Documentário intimista conta história e legado dos Beastie Boys

Por Eduardo Ribeiro - Metro

Quando foi anunciado que Spike Jonze seria o diretor do documentário sobre os Beastie Boys, as expectativas só poderiam ser as mais elevadas. Jonze, afinal, é um dos grandes mestres na arte do videoclipe e esteve à frente de excelentes documentários, como “Heavy Metal in Baghdad” e “Dumb: The Story of Big Brother Magazine”. Até mesmo seus vídeos de skate, entre os quais “Pretty Sweet”, de 2012, são temperados com engenhosa direção de fotografia e justaposição de imagens.

Em “Beastie Boys Story”, que chega ao catálogo da Apple TV+, não tem nada disso. Esqueça as narrações em off cobertas com profusão de cenas de arquivo, as edições malucas cheias de idas e vindas no tempo, as contextualizações geográficas panorâmicas ilustradas por takes captados com drones. Para contar a história de uma molecadinha punk nova-iorquina que formou  banda em 1979 e virou um trio de rappers no segundo ano do ensino médio para, mais tarde, rejeitarem o status de superstars por um caminho musical cada vez mais abrangente e experimental, Jonze preferiu um lance minimalista.

“Beastie Boys Story” é, basicamente, o registro dos integrantes remanescentes Mike Diamond (Mike D) e Adam Horovitz (Ad-Rock) – Adam Yauch  (MCA) morreu em 2012, vítima de câncer – empunhando microfones em cima de um palco, à frente de um telão desfilando fotos e vídeos, e diante de uma apinhada plateia num grande teatro em Nova York.

Duas horas de relatação de causos transcorrem como uma combinação de TED Talks com stand-up comedy. Fica a sensação de pulga atrás da orelha, de como seria se Spike Jonze tivesse feito, em vez disso, um documentário fílmico. Por outro lado, Mike D e Ad-Rock dominam como poucos a graça da oralidade, mesclando empatia e senso de humor com rigor de detalhes sobre todas as fases dessa grande aventura, do ponto de vista artístico e pessoal. Falam de acertos e erros, principalmente assumindo os erros, com rara dignidade. O documentário imprime-se como uma ode à amizade e à memória de MCA, figura que, de modo que nem eles conseguem explicar, representou o motor criativo que transpôsy barreiras estéticas e a guinada do grupo para um caminho de amadurecimento político e espiritual.

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