Vera Fischer analisa panorama cultural do Brasil: 'Estão com ódio dos artistas'

Por Maria Fernanda Conti - Metro Espírito Santo

Atriz, ganhadora do Miss Brasil e, agora, aspirante a cantora. Nenhum obstáculo é capaz de desanimar Vera Fischer, 67 anos, de viver para a arte, nem mesmo os problemas com o atual panorama do cultural do país. Ainda que esteja afastada das telonas há quase 20 anos, a protagonista de “Super Fêmea” (1973) e “Amor Estranho Amor” (1982) foi a homenageada do 26º Festival de Cinema de Vitória, no fim de setembro.

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Em conversa com o Metro ela prometeu novidades para 2020 e contou, ainda, as dificuldades que teve até virar artista.

Como foi a transição entre o Miss Brasil e sua entrada no cinema?

Logo depois do Miss Brasil, concorri ao Miss Universo, em 1969. Naquele ano, estava acontecendo tudo em Miami: festival de Woodstock, todo mundo grudado na TV assistindo o homem na Lua, enquanto eu queria fazer compras (risos). Nunca quis ser atriz, só queria sair da minha cidade e trabalhar. Tudo coincidiu. Inclusive, viraram para mim e disseram “vai para casa, você nunca vai ser atriz!”.

Era difícil lidar com o rótulo de “diva”?

Quando alguns filmes meus estavam em cartaz, eu passava em frente aos cinemas e via uma fila gigantesca de homens. Até virava a esquina. Era difícil, pois tinha uma onda machista muito forte em cima das mulheres, de mim… Sorte que eu tinha um humor ácido e conseguia me livrar.

Como você avalia o atual momento do cinema brasileiro e as políticas culturais do governo?

Pela primeira vez, não sei como vamos conseguir sair desse perrengue. Acho que estão com ódio e raiva dos artistas. Para eles, a arte é uma coisa perniciosa. Hoje, algumas pessoas estão tirando dinheiro do próprio bolso para produzir filmes… Só queremos fazer arte.

Por que você passou quase 20 anos longe do cinema?

A verdade é que eu não fui convidada para os papéis. O cinema tomou outros rumos, e neles existem turmas, “panelinhas”. Sempre fui muito livre, nunca participei de nenhuma, Então fiquei longe esse tempo todo. Recebi alguns convites, mas eles não iam me acrescentar em nada. Agora a indústria se voltou a filmes como “Tropa de Elite”, “Cidade de Deus”… Filmes muito masculinos, voltados a policiais, bandidos, enfim, o que causou menos espaço para as mulheres.

E como será essa volta às telonas?

Ano passado, fui chamada para fazer “Quase Alguém”, de Daniel Ghivelder. É a história de uma grande mulher, artista, da minha idade, que tem problemas com a filha. O filme é sobre o embate das duas. Acho que vai ser uma grande retomada desses filmes existenciais. A previsão é que as filmagens comecem no primeiro semestre de 2020.

Ficamos sabendo que você quer ser cantora…

Nunca me denominei só atriz. Artista canta, pinta, tira foto, faz colagens… Não quero, nem vou ficar parada. Quero cantar em lugares pequenos e com poucas pessoas. Se der certo, rodo o Brasil, em cada barzinho que tiver na frente (risos).

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