresários, transferindo para as associações a responsabilidade sobre o trabalho dos agentes.

“A nomenclatura ‘agente Fifa’ não é mais usada. Hoje seria ‘agente CBF’, por exemplo. A Fifa já não mais licencia empresários. O que ela vai fazer agora é dar um passo a frente”, afirmou o advogado.


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