Nos pênaltis, Atlético-MG conquista Libertadores inédita

Por Tercio Braga
Jogadores do Atlético-MG comemoram a conquista inédita da Libertadores | Reprodução/Facebook Jogadores do Atlético-MG comemoram a conquista inédita da Libertadores | Reprodução/Facebook

Com mais um ‘milagre’, o goleiro Victor conduziu o Atlético-MG ao título inédito da Copa Libertadores da América, nesta quarta-feira, no Mineirão. Após vencer o jogo por 2 a 0, com um gol heroico de Leonardo Silva ao final da segunda etapa, o jogo foi à prorrogação e, em seguida, aos pênaltis. O camisa 1 do Galo, logo na primeira cobrança, defendeu chute de Miranda e encaminhou a conquista da taça ao Galo.

Victor foi o grande nome da campanha do Atlético-MG na fase eliminatória da Libertadores. Nas quartas de final, contra o Tijuana (México), já nos acréscimos do juiz, defendeu uma cobrança de penalidade máxima e comemorou como um gol no estádio Independência. Pela semifinal, contra o Newell’s Old Boys (Argentina), segurou o último pênalti da disputa. Hoje, o jogador fez diversas defesas no primeiro tempo, fechando a partida com uma bela atuação e o pênalti defendido.

Os foguetes começaram cedo. Desde a tarde desta quarta-feira, a parte alvinegra de Belo Horizonte já se encontrava em um estado de euforia, ansiedade e otimismo. No Mineirão, quase 60 mil vozes representaram outros milhões de atleticanos.

Foi com este apoio que a Massa recebeu Victor, Michel, Réver, Leonardo Silva, Júnior César, Pierre, Josué, Ronaldinho, Bernard e Diego Tardelli e Jô. Nas arquibancadas, a frase que se tornou um mantra para todo atleticano foi sendo formada aos poucos em um mosaico que preencheu todo o Gigante da Pampulha: “Galo, Yes, We CAM”.

Em seus 105 anos de história, o Atlético-MG viveu sua noite mais importante. Em 90 minutos da mais pura emoção, o Galo conseguiu vencer por 2 a 0, com gols de Jô e Leonardo Silva, e levar a decisão para a prorrogação e, em seguida, para os pênaltis.

Ferrolho paraguaio trava os anfitriões

O Galo entrou em campo e Ronaldinho disparou. Assim como disparou Tardelli na ponta direita. O cruzamento rasteiro saiu um pouco além da conta e Jô, por centímetros, não inaugurou o placar. Com dez minutos de jogo, o Atlético-MG já tinha chegado por pelo menos três vezes. Os visitantes se arriscavam nos lançamentos longos, quando não recorriam aos chutões. Com 15 minutos do primeiro tempo jogado, os paraguaios protagonizaram o primeiro lance de extremo perigo do jogo. Bareiro invadiu a área pelo lado esquerdo e só não calou o Mineirão porque Victor não quis que assim fosse.

Precisando superar o ferrolho decano, o Atlético parava na forte marcação do Olimpia. Jô encontrava muitas dificuldades quando recebia a bola de costas para o gol. Bernard e Ronaldinho procuravam nos chutes de longe o tento inicial da partida. Nas subidas ao ataque, Réver e Leonardo Silva não conseguiam o cabeceio ideial. Faltava movimentação. Quando tocavam na bola, os atleticanos encontravam quatro, cinco, seis adversários em volta. E por mais uma vez, o Olimpia trocou passes, penetrou pela esquerda do campo e exigiu que Victor fizesse outro difícil bloqueio.

Cuca chamava seus homens à beira do campo. Josué se estranhava com um paraguaio no círculo central. Nas cadeiras, a Massa refletia o semblante de um time que ameaçava acusar o desespero. Os olhos pareciam ver as mesmas jogadas sendo repetidamente anuladas pelo muro no qual se transformava a defesa do rival. Com a ar pesado, os jogadores foram para o vestiário antes de tentar reverter o resultado nos próximos 45 minutos.

Galo leva jogo para a prorrogação

Rolou a bola no segundo tempo, e o Galo voltou sem seu cão de guarda. Com dores, Pierre ficou no vestiário, enquanto Rosinei foi para o jogo. Assim como diz as letras de seu hino, o Atlético-MG precisaria lutar, lutar e lutar. E lutou. Aproveitando a falha da zaga, Jô tirou o jejum de oito jogos sem gols e finalizou no canto direito de Martín Silva. A ausência da tradicional comemoração com Ronaldinho significava que ainda não tinha nada ganho. Mas o tento logo no primeiro minuto dizia à Massa que ainda restavam 44 voltas no relógio. E ela, entendeu. Mais um vez, torceu contra o vento e incendiou o Mineirão.

Mais solto em campo, o Olimpia ficou ainda mais vulnerável aos ataques do Galo. Jô, mais uma vez, quase marcou. Tardelli, de cabeça, carimbou a trave e o coração do torcedor atleticano. Era o Atlético-MG que todos gostariam de ver desde o início de jogo. Exercitando a paciência por causa da constante catimba, a blitz dos mineiros continuava no gol às esquerdas da cabine. Ronaldinho chamou a responsabilidade que tanto queriam. Serviu Júnior César, que desperdiçou a chance do segundo. Na sequência, sofreu uma falta próxima à grande área. Mais presente em campo, R10 contou com um Atlético-MG mais dinâmico para atacar com perigo.

Cuca ousou e colocou Alecsandro no lugar de Michel, lateral direito. Querendo segurar a qualquer custo, Ever Almeida promoveu a entrada do Giménez. Faltavam 15 minutos. Embalados pelo ‘eu acredito’, o Atlético foi pra cima. No chute de Tardelli, um Mineirão inteiro gritou pênalti, não assinalado pelo árbitro. Seria uma das últimas chances do camisa 9, substituído por Guilherme. Aos 38 minutos, Ferreyra driblou Victor e teve o gol do título nos seus pés. A escorregada do atacante parecia ser um sinal de que a sorte ainda estava do lado atleticano. Leonardo Silva tratou de fazer o lance valer a pena. No cruzamento de Bernard pela direita, Leo testou no ângulo: 2 a 0 Galo, que levava o jogo para a prorrogação e ainda contaria com o segundo amarelo de Manzur, do Olimpia. Seguia a saga atleticana.

Prorrogação sem gols

Como Cuca já havia antecipado logo após a derrota em Assunção, ‘com o Galo, tudo é sofrido’. Ainda antes do início da prorrogação, Ronaldinho Gaúcho rezava no banco de reservas. Ele como nunca poderia provar de uma vez por todas sua volta por cima.

A bola correu em um ‘novo’ jogo foi iniciado. Beneficiado pela expulsão de Manzur, desta vez, o Atlético não estava apenas com um jogador a mais. Paciente, o Galo soube pressionar durante os primeiros 30 minutos, mas sem felicidade. Na cabeçada de Réver, a trave inssistiu mais uma vez em evitar o título. Na bola colocada por Guilherme, Martín Silva espalmou e mostrou que queria estragar a festa. Atlético-MG e Olimpia decidiriam a Libertadores da América na cobrança de pênaltis.

Victor faz novo milagre

O Olimpia começou com Miranda, Ferreyra, Candía, Aranda e Giménez. O Galo tinha Alecsandro, Guilherme, Jô, Leonardo Silva e Ronaldinho.

Victor se adiantou um pouco e defendeu a primeira cobrança de Miranda. Alecsandro marcou. Ferreyra diminuiu para os paraguaios. Guilherme, rasteiro, fez o segundo atleticano. Candía voltou a diminuir para o Olimpia, mas Jô recolocou o Galo na frente: 3 a 2.

Aranda encheu o pé e deu novas esperanças para os visitantes, mas Leonardo Silva não deixou a vantagem cair: 4 a 3, e Giménez seria o responsável pela última batida. Cobrança esta que saiu para fora. Cuca, mais uma vez, ajoelhado e com a camisa de Nossa Senhora, foi ao chão.

FICHA TÉCNICA
ATLÉTICO-MG 2 (4) X (2) 0 OLIMPIA

Local: Mineirão, Belo Horizonte (MG)
Data/hora: 24/07/2013, às 21h50
Árbitro: Wilmar Roldan (COL)
Auxiliares: Humberto Clavijo e Eduardo Ruiz
GOLS: Jô, 1’2ºT(1-0) e Leonardo Silva, 41’2ºT(2-0)
Cartões amarelos: Bernard,Luan (CAM), Benítez, Manzur, Silva e Giménez(OLI)
Cartões vermelhos: Manzur (OLI)
Público/Renda: 58.620 pessoas/R$14.176.000,00

ATLÉTICO-MG: Victor, Michel (Alecsandro, 26’2ºT), Réver, Leonardo Silva e Júnior César; Pierre (Rosinei, intervalo), Josué, Ronaldinho, Bernard; Diego Tardelli (34’2ºT) e Jô. Técnico: Cuca.

OLIMPIA (PAR): Martín Silva; Salustiano Candía, Manzur, Ricardo Mazacotte, Hermínio Miranda e Benítez; Eduardo Aranda, Wilson Pittoni, Alejandro Silva (Giménez, 25’2ºT), Juan Manuel Salgueiro (Baez, 37’2ºT) e Fredy Bareiro (Ferreyra, intervalo). Técnico: Ever Almeida.

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