Médico acredita que Gugu estava inconsciente antes de atingir o chão

Por Band.com.br

Guilherme Lepski, neurocirurgião brasileiro que foi chamado pelos familiares de Gugu Liberato para atestar a morte do apresentador em Orlando, nos Estados Unidos, esteve nesta segunda-feira, 25, no palco do Aqui na Band para falar sobre o caso.

Segundo o médico, ele chegou ao Orlando Health Medical Center na sexta-feira, 22, data em que foi confirmada a morte do artista.

"Foi uma situação delicada desde o início porque havia muita repercussão e muito sigilo envolvendo a questão. Quando cheguei lá, ele estava com diagnóstico firmado de morte encefálica, mas isso requer um tempo de observação. O Gugu não chegou morto ao hospital. Ele chegou em estado neurológico muito grave [numa escala de 3 a 15, sendo 3 gravíssimo e 15 normal, ele estava na 3]. No relato da esposa, que prestou os primeiros socorros no palco do acidente, ela descreve que ele teve o enrijecimento de um dos braços, então isso para nós infere que na hora do corrido ele estava em coma no grau 4. No hospital, ele chegou com o quadro um pouco mais grave, embora tenha sido socorrido em menos de 10 minutos. Mas quando há trauma de face é comum a pessoa engolir um pouco de sangue e isso dificultar a respiração, cair a oxigenação e o cérebro sofrer", explicou.

A distância de 27 minutos entre a mansão onde morava e o hospital não teria influenciado na piora do estado de saúde, já que neste momento ele já estaria amparado por todos os equipamentos necessários.

Segundo Lepski, Gugu tinha um hematoma no olho direito e um corte vertical na lateral da cabeça, acima do olho direito. "O atendimento foi impecável e não poderia ter sido diferente", garantiu.

Ao chegar às dependências do hospital de Orlando, o neurocirurgião verificou todos os documentos e examinou o apresentador sem utilizar suas próprias mãos por uma questão ética. "Em todos os países, com exceção do Brasil, exigem uma certificação enorme, provas, testes, para que o profissional de medicina possa atuar diretamente. Óbvio que era uma situação pontual. Eu tinha que fazer uma análise técnica a pedido da família, então as manobras que eu precisasse que fossem feitas, pedia para os funcionários do hospital. Uma pessoa expôs os olhos dele para mim para que eu pudesse ver os reflexos pupilares, que é uma questão muito importante. Não pude tocá-lo em nenhum momento", relatou.

Durante o programa, Guilherme Lepski também deu a sua versão para o acidente. "Não é comum em uma queda de 4 metros, onde a pessoa cai em pé, ter traumatismos dessa gravidade. A minha hipótese médica é que ainda no sótão, ele pisou em uma região frágil, o gesso acabou cedendo e ele caiu. Nesse processo de queda, logo inicialmente, ele bateu a cabeça em uma pilastra que tinha ao lado no andar debaixo. Ele ficou desacordado supostamente neste momento. O momento seguinte, foi uma colisão ao solo, direto com a cabeça. Ele já deve ter caído sem as defesas naturais, porque numa queda é natural você colocar as mãos, tentar se defender [coisa que ele não fez]", afirmou.

O médico também esclareceu que não havia possiblidade de postergar a vida do apresentador realizando uma cirurgia. Mas, se o quadro fosse menos grave, a situação poderia ser outra. "É difícil fazer especulação em cima de um quadro que a gente não viu, mas se a gente tivesse um nível de coma menos grave, acho que poderíamos intervir, tanto no Brasil [se ele estivesse aqui], quanto os colegas nos Estados Unidos".

Lepski também revelou que coube a ele comunicar aos familiares sobre a confirmação da morte do apresentador. "Eles já estavam diante de uma situação dramática. A mãe dele [dona Maria do Céu] estava muito serena, muito lúcida, e eu disse que agora ela teria de ser o pilar da família, cuidar dos netos. A esposa também ficou em uma situação muito ingrata de ter de prestar o primeiro socorro. No momento inicial, ela procurou acessar as vias aéreas para permitir uma respiração mais adequada e foi corretíssima", avaliou.

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