Glória Maria fala sobre caso de racismo: 'Me sentia como um macaco em um zoológico'

Por Metro Jornal

Recém-curada de um tumor no cérebro após sete meses, a jornalista Glória Maria falou sobre o racismo que sofreu durante a carreira e alguns casos específicos, no Country Club carioca e em encontro com João Figueiredo, ex-presidente do período da ditadura militar.

Em entrevista no programa Conversa com Bial, nesta segunda-feira (18), Glória Maria foi questionada sobre um trecho do livro "O poder está no ar", de Leôncio Nossa, que narra a ida da jornalista ao Country Club com José Roberto Marinho, herdeiro da TV Globo, com quem ela namorava na época.

"Foi horrível. O clube inteiro olhando para aquela mesa, eu não sabia o que fazer, e não entendi direito ainda aquela maluquice que era o camping. Eu não entendia direito", contou. "E eu: 'José, vamos embora, todo mundo olhando para a gente'. Eu não sabia direito se era porque eu era negra ou se também era porque ele era o filho do Roberto Marinho. Foi um dos momentos mais ruins, mais desagradáveis da minha vida, aquela sensação, eu me sentia como um macaco em um zoológico. Todo mundo ali, esperando a hora de me dar uma banana".

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A jornalista também afirmou que, na época da ditadura militar, João Figueiredo não a suportava. "Quando ele chegava, ele me via e falava: 'Tira aquela neguinha da Globo dali!'. E eu passei todo o governo Figueiredo ouvindo 'Tira essa neguinha da Globo daqui!".

Para Glória, o racismo não mudou, a diferença é que as denúncias ganham proporções maiores. "As pessoas acham que hoje é pior. Não, não, não. Quem não gosta de preto, não gosta. Quem é racista é racista. Não adianta a Glória Maria apresentar o Jornal Nacional, o Globo Repórter, o Fantástico. Ela é negra? Então, tem que ser discriminada ou diminuída”, disse.

"Sempre tem uma justificativa para você estar ali. Nunca é porque você tem talento, nunca é porque você tem valor. Então, você vai aprendendo como é o olhar das pessoas sobre você. E como você nasce negro – e eu não sou mulatinha, eu sou negra mesmo, eu sou preta – você aprende a reconhecer isso a 30 quilômetros de distância, você sabe onde está o racista”, completou.

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