Pianista Nelson Freire tropeça em calçadão no Rio, sofre fratura no braço e cancela concertos

Por Angela Correa

O pianista Nelson Freire passará no final da tarde de hoje, dia 31, por uma cirurgia no braço direito. Ele sofreu uma queda na manhã de ontem ao tropeçar em pedras soltas no calçadão da Barra da Tijuca. Freire foi hospitalizado ainda ontem. Segundo amigos que estiveram com ele no hospital, o pianista "está bem, sem dor e calmo".

De acordo com a assessoria do artista, ele quebrou o úmero na região próxima ao ombro, e a expectativa é de que ele fique dois meses fora dos palcos – seus recitais e concertos marcados até o final do ano já foram cancelados, entre eles as apresentações que faria na semana que vem na Sala São Paulo, para comemorar os seus 75 anos de vida, os 60 anos de carreira e encerrar a temporada da Cultura Artística.

Ortopedistas ouvidos pelo Estado explicam que, em casos localizados na região próxima ao ombro, o mais comum é a fratura da cabeça do úmero. "O úmero é um osso que vai do cotovelo ao ombro, seria o correspondente ao fêmur na perna", explica o doutor José Renato Carneiro. "A cirurgia costuma ser feita, no caso de fraturas na cabeça do úmero, para grudar essas partes, utilizando uma placa."

Para o doutor Ricardo Munir Nahas, ortopedista e vice-presidente da Confederação Sulamericana de Medicina Esportiva, a cirurgia nesses casos é um "procedimento comum". "A recuperação depende do paciente. Mas, normalmente, de quatro a seis semanas temos o que se chama de alta ortopédica, começando então um período de estimulação de movimentos por meio de fisioterapia", explica.

Para Carneiro, o problema de fraturas como essas é a rigidez do movimento. "Antigamente, se resolvia a fratura com a imobilização por meio de gesso. Mas a cirurgia permite uma recuperação mais rápida, com o início mais rápido da estimulação dos movimentos, para que não haja perdas nem na força nem na amplitude."

Segundo ele, a fratura na região próxima ao ombro praticamente exclui danos nos nervos. "Quando a fratura é no meio do osso, o risco é maior, o que seria um problema naturalmente grande para um pianista", explica.

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