Rafaela Silva fatura ouro no Mundial de Judô e faz história

Por Carolina Santos
Rafaela Silva celebra a vitória | Sergio Moraes/Reuters Rafaela Silva celebra a vitória | Sergio Moraes/Reuters

Enfim, com dois anos de atraso, o Brasil tem sua primeira campeã mundial no judô. Rafaela Silva, prata em 2011, venceu a norte-americana Marti Malloy nesta quarta-feira, no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, e fez história ao conquistar o inédito ouro brasileiro para mulheres na competição.

Rafaela, 21 anos, “escreveu” no Rio de Janeiro o capítulo de uma história que começou em Paris, no Mundial de 2011. Na capital francesa, a brasileira passou perto do título e ficou com a prata. Nos Jogos Olímpicos de Londres, no ano seguinte, enfrentou a decepção de ser desclassificada por um golpe ilegal contra a húngara Hedvig Karakas. A imagem do choro de Rafaela entrou para a história como uma das mais marcantes da Olimpíada. Hoje, no Rio, as lágrimas finalmente foram de alegria.

Esta é a terceira medalha do Brasil no Mundial, todas conquistadas pelas mulheres. Nos dois primeiros dias de competição, Sarah Menezes ficou com o bronze (até 48kg) e Érika Mirandafaturou a prata (até 52kg).

As medalhas de bronze foram para a eslovena Vlora Bedeti e a alemã Miryam Roper.

A adversária na final da categoria até 57kg é uma “freguesa” de Rafaela. Com a vitória desta quarta, a brasileira soma sete vitórias sobre Malloy, contra uma da rival.

 

O retrospecto “entrou” no tatame e Rafaela venceu com menos de um minuto de luta. Logo com 10 segundos, Malloy recebeu uma punição. Pouco depois, muito confiante, a brasileira encaixou o primeiro golpe e pontuou com um wazari.

Rafaela tentou uma imobilização, mas a arbitragem encerrou a contagem. O que poderia ser uma má notícia para Rafaela, acabou resultando na vitória. Os juízes tiraram o wazari e corrigiram para um ippon. Antes mesmo do anúncio oficial, a carioca criada na Cidade de Deus já comemorava. O ouro era dela. E o hino nacional brasileiro tocou pela primeira vez no Maracanãzinho desde segunda-feira.

O caminho para o topo

Campanha até o ouro começou com a vitória sobre a norte-americana Hana Carmichael por dois yuko. Na sequência, a vítima foi a romena Loredana Ohai, batida por um wazari contra um yuko da adversária.

Nas quartas de final, Nora Gjakova, do Kosovo, foi derrotada por ippon com 1 minuto e 23 segundos de combate.

“Malandragem” francesa

Na semifinal, Rafaela venceu uma batalha contra a francesa Automne Pavia, líder do ranking e bronze nos Jogos Olímpicos de Londres. A luta foi marcada por muito equilíbrio, com as judocas se estudando muito no início, e arbitragem polêmica.

A falta de combate valeu duas punições para cada, o que acabou fazendo a brasileira tomar a iniciativa. A Pavia, porém, permaneceu com a mesma estratégia, e acabou levando a terceira penalidade.

Foi quando Rafael conseguiu encaixar o primeiro golpe e pontuar com um wazari. Na sequência, a brasileira imobilizou a francesa e a arbitragem iniciou a contagem. Como mostrou a imagem aproximada do momento, Pavia bateu com a mão na parte interna da perna da Rafaela, que sentiu o toque, que caracteriza a desistência, e afrouxou a pegada. A brasileira chegou a avisar ao árbitro, que provavelmente não viu a batida. Mas o juiz encerrou a contagem e mandou a luta prosseguir.

Faltando pouco tempo para o fim do combate, Pavia, “salva” pela arbitragem, decidiu partir para o ataque. Por pouco a francesa não conseguiu também pontuar, mas Rafael conseguiu administrar a vantagem e se garantir na decisão.

A vitória acabou colocando Rafaela em vantagem nos confrontos contra Pavia, com duas vitórias da brasileira, contra uma da francesa.

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