Jogadores do Corinthians criticam vandalismo no CT

Por Caio Cuccino Teixeira
Torcedores invadiram o CT do Corinthians para protestar contra a má fase do time | Reginaldo Castro/Folhapress Torcedores invadiram o CT do Corinthians para protestar contra a má fase do time | Reginaldo Castro/Folhapress

Em nota oficial divulgada na tarde desta terça-feira, os jogadores do Corinthians qualificaram os invasores de marginais e se dizem dispostos a apoiar a greve proposta pelo sindicato dos atletas. No sábado, o CT do clube foi invadido por manifestantes, que protestavam contra a má fase do time. Alguns funcionários chegaram a ser agredidos durante a manifestação. (vote na enquete no fim do texto)

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O texto colocado no site do Corinthians traz ainda o reconhecimento por parte dos atletas que o desempenho em campo não está sendo dos melhores, mas que isso não justifica que eles sejam alvo de violência por parte de torcedores:

“Admitimos o nosso fracasso dentro de campo nos últimos meses e admitimos um fracasso ainda maior por termos ido a campo no último final de semana… Queremos que fique claro que nós, enquanto jogadores, não nos sentimos credores de coisa alguma. Ao contrário, nos sentimos honrados e extremamente felizes por termos conquistado tanto com a gloriosa camisa corinthiana e até nos sentimos em dívida com a Fiel, a de verdade, pelo que não conseguimos fazer nos últimos meses”, afirma os jogadores em trechos da nota.

Na segunda-feira, a torcida Gaviões da Fiel divulgou comunicado sobre a invasão ocorrida no sábado no Centro de Treinamento do Corinthians. A organizada não apoiou a violência, mas fez questão de frisar que os jogadores do Timão estão mostrando falta de comprometimento:

“Jogadores de futebol estão sendo blindados em suas profissões do mesmo modo que os políticos corruptos do nosso país. Estão sendo tratados como celebridades, mimados e idolatrados a um ponto em que o fato de não exercerem suas funções com a devida responsabilidade é encarado de forma natural”, diz trecho do longo manifesto da Gaviões.

Nesta terça-feira, em entrevista ao Bandsports, Presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo, Rinaldo Martorelli confirmou a possibilidade de paralisar o Campeonato Paulista por conta da invsão ao CT.

“Uma situação extrema tem que ser muito bem estudada. De fato, há uma chance sim. O problema é que para esta paralisação não seja decretada como ilegal, há a necessidade de uma preparação jurídica prévia, fazer tudo de acordo com a lei e estamos preparando isso. Mas na prática temos que ouvir uma negativa de um pleito nosso. E este pleito ainda não foi oficializado, porque queremos envolver o poder público nessa questão”, disse Martorelli. Veja a entrevista completa aqui.

Confira a nota divulgada na íntegra:

Os atletas profissionais do Sport Club Corinthians Paulista vêm a público se manifestar a respeito dos fatos lamentáveis ocorridos na manhã de sábado, 1 de fevereiro, no CT Joaquim Grava, onde a equipe realiza seus treinamentos.

Estamos fartos com a irracionalidade e com os atos de violência impunes que envolvem inúmeras situações ligadas ao futebol. As cenas grotescas vividas neste último sábado por nós jogadores e por todos os funcionários do SCCP determinam que uma tragédia sem precedentes está prestes a ocorrer no ambiente de trabalho de qualquer clube de futebol profissional no país e nós não seremos coniventes com isso. É preciso dar um basta e unir uma força tarefa capaz de oferecer segurança aos profissionais e aos torcedores de bem.

Sabemos que esta não é a primeira, mas deveria ser a última vez que marginais ligados às torcidas organizadas invadam propriedade privada, agridam jogadores e funcionários do clube e os ameacem com armas. Sabemos também que estes mesmos marginais, infiltrados nas torcidas de todo o país, provocaram mais de 90 % das brigas nos estádios nos últimos anos, causaram mortes e afastaram o público e suas famílias dos campos de futebol.

Assim como há uma maioria de jogadores dedicados e profissionais, há também, como em qualquer profissão, jogadores menos responsáveis e menos comprometidos. Nos momentos de derrota e nas fases difíceis, os torcedores revoltados se sentem no direito de nivelar por baixo e tratar todos os atletas da mesma forma. Mas quando, em momentos de crise e de violência, as torcidas organizadas, compostas por pessoas boas e pessoas ruins, sofrem esse mesmo preconceito e são tratadas como um todo, se revoltam com a injustiça.

Admitimos o nosso fracasso dentro de campo nos últimos meses e admitimos um fracasso ainda maior por termos ido a campo no último final de semana quando, na verdade, poderíamos ter dado um basta a essa situação e chamado a atenção de todo o país, das autoridades, dos clubes e dos organizadores dos campeonatos para uma tragédia que há de acontecer se nada for feito para estancar a violência em todos os níveis do futebol.

Fracassamos por causa dos riscos contratuais do clube com os patrocinadores, com a Federação Paulista de Futebol, com a Rede Globo de Televisão e em respeito à verdadeira torcida corinthiana. Se isso não demonstrar o comprometimento deste grupo de atletas com o SCCP, não há mais nada a dizer.

Queremos que fique claro que nós, enquanto jogadores, não nos sentimos credores de coisa alguma. Ao contrário, nos sentimos honrados e extremamente felizes por termos conquistado tanto com a gloriosa camisa corinthiana e até nos sentimos em dívida com a Fiel, a de verdade, pelo que não conseguimos fazer nos últimos meses.

Mas nós, jogadores do Corinthians, reivindicamos que haja segurança para que possamos trabalhar em paz em busca de novas vitórias. Ninguém mais do que nós sente o desgosto da derrota. E é por isso que exigimos que nos deem condições para a volta por cima que buscamos.

Afirmamos que as vitórias do futuro próximo só virão se todos jogarmos juntos, com a mesma receita das vitórias do passado recente.

Finalmente, não admitiremos mais nenhum desrespeito ao nosso compromisso de profissionais dedicados e honestos com o clube e sua enorme massa torcedora. A nossa vida e a nossa segurança valem mais do que qualquer contrato ou interesse político/financeiro/particular de terceiros. Nós tornamos público o nosso apoio à iminente paralisação proposta pelo sindicato dos atletas profissionais do Estado de São Paulo para o fim de semana, visando melhorias nas condições de trabalho para os empregados de todos os clubes de futebol do país.

Estamos à disposição das autoridades e dos órgãos públicos para identificar e colaborar com a punição dos responsáveis por essa barbárie e pela criação de medidas que evitem o risco de novas ações violentas.

Atenciosamente,

Grupo de atletas profissionais do SCCP

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