Fernanda Takai lança álbum 'Será Que Você Vai Acreditar?', produzido na quarentena

Por Gustavo Drullis - Metro Jornal

Nada de ficar de pernas para o ar, não. Com estúdio em casa, Fernanda Takai aproveitou o isolamento e lançou o álbum solo “Será Que Você Vai Acreditar?”, cuja produção teve início junto à pandemia. Mesclando composições inéditas e interpretações sensíveis, direto do seu “universo musical pop”, Fernanda encontra o equilíbrio necessário para enfrentar a “nova normalidade” dos dias de hoje. O resultado é um passeio, feito com calma, por dez faixas calorosas e sutis ao mesmo tempo.

Com toda simpatia e versatilidade que décadas de carreira lhe incumbiram como artista, a cantora alcançou o feito criativo ao lado de John Ulhoa, companheiro de Pato Fu e marido, que toca os instrumentos, além de produzir o álbum.

Em entrevista ao Metro Jornal, Fernanda  fala sobre o novo disco, disponível nas principais plataformas de streaming.

Como foi feita a seleção das músicas?

Acho que é uma tônica em meus lançamentos solo: trazer obras inéditas e outras sob a forma de releituras de canções que habitam meu universo como ouvinte de música pop. Dou muito valor ao trabalho de intérprete, não por acaso fiz um álbum inteiro dedicado a uma delas, Nara Leão.

O que você acha que dá unidade ao trabalho?

Quando começo um disco novo, a não ser que seja temático, não é simples delimitar um sentido para um conjunto de faixas. Em geral, à medida que vai ficando pronto, lemos as obras de acordo com nosso sentimento naquele momento. Isso acontece com as pessoas que o escutam também. Apesar de existir há mais tempo, uma canção como “Terra Plana” ou “Não Esqueça” parece que foi feita exatamente agora. E hoje a sensação geral é de limite, de impotência frente à passagem dos dias, medo, da busca pelo amor e carinho, valorizar lembranças… De algum jeito as canções estão tocando nesses temas intuitivamente.

Como foi a experiência de gravar no isolamento?

Como a agenda de shows acabou cancelada, os dias em isolamento ficaram dedicados à produção do álbum. Já tínhamos começado a gravar no fim de fevereiro. Eu e John nos vimos sozinhos em casa, onde temos um estúdio, então trabalhamos direto nas faixas. Eu também me dediquei mais à alimentação e cuidado com nossa morada, nossos bichos de estimação, enquanto nossa filha entrou em modo aulas remotas. No fim, tínhamos tempo e nenhuma pressa.

No caso dos covers, como você fez as adaptações?

A gente gosta de vestir as canções de um outro jeito, trazendo cada uma para minha dinâmica de cantar. Respeitamos muito a composição, mas gostamos de experimentar novos formatos estéticos. É algo bem interessante de se fazer, ter liberdade e ao mesmo tempo matéria-prima consagrada.

De que forma ocorreram as parcerias?

São mulheres admiráveis e fico muito feliz em tê-las por perto. Virginie [Boutaud], que ouvi muito na época em que começava a tocar em minha banda de colégio, e Maki Nomiya, do Pizzicato Five, uma das bandas favoritas dos anos 90. Aconteceu uma conexão bem natural, que se concretizou com as redes sociais, no caso da Virginie. Estive com a Maki algumas vezes quando toquei no Japão, cantamos juntas no Brasil e até fizemos um EP por um selo de Tóquio, em 2009. Agora, deixamos claro mais uma vez nossa afinidade.

A pandemia influenciou na parte instrumental?

Os arranjos transitam nesse nosso universo pop, entre baladas com programações eletrônicas e inclusão de texturas sonoras que abrem espaço para o meu jeito de cantar, que é mais contido. Acho que a economia de elementos reflete até mesmo o fato de sermos apenas nós dois. Usamos a limitação em favor da leveza para se contrapor ao peso de algumas letras. Em outros momentos, enfatizamos a sensação de respirar através de uma canção.

Qual era a rotina gravando?

Logo depois do café da manhã, íamos para o estúdio. Perto do meio-dia, eu ia preparar o almoço e ouvia podcasts ou rádio. À tarde, John trabalhava um pouco sozinho, enquanto eu resolvia assuntos relacionados ao álbum – capa dos singles, autorizações, projeto gráfico e lyric vídeos. Sempre fechávamos o dia ouvindo o resultado de um arranjo ou uma pré-mix. À noite, reservamos um horário para ver com nossa filha algum filme de uma listinha que fizemos pra ela conhecer clássicos do cinema.

Loading...
Revisa el siguiente artículo