Seijun Suzuki: IMS abre mostra de cineasta japonês que influenciou Tarantino

Por Eduardo Ribeiro - Metro Jornal São Paulo

Dono de uma carreira de cerca de 50 anos e uma obra vasta e multifacetada, o cineasta japonês Seijun Suzuki (1923-2017), que influenciou nomes como Quentin Tarantino e Jim Jarmusch, é tema de mostra que abre nesta terça-feira (21) no Instituto Moreira Salles (Av. Paulista, 2.424, Bela Vista, São Paulo; tel.: 2842-9120. Ter. a dom.. 10h às 20h. Qui., 10h às 22h. Até  9/2). Em parceria com a Fundação Japão, o programa reúne 17 títulos, sendo 15 em cópias de 35 mm e dois em DCPs restaurados. A entrada é gratuita, com senhas distribuídas uma hora antes de cada sessão.

O legado de Suzuki se divide em duas fases. Do final da década de 1950 até 1967, dedicada a produções corriqueiras, de puro entretenimento, nos estúdios Nikkatsu, entre eles os mais bizarros filmes de gângster já gravados em película; e a partir dos anos 1980, quando ele se reinventou no cinema de arte e ganhou inúmeros prêmios e reconhecimento da crítica. O que vale para ambos os períodos é que Suzuki foi um dos mais importantes criadores da cultura pop japonesa.

Os pilares da Nikkatsu na década de 1960 eram filmes ultraviolentos da Yakuza ou sadomasoquistas. Suzuki logo provou ser adepto desse formato pasteurizado e produziu 40 roteiros nessa linha. Da primeira fase do artista nascido em Tóquio, a mostra apresenta longas que recusavam a verossimilhança, com cores chamativas e cortes abruptos, como “Detetive Bureau 2-3” (1963), o primeiro protagonizado pelo ator Joe Shishido, e a grande referência de sua carreira: “A Marca do Assassino” (1967), que conta a história de um matador profissional que vira alvo de uma perseguição. A produção foi considerada “incompreensível” pelos estúdios, que romperam o contrato com ele. Hoje, é considerada uma obra de vanguarda.

Com a saída da Nikkatsu, Suzuki passou dez anos longe das câmeras. Quando retornou, na independência, fez valer sua autonomia e realizou “Zigeunerweisen” (1980), primeira fita da cultuada “trilogia de Taisho”, que faz referência ao Japão dos anos 1910-1920 e é marcada pelo caráter onírico. Presente na mostra, venceu quatro prêmios da Academia Japonesa em 1981, incluindo os de melhor filme e melhor diretor.

A seleção exibe também os dois últimos filmes de Suzuki: “Pistol Opera” (2001), em que o diretor cria uma reencenação de “A Marca do Assassino” com viés abstrato, e “Princesa Guaxinim” (2005), que adentra o campo da fantasia ao contar a história de um príncipe que se apaixona por um guaxinim.

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