Muitos problemas e poucas voltas nos primeiros testes da Fórmula 1

Por Tercio Braga
Raikkonen liderou o primeiro teste de 2014 | Marcelo del Pozo/Reuters Raikkonen liderou o primeiro teste de 2014 | Marcelo del Pozo/Reuters

Os primeiros testes de pré-temporada da Fórmula 1, em 2014, na pista de Jerez de la Frontera, na Espanha, mostraram a que ponto esta temporada será complexa. Pela primeira vez na história, os carros da categoria serão híbridos: em substituição aos V8 a gasolina, com, aproximadamente, 760 cavalos, que rodavam até o ano passado, as máquinas terão V6 com turbo e injeção direta, com cerca de 600 cavalos, e um sistema que acumulará energia recuperada nas freadas e reaproveitará gases escaldantes, antes jogados para fora nos escapamentos, para obter mais energia. O objetivo será obter algo como 160 cavalos extras, durante 33 segundos.

Só que esta lógica não é tão simples de funcionar na prática. Assim, no final da terça-feira, apenas três pilotos, o finlandês, Kimi Raikkonen, agora na Ferrari, o inglês Lewis Hamilton, da Mercedes, e o francês Jean-Éric Vergne, da Toro Rosso, foram capazes de completar mais do que quinze voltas na pista. E, mesmo assim, não foi grande coisa. Raikkonen cravou 33 voltas, uma ninharia se comparado aos testes antes da temporada do ano passado na pista espanhola. Hamilton deu 18 voltas e Vergne, completou 15. A complexidade dos novos bólidos ficou tão grande que, mesmo nas mãos competentes do atual tetracampeão da categoria, o alemão Sebastian Vettel, os carros azuis da Red Bull não conseguiu fazer mais do que quatro voltas, com seu carro envolvido em problemas de montagem.

‘Mago’ Adrian Newey confirma: carros ficaram mais complicados para acertar | Andrew Hone/Getty Images

“Com a entrada de novos sistemas, os novos carros da F-1 ficaram complicadíssimos, com novos motores e sistemas, uma aerodinâmica diferente, um terço a menos de menos combustível nos tanques e tudo isso precisará de algum tempo para ser bem entendido”, explicou para o METRO o projetista inglês Adrian Newey, o homem que fez das máquinas da Red Bull os melhores carros dos últimos quatro anos. Segundo ele, com baterias a bordo, menor quantidade de gasolina nos tanques e um regulamento mais rígido a soluções aerodinâmicas, que faziam com que os carros tivessem mais aderência, o primeiro desafio será colocar as máquinas para funcionar na pista, com um mínimo de confiabilidade. E, quando isso, enfim, acontecer, já se sabe que os pilotos terão de desenvolver um novo estilo de guiar para lidar com carros tão diferentes.

Vettel ficou a maior parte do tempo na garagem e deu apenas três voltas | Ker Robertson/Getty Images Vettel ficou a maior parte do tempo na garagem e deu apenas três voltas | Ker Robertson/Getty Images

“Nos simuladores já deu para ver que a perda de aderência nas rodas traseiras, deixou os carros mais difíceis de serem pilotados, diz o australiano Daniel Ricciardo, novo piloto da escuderia. Até que engenheiros e pilotos encontrem soluções para se adaptarem às mudanças, a previsão é de voltas entre 3 e 5 segundos mais lentas na comparação do que se podia obter até 2013, segundo os engenheiros das escuderias consultados em Jerez. “Só depois de três ou quatro corridas será possível conferir quem se deu melhor com as mudanças para este ano”, disse ao METRO o tetracampeão mundial, o alemão Sebastian Vettel. “O fato é que eu e os outros pilotos teremos de mudar nosso estilo de dirigir: com o pé cravado no acelerador, como fazíamos antes, não será possível terminar uma corrida, sob risco de falta de combustível no tanque ou por causa de uma quebra mecânica”. Sobre o barulho do novo motor V6 turbo, o tetracampeão foi categórico. “Eu preferia muito mais ouvir o som dos motores V10 atrás do meu cockpit”.

Melhor tempo de manhã, Hamilton teve problemas de tarde a bateu no fim da reta por causa de um problema no carro | Mark Thompson/Getty Images Melhor tempo de manhã, Hamilton teve problemas de tarde a bateu no fim da reta por causa de um problema no carro | Mark Thompson/Getty Images

O fato é que até o próximo dia 14 de março, quando os motores da categoria mais rápida do automobilismo voltarem a rugir, para os primeiros treinos livres para o GP da Austrália, pelas ruas da australiana Melbourne, para a primeira corrida da temporada 2014, pilotos e engenheiros terão menos de duas semanas de testes para entender os efeitos causadas pelo mais drástico pacote de mudanças de regras na categoria, em todos os tempos. Esta semana haverá mais três dias em Jerez, na Espanha, em fevereiro mais oito dias de pista em Bahrein. Nesta quarta-feira, será a vez do brasileiro Felipe Massa, que este ano guiará pela Williams, experimentar, pela primeira vez, as astúcias desta nova F-1. E ver se, como um dos mais experientes pilotos do grid, conseguirá se dar melhor do que os outros, quando as corridas começarem para valer.

FOTOS – Os carros de 2014
McLaren
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