Baco Exu do Blues adia terceiro álbum e lança EP 'Não tem Bacanal na Quarentena'

Por Eduardo Ribeiro - Metro Jornal São Paulo

“Todos dançamos quando mudam as estações”, canta, em tradução livre, David Moore na canção “Five-Year Diary”, da mítica banda indie americana Chamberlain, de Indianápolis. Taí uma grande verdade. Nos transformamos de acordo com o espírito da época. E a época atual é de reclusão, ansiedade, incertezas e esperanças. Na música, como em outras expressões, fica evidente: artistas já produzem suas obras impactados pela nova realidade pandêmica.

Esta é a tônica do novo trampo do rapper baiano Baco Exu do Blues que, inquieto com esse lance todo do isolamento motivado pela covid-19, desencanou de lançar o seu terceiro álbum de estúdio para focar num EP intitulado “Não tem Bacanal na Quarentena”. Ao longo de nove faixas, produzidas na urgência de apenas três dias, ele versa sobre ficar só, angústia e tesão contido. Demonstra, também, indignação com as ações do governo diante da pandemia e filosofa até sobre o “BBB20”, a simpatia que desenvolveu pelo participante Babu e o tratamento dos brancos da casa em relação ao ator.

“Não tem Bacanal na Quarentena” foi produzido em casa mesmo. Isolado em São Paulo, Baco recrutou de Salvador o seu engenheiro de som, Dactes, que montou o estúdio para ele. Na realidade o álbum, por mais que o artista promova como EP, vem com sample de panelaços e traz uma arte na capa que faz espirituosa releitura da clássica ilustração que estampa a fronte do disco “Ready to Die” (1994), primeiro do saudoso mestre Notorious B.I.G., assassinado aos 24 anos em 1997.

Se no disco de B.I.G. o personagem é um menino sentado no chão, aqui o Baco usou o desenho de um urso, na mesma posição, só que vestindo máscara protetora e com um tubo de álccol gel à sua frente.

Baco Exu do Blues, no entanto, não está hibernado do ponto de vista criativo, e muito menos “pronto para morrer”. Está é mesmo pronto para o embate contra o racismo, o tédio e a desinformação. O nome do EP, para quem não pescou, trata-se de alusão ao título reservado ao álbum que ele precisou interromper, o aguardado “Bacanal”.

“Não tem bacanal na quarentena”

Baco Exu do Blues

Disponível em streaming

O som do quarentena

‘Going Nowhere’
Kings of Leon

A banda aproveitou a deixa da quarentena para divulgar seu primeiro som desde o álbum “Walls”(2016). Acústica, sugere que o ouvinte não vá a lugar algum no clipe em preto e branco.

‘Quarentena’
MV Bill
“Na favela, pra nós a covid é diferente”, MV Bill manda o papo reto, como de costume, no single que visa alertar, para a turma da quebrada,a ameaça do coronavírus.

‘Let Your Love be Known’
Bono Vox
Primeira do vocalista do U2 em três anos, tem letra inspirada pela quarentena dos italianos e dedicatória a médicos e enfermeiros. Fala de ruas desertas, distância
e isolamento.

‘Obrigado por Cuidar de Nós’
Hotelo
Quarteto que mora junto em São Paulo já lançou três músicas sobre a pandemia. A mais recente homenageia profissionais da saúde.

‘Better Days’
OneRepublic
O som disponibilizado pelo grupo é uma mensagem de esperança por dias melhores após a superação da pandemia. Até setembro, parte dos rendimentos vão para a campanha MusiCares.

‘Metal Lava a Mão’
Detonator
O vocalista do Massacration lançou uma música que ensina práticas de higiene para as crianças em tempos de coronavírus. A faixa conta com um divertido clipe animado.

 

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