Médico diz que fratura de Anderson Silva quase foi exposta

Por Carolina Santos
Anderson Silva sofreu uma grave fratura e perdeu a luta por nocaute técnico no segundo round / Jayne Kami / Reuters Anderson Silva sofreu uma grave fratura e perdeu a luta por nocaute técnico no segundo round / Jayne Kami / Reuters

O UFC 168 teve um desfecho que ninguém poderia sequer imaginar – e muito menos desejar. A fratura de Anderson Silva é, sem dúvida, um dos momentos mais chocantes de todo o esporte nos últimos anos. Porém, a lesão não necessariamente significará o término da carreira do “Spider”.

 

Para o Dr. Wagner Castropil, ortopedista do Instituto Vita, membro titular daSociedade Brasileira de Medicina do Esporte e ex-judoca olímpico, a contusão em si não impedirá que Anderson Silva retorne ao octógono. Segundo ele, a maior preocupação é o fator psicológico.

 

– A lesão não vai impedir que o Anderson volte a treinar e até a competir. Ele é um atleta bem condicionado, atlético, e seis meses é um bom prazo. O que mais preocupa é a questão psicológica. Às vezes até com a fratura consolidada, a última coisa de que o atleta consegue se livrar é a insegurança, e isso precisa ser treinado, afirmou Castropil em entrevista exclusiva ao Bandsports.

 

O chute baixo, característica do Muay Thai, é uma das grandes armas do “Spider”. Porém, Anderson teve a infelicidade de acertar a patela de Weidman, um dos ossos mais rígidos do corpo humano. Para Castropil, isso foi um fator determinante para a lesão, e o ex-campeão dos médios ficou à beira de uma fratura exposta.

 

– Ele teve um azar acertar o chute em uma área bastante forte e teve um trauma direto contra a patela do adversário. Essa é uma fratura que quase sempre é exposta. Se o chute pegasse em outra área, provavelmente não teria quebrado. Não foi um erro técnico e também não se pode dizer que foi intencional do Weidman. Foi tudo muito rápido, disse o médico, especialista em traumatologia.

 

Ainda segundo o doutor, a haste intramedular que foi inserida deve facilitar a movimentação da perna durante a recuperação, mas não existe a necessidade de retirá-la.

 

-Hoje em dia, o tratamento preferencial para fraturas tanto na tíbia quanto no fêmur é com esse tipo de haste. Ele pode ficar com ela pra sempre, não necessariamente precisará retirar. A haste permite que ele rapidamente comece a pisar no chão e proporcione uma rápida recuperação, completou Castropil. Segundo ele, o aparato não impede que o “Spider” volte a lutar, embora possa incomodar em algumas situações. No entanto, a retirada da haste é um processo muito mais simples do que sua colocação.

 

O retorno de Anderson Silva ao octógono ainda é uma incógnita, e só o tempo dirá se o ex-campeão voltará a fazer o que mais gosta. Como ex-atleta, Castropil destaca que a motivação do Spider será determinante para o retorno do brasileiro.

 

Se, por um lado, ele já conquistou tudo no esporte, e já afirmou que não precisa provar nada pra ninguém, sinalizando inclusive a proximidade do fim da carreira, por outro, Anderson certamente não deseja por fim a carreira saindo do octógono em uma maca. E, por tudo que ele já fez pelo MMA, o simples retorno à luta valeria muito mais que o próprio cinturão. Os espectadores do esporte com certeza torcerão pra que isso aconteça.

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