Helinho diz que título da Fórmula Indy escapou em Houston

Por Tercio Braga
Castronves teve dois resultados ruins em Huston, longe das primeira posições nas duas corridas | Divulgação Castronves teve dois resultados ruins em Huston, longe das primeira posições nas duas corridas | Divulgação

Três vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, Helio Castroneves fez em 2013, uma campanha na Fórmula Indy digna de título. Com uma regularidade surpreendente, venceu no Texas, liderou grande parte do campeonato e abriu 49 pontos de vantagem sobre o então vice-líder, Scott Dixon, quando faltavam apenas três provas para o fim da temporada.

Na última rodada dupla da temporada, disputada em Houston (EUA), Helinho enfrentou problemas de câmbio e viu sua vantagem se transformar em uma desvantagem de 25 pontos. A decisão do campeonato ficou para a etapa final, em Fontana (EUA), mas o título foi para Dixon, agora tricampeão da categoria.

Em entrevista exclusiva ao Portal da Band, Helinho conta como classifica a troca de comando da categoria que aconteceu no início da temporada. “São filosofias diferentes de trabalho, ambas merecedoras de respeito. O objetivo sempre foi um só, o sucesso da Indy”.

Helinho também diz o que espera para a etapa do misto de Indianápolis. “Um dos méritos da IndyCar é tentar coisas novas. Por que não tentar?”.

O brasileiro também diz qual deverá ser o cenário na Indy com a volta de Montoya. “A categoria, que já é forte, ficará melhor ainda”.

Leia entrevista completa:

Portal da Band: Em 2013, o comando da Indy saiu das mãos de Randy Bernard e passou para Mark Miles. O que você acha que esta mudança representou pra a categoria?

Helio Castroneves: São filosofias diferentes de trabalho, ambas merecedoras de respeito. Tanto para o Randy, no tempo dele, quanto para o Mark agora, o objetivo sempre foi um só, o sucesso da Indy. Eu discordei de algumas coisas da época do Randy, mas ele conquistou o meu respeito com a postura de liderança e responsabilidade que assumiu naquela corrida de Vegas, quando o Dan Wheldon morreu. O Mark tem um projeto bastante forte de expandir as fronteiras da categoria e capitalização dos times. De qualquer maneira, mudanças estruturais levam tempo.

Você está desde 1998 na Fórmula Indy. Podemos dizer que esta foi uma das temporadas mais difíceis para você?

Sim, sem dúvida, se não foi a mais difícil, certamente está no grupo das principais. Foi marcada por muita dedicação, compromisso de todos com o objetivo e de muita consistência.

A temporada 2013 da Indy ficou marcada, entre outras coisas, pelo grande número de pilotos que venceram pela primeira vez na categoria (James Hinchcliffe, Takuma Sato, Simon Pagenaud e Charlie Kimball). A Indy está ficando cada vez mais equilibrada e disputada?

Positivo. O equilíbrio da categoria começa no regulamento e o trabalho das equipes permite que alguns dos grandes pilotos, dentre eles esses que você citou,  tenham chances de vencer e, de fato, venceram. Isso é sensacional e prova que a categoria tem equilíbrio e competitividade.

Nas últimas três etapas você passou de líder absoluto à condição de vice-líder que tinha que correr atrás do prejuízo. Como você encarou esta mudança de cenário?

Pra começar, o que aconteceu em Houston foi uma loucura. Quem iria pensar que numa rodada dupla, onde até a conquista antecipada do título era uma possibilidade real, pudessem acontecer duas quebras de câmbio consecutivas? Não tem como explicar, mas são coisas que acontecem. Paciência. O Scott aproveitou muito bem aquela rodada dupla e conseguiu marcar 94 pontos numa etapa em que estavam em jogo 108 pontos. E o Castroneves aqui, em compensação, só conseguiu marcar 20. Daí deu no que deu, né? Mas é aquela história, são coisas de corrida e vamos em frente.

Você figurou como líder do campeonato durante grande parte da temporada, mas no fim não levou o título. O que você considera que foi determinante para que isso tenha acontecido?

Sem dúvida, os acontecimentos de Houston. O campeonato, infelizmente, escapou das nossas mãos ali.

Falando das novidades para 2014, a principal delas é a realização da corrida no misto de Indianápolis. Alguns torceram o nariz e outros apoiaram. Qual a sua opinião?

Um dos méritos da IndyCar é tentar coisas novas. Por que não tentar? Eu sou favorável a buscar soluções novas. Fica difícil analisar só no papel, sem experimentar. Acho muito válido.

Em 2014, a Ganassi receberá o reforço de Tony Kanaan e a Penske terá Juan Pablo Montoya. Você acredita que com a chegada de TK e Montoya, a disputa entre Penske e Ganassi aumentará?

Tenho certeza que os dois times estarão mais fortes ainda e o nível de competitividade da categoria, que já é forte, ficará melhor ainda.

Alguns pilotos de outras categorias como Nascar e ex-pilotos da Fórmula 1 demonstraram interesse em migrar para a Indy. Você acredita que isso seja reflexo do crescimento da Indy?

Nenhum grande piloto, principalmente das categorias Top que você citou, almejaria a Indy se a categoria não fosse boa. Pode melhorar? Claro e todos nós trabalhamos e torcemos por isso, mas o trabalho de todo mundo fez que ela atingisse esse nível a ponto de atrair outros grandes pilotos.

O Brasil corre sério risco de não ter nenhum representante na Fórmula 1. Você acredita que isso ajudará a aumentar a visibilidade da Indy no Brasil, já que teremos Helinho e Tony em equipes de ponta?

Honestamente, acredito que o Felipe Massa fique. Mas, mesmo que ocorra essa hipótese que você levantou, acho que uma coisa independe da outra. A Indy conquistou a visibilidade que tem por méritos próprios, nada a ver com altos e baixos de outras categorias.

Este ano você chegou bem perto de conquistar o título da Indy. Podemos dizer que quando conquistá-lo, o seu álbum de figurinhas da Indy estará completo?

A vida da gente é feita de desafios. Tenho certeza que, depois da conquista do título, outros espaços em branco estarão existindo no álbum em função dos novos desafios futuros.

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