Com problemas, Vettel abandona segundo dia de treinos da F-1

Por Tercio Braga
Rémi Taffin é cercado pelos repórteres em Jerez para tentar explicar os problemas das unidades motrizes da Renault | Cristiani Apolonio/Metro Rémi Taffin é cercado pelos repórteres em Jerez para tentar explicar os problemas das unidades motrizes da Renault | Cristiani Apolonio/Metro

Esqueça pilotos talentosos, como o tetracampeão Sebastian Vettel. A estrela desta quarta-feira no mundo da F-1 foi um engenheiro, o francês Rémi Taffin, responsável pelas atividades de pista da Renault Sport, que fornece os motores para a equipe dos carros azuis e para sua coligada, a Toro Rosso, entre outras equipes. Depois de dois dias em que a Red Bull de Vettel mal deu onze voltas em dois dias de testes de pré-temporada da Fórmula 1, em 2014, na pista de Jerez de la Frontera (contra 174 realizadas em 2013, no mesmo período de testes), coube a Raffin fazer a mais concorrida entrevista do dia no autódromo espanhol.

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“Quando chegou a hora de os carros para quem fornecemos os motores acelerarem, descobrimos um problema de integração entre eles e a bateria”, explicou ele ao METRO ao mesmo tempo em que Vettel voava para a sua casa na Suíça, sem esconder a sua frustração por não conseguir iniciar a avaliação da sua máquina para este ano. “Claro que perdemos quilometragem, que seria útil para as equipes que usam os nossos motores. Mas, o importante é que já sabemos de onde veio o defeito e como resolvê-lo”, completou o engenheiro. Segundo ele, durante testes feitos em laboratório, nada de anormal tinha sido detectado no funcionamento das peças.

O inesperado problema com os novos motores da Red Bull, Toro Rosso e Caterham mostra a que ponto a temporada da F-1 em 2014 será complexa. Pela primeira vez, em 54 anos da categoria os carros serão híbridos: saem os V8 a gasolina, com, aproximadamente, 760 cavalos, que rodavam até o ano passado, entram os V6 com turbo e injeção direta, com cerca de 600 cavalos, e um sistema que acumulará energia recuperada nas freadas e reaproveitará gases escaldantes, antes jogados para fora nos escapamentos, para obter mais energia. O objetivo será obter algo como 160 cavalos extras, durante 33 segundos.

Vettel só correu mesmo fora da pista, para pegar o voo para a Suíça | Marcelo del Pozo/Reuters Vettel só correu mesmo fora da pista, para pegar o voo para a Suíça | Marcelo del Pozo/Reuters

Para apimentar as disputas, também houve mexidas na aerodinâmica. Só que esta lógica – que deu certo no mundo dos simuladores e dos túneis de vento, não é tão simples assim para funcionar na prática. Assim, durante os primeiros dois dias de teste, muitos pilotos ficaram mais tempo nos boxes, fazendo ajustes em suas máquinas, do que acelerando na pista.

“Com a entrada de tantos novos sistemas, ao mesmo tempo, os novos carros da F-1 ficaram complicadíssimos: são novos motores elétricos, aerodinâmica e potência diferentes, um terço a menos de menos combustível nos tanques e tudo isso precisará de algum tempo para ser bem entendido”, explicou ao METRO projetista inglês Adrian Newey, o homem que fez das máquinas da Red Bull os carros mais rápidos nas pistas dos últimos quatro anos.

Segundo ele, com baterias a bordo, menor quantidade de gasolina nos tanques e um regulamento mais rígido a soluções aerodinâmicas, que faziam com que os carros da F-1 grudassem melhor no asfalto, o primeiro desafio será colocar as máquinas para funcionar na pista, com o máximo de confiabilidade. E, quando isso, enfim, acontecer, já se sabe que os pilotos terão de desenvolver um novo estilo de guiar.

O fato é que até o próximo dia 14 de março, quando os motores da categoria mais rápida do automobilismo voltarem a rugir, para os primeiros treinos livres para o GP da Austrália, pelas ruas da australiana Melbourne, para a primeira corrida da temporada 2014, pilotos e engenheiros terão dez dias de testes para entender os efeitos causadas pelo mais drástico pacote de mudanças de regras na categoria, em todos os tempos. Como se viu com o incidente com a Red Bull de Vettel, o tempo para encontrar uma solução é urgente. Nesta quarta-feira será a vez do brasileiro Felipe Massa entrar na pista para experimentar, pela primeira vez, seu novo carro, na equipe Williams.

Button estreou nos treinos em 2014 com o melhor tempo do dia | Mark Thompson/Getty Images Button estreou nos treinos em 2014 com o melhor tempo do dia | Mark Thompson/Getty Images

Button estreia com melhor tempo

Alheio aos problemas da Renault, o inglês Jenson Button, que compete com unidades Mercedes em sua McLaren, fez o melhor tempo do dia. Ele, que não treino na terça-feira, foi seguido pelos finlandeses Kimi Raikkonen, da Ferrari, e Valtteri Bottas, da Williams, que também usa propulsores alemães neste ano.

Confira os melhores tempos da atividade desta quarta-feira:

1 – Jenson Button (McLaren) – 1min24s165, 43 voltas
2 – Kimi Raikkonen (Ferrari) – 1min24s812, 47 voltas
3 – Valtteri Bottas (Williams) – 1min25s344, 35 voltas
4 – Nico Rosberg (Mercedes) – 1min25s588, 97 voltas
5 – Sergio Perez (Force India) – 1min28s376, 37 voltas
6 – Esteban Gutierrez (Sauber) – 1min33s270, 53 voltas
7 – Marcus Ericsson (Caterham) – 1min37s975, 11 voltas
8 – Sebastian Vettel (Red Bull) – 1min38s320, 8 voltas

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