Metro Jornal lista os melhores discos nacionais e internacionais de 2019

Por Paulo Borgia - Metro Jornal

Que ano! Fazer listas de melhores discos é sempre aquele sofrimento: pensa daqui, releva dali, escuta de novo pra ter certeza que bateu forte no coração, e aí vai lá, escalar sua seleção. Pessoal e intransferível, essa é a escolha de quem escutou alguns belos álbuns em 2019, mas que foi arrebatado de algum jeito por esses aqui, muitas vezes no inconsciente. E você, tem sua lista?

Artistas internacionais

Billie Eilish – When We All Fall Asleep, Where Do We Go?
Desde 2017, a artista já chamava atenção pelo seu trabalho, mas este ano Billie encontrou de vez uma essência, com um álbum pop poderoso, com sua voz sussurrando embalada por batidas eletrônicas empolgantes. Eilish ainda se tornou a mais jovem indicada a álbum do ano no Grammy, aos 17 anos.

Black Midi- Schlagenheim
Os quatro ingleses, todos com menos de 20 anos, colocaram no mundo seu álbum de estreia, um somatório de punk, pós-punk, gritarias insanas, intercaladas por momentos de calmaria, com um pouco de jazz. É cru, é sincero, é um respiro de inovação. Longa vida, Black Midi.

Michael Kiwanuka – Kiwanuka
Só a abertura, com o balanço de “You Ain’t The Problem”, já valeria o disco. Mas aí vem “Rolling” ou “Living In Denial” – um clássico –, e o peito se enche. A voz do cantor britânico é cativante, que ganha força ora com funk e suas referências de décadas passadas, ora com elementos gospel. Um disco pop honesto, de respeito.

Solange – When I Get Home
A artista ganhou destaque com “A Seat At The Table”, de 2016, mas é aqui que ela fica gigante. O feminino e o combate ao racismo são palavras de ordem, em um disco de estrutura mais abstrata, variando estilos. A deliciosa – e curta – “Binz” entra nas melhores do ano. Deu tempo ainda de lançar um filme, com clipes dirigidos por ela, para todas as músicas do álbum.

Thom Yorke – Anima
Em seu terceiro projeto solo, o vocalista do Radiohead uniu sua música à dança e ao cinema para criar uma obra de arte completa, com a coreografia “Skid”, da Cia. de Dança da Ópera de Gotemburgo, para representar sua música, enquanto o diretor Paul Thomas Anderson cuidou de fechar o pacote no curta para a Netflix, onde percepções sobre o sonho – ou a falta deles – embala o conteúdo.

Artistas nacionais

Alessandra Leão – Macumbas e Catimbós
Uma nova proposta da artista, de imersão emocional, usando apenas de sua voz e batidas para celebrar, como uma oferenda, aos orixás e entidades. O transe e a suavidade acompanham as composições e os batuques de Alessandra, que se misturam a canções folclóricas e tradicionais obras de Jurema e Catimbó.

Djonga – Ladrão
Se teve um cara que se destacou demais no rap nacional este ano, é Djonga, que em seu terceiro disco não muda o método: é crítica social na cara, com a força de um soco. Mais bonito ainda, gravado em casa, em um estúdio caseiro, exaltando sua ancestralidade colocando a avó na capa e cantando para a “nega véia”. Escuta o ladrão!

Emicida – AmarElo
A crítica mais do que necessária ao racismo, mas também com espaço para o amor. Emicida escolheu um caminho onde letras agressivas e acolhedoras se completam. Em seu terceiro disco, recebe parceiros de peso, como Zeca Pagodinho, Pabllo e até Fernanda Montenegro para cantar a vida, que às vezes é bem difícil, mas também pode ser inspiradora.

Jards Macalé – Besta Fera
Como é bom ver um artista do porte de Jards lançar um trabalho tão preciso. “Besta Fera” começa denso, carregado, com versos como “caminho torto”, “olhos de sangue”, embalados por ruídos sinistros. O Brasil lhe obriga a cantar. Mas, ao mesmo tempo, há a doçura, como a parceria com Tim Bernardes em “Buraco da Consolação”. Por essas e outras, Macalé segue gigante.

Siba – Coruja Muda
Ciranda, Coro, Maracatu. Siba canta um pouco do ser brasileiro em letras nada óbvias, na poesia que como poucos na arte contemporânea do país sabem elaborar. Em seu terceiro disco solo, mais uma vez adiciona versos marcantes em músicas como “Só É Gente Quem Se Diz” “O Que Não Há”.

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