"Meu trabalho não acaba", diz Iza em entrevista ao Metro

Por Eduardo Ribeiro - Metro São Paulo

Iza planeja o segundo álbum para este ano, mas ainda são muitos os frutos a serem colhidos pelo impacto de “Dona de Mim”, seu trabalho de estreia lançado em 2018. Obra que, tão logo chegou, já havia arrebatado boa parte do Brasil, em incomum exposição para uma debutante do pop nacional.

Ela surgiu aos 24 anos, postando na internet releituras para canções que mexiam com o seu coração. Pouco tempo depois, com repertório autoral, superou o clichê dos ritmos predominantes com toda a sua potência. Iza é uma força da natureza, como fica evidente na performance de seu maior hit até aqui, “Pesadão”. Ainda comemorando o sucesso de sua aparição no Carnaval 2020, a cantora trocou uma ideia com o Metro.

Este ano você fez estreia como rainha de bateria da escola Imperatriz Leopoldinense. Como foi?

Foi tudo muito intenso. Desde os ensaios, a preparação, até o desfile. Eu fiquei muito feliz com o convite porque cresci em Olaria, estudei muito próximo da quadra da escola e ela fazia parte do meu dia a dia. Adoro samba, adoro Carnaval, sempre assisti aos desfiles, e ter sido rainha de bateria da Imperatriz foi um sonho realizado.

Alguns fãs na internet acusaram os cantores Diamond Platnumz, da Tanzânia, e Tanasha, do Quênia, de plagiar o seu clipe de “Brisa”. O que você achou?

Eu até brinquei com isso no meu Insta. Falei: “Avisa que vai copiar!” (risos). Tá tudo certo.

Você também tem feito sucesso pelo visual. Considera isso importante para o empoderamento feminino e artístico?

Lembro a menina que eu era, quando nova, e da importância de me ver nos lugares, me sentir representada, ter uma mulher forte me dizendo todos os dias que eu posso e que “quem sabe sou eu” das minhas escolhas. É muito bacana ser inspiração para tantas meninas e mulheres não só do ponto de vista da minha arte mas também como da maneira com que me posiciono ou me visto. Acho que a gente só tem noção do papel que exerce na vida das pessoas quando elas nos retornam as vivências delas com a nossa música, as experiências que tiveram lendo uma entrevista nossa ou o que elas sentiram quando nos viram na TV. Tudo isso está interligado.

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Foi legal conhecer a Lizzo pessoalmente?

Foi uma experiência incrível, me diverti demais no show. Ela é uma inspiração! São tantas, Rihanna, Beyoncé, Alcione, Nina Simone, nossa, muita gente mesmo!

O que você pode nos adiantar sobre a pegada do seu álbum novo a caminho para este ano?

Surpresa ainda. Estamos muito no início.

Qual é a parte mais gratificante, e a mais amarga, que você tem vivido desde que se tornou popular?

Quando as pessoas me procuram para falar que se inspiram em mim é um combustível muito forte e potente. Além disso, é uma troca muito especial. Quando eu fraquejo,  sei que elas estão esperando que eu seja forte e isso me motiva mais. Me deixa forte. Quando eu trabalhava com edição de vídeo, por exemplo, meu trabalho era dentro da ilha de edição. Saía de lá e meu trabalho acabava. Agora não. Meu trabalho não acaba. Eu durmo Iza e acordo Iza. Se eu estiver fazendo compras no mercado, eu sou a Iza, mesmo não estando no palco, cantando. As pessoas não me enxergam mais como uma pessoa anônima. Eu tento preservar minha vida pessoal ao máximo, me resguardar. Mas sou grata demais por todos os meus fãs e por tudo o que o meu trabalho me proporciona.

“Evapora”, em parceria com Ciara e Major Lazer, trouxe uma boa projeção internacional à sua carreira? Você tem planos de investir no mercado global?

Eu sonho em cantar pra sempre, para o maior número de pessoas que eu puder. Uma carreira internacional é muito trabalhosa e  quero fazer tudo com muito cuidado. “Evapora” não foi um investimento na carreira internacional, foi só uma oportunidade maravilhosa que aconteceu pra mim. Não enxergo como uma carreira internacional, mas sim uma primeira gravação que faço com artistas de fora. Claro que isso pode me trazer alguma coisa, em termos internacionais. Mas isso pra mim foi muito mais um presente da música do que um investimento.

Existem artistas que preferem ficar alheias à política e causas sociais. O que você pensa disso?

Os temas que abordo na minha música são coisas que acontecem na minha vida, meu ponto de vista. É interessante saber que meu ponto de vista é uma questão atual, que precisa ser falada, que também está na cabeça das outras pessoas. Elas acabam se conectando comigo por conta disso. As minhas músicas falam de paixão, de amor, de união. A mensagem que eu mais quero passar é que quem toma as rédeas da nossa vida somos nós. Não interessa o que a sociedade diz, o que ela fala do nosso corpo, do nosso comportamento. Quem decide é cada um.

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