Em segunda live, Skank brinca com formato acústico inédito na carreira

Samuel Rosa fala ao Metro sobre vontade de fugir da mesmice das transmissões na pandemia; Apresentação do quarteto será no sábado, às 20h, no YouTube

Por Luccas Balacci - Metro

A próxima live do Skank, neste sábado (27), pode parecer mais convencional do que a anterior, apresentada no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. Mas não se engane, já que mesmo em um estúdio, o show virtual terá em um formato inédito para o quarteto, que fará releituras de suas canções em versão acústica.

A banda é uma das poucas gigantes dos últimos quarenta anos que nunca investiu nesse tipo de projeto, popularizado pela finada MTV Brasil nas décadas de 1990 e 2000 e que resultou em alguns dos registros mais relevantes de artistas como Ira!, Titãs, Cássia Eller e muitos outros.

Ao Metro Jornal, o vocalista Samuel Rosa falou sobre as expectativas e a importância da live "Quarteto Acústico", que será transmitida no YouTube do Skank a partir das 20h. O músico e compositor também falou sobre o momento do grupo, que precisou interromper os planos da turnê de despedida pré-hiato indefinido por causa da pandemia de covid-19.

A carreira do Skank é repleta de sucessos que se encaixam no formato acústico. Por que uma apresentação assim não aconteceu antes?

De fato, o Skank é uma das poucas bandas com tanto tempo de carreira que não recorreu ao formato acústico. Na época dos acústicos, onde esse projeto ganhava muita força, foi um período muito fértil da banda. Imagina se a gente trocasse o "Maquinarama" (2000) ou o "Cosmotron" (2003) por um disco acústico? Hoje estaríamos lamentando! E depois o acústico começou a ser um formato um pouco desgastado, algumas bandas fizeram até mais de um, e o Skank optou por discos de estúdio ou ao vivo.

Mas houve uma oportunidade para um álbum acústico?

Eu me lembro que a gente teve o convite da MTV junto da gravadora, no início dos anos 2000. Nosso argumento foi que a gente não tinha sequer um disco ao vivo. E o Skank demorou pra fazer um projeto especial, a gente só foi ter um ao vivo em 2001, gravado em Ouro Preto, depois de cinco álbuns e 10 anos de carreira. O pensamento foi: "não dá para gravar um acústico se a banda não tem nem um ao vivo!"

O que motivou a fazerem agora? Normalmente um acústico é oportunidade de juntar diversos outros músicos para complementar nos arranjos.

O que a gente vai fazer agora não é um disco, é meramente uma live em um formato mais cru, uma brincadeira. As lives estão ficando tão repetitivas, vendo as bandas que já fizeram mais de uma. Tem gente que puxa uma live antiga e acha que está vendo a mais recente, são parecidas!

O Skank tentou fugir um pouco dessa armadilha. A primeira foi no Mineirão, acho que a única transmitida de um estádio, e para diferenciar trouxemos o "Quarteto Acústico", mas longe de ser um projeto que vai virar disco ou vai mobilizar uma divulgação.

Acho que um acústico tão aguardado como o do Skank merece ser cercado de um protocolo, de uma formalidade muito maior do que essa agora, com outros músicos, com convidados… Agora a gente vai brincar e os fãs vão ter uma oportunidade de ouvir nossas músicas de uma forma mais intimista e bem diferente da primeira live.

Teremos surpresas no repertório?

O repertório terá algumas alterações de músicas que foram muito pedidas pelos fãs nas redes sociais e não apareceram na primeira live, como “Fotos na Estante”, que é uma das três inéditas do DVD “Skank no Mineirão” (2010), que nunca mais foi tocada ao vivo. Essa e outras vão ser contempladas nessa segunda live.

Como a banda se comporta sobre os cuidados para evitar o contágio por covid-19? No Mineirão, houve críticas sobre mobilizar equipe técnica e funcionários do estádio em tempos do lema "fique em casa".

No Mineirão a gente tomou todos os cuidados pertinentes para ter estrutura minimamente possível que garantisse a qualidade e um bom funcionamento da live. O convite chegou do próprio Mineirão e a gente não aceitou sem que antes fosse feito todo um planejamento e tivessem asseguradas todas as condições recomendadas pela OMS para que as pessoas não corressem nenhum tipo de risco.

Agora, se tiveram críticas, não chegaram até mim. E foi uma equipe bastante reduzida, eu diria que não era uma equipe muito maior do que qualquer restaurante que está fazendo delivery hoje nas principais capitais do Brasil. Apesar de ser no Mineirão, a estrutura montada caberia num estúdio e eu diria que um lugar aberto como o Mineirão é até mais seguro do que um estúdio, que é um lugar fechado.

A pandemia adiou aquela que seria a turnê de despedida do Skank antes de interromperem os trabalhos. Esses planos mudaram?

É preciso fazer uma correção. Não partiu de nós em nenhum momento decretar o fim do Skank. Algumas pessoas quiseram precipitar ou agudizar uma informação que talvez não fosse midiática o suficiente e decretar o fim da banda. O Skank afirmou que pararia as suas atividades por tempo indeterminado para que seus integrantes se dedicassem a projetos individuais.

A possibilidade de voltar é real, tem grandes chances do Skank retomar no futuro para algum outro projeto. Faz parte dos nossos planos, a não ser que alguma coisa aconteça no caminho.

Sobre a turnê de despedida, é um fechamento de ciclo de quase 30 anos da banda. Seria realizada agora e já tinha uma adesão muito grande, mas a pandemia interrompeu. Os shows não serão cancelados, apenas adiados. Assim que for seguro, quando tivermos condições, vamos cumprir o prometido e sair pelo Brasil.

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